A fase final do 13º mundial, que era para ser disputada na Colômbia, conforme decisão do Congresso FIFA de 20 de Maio de 1983, em Estocolmo, mas assim não aconteceu devido a graves problemas económicos e a insegurança que afectavam o país. A FIFA convidou, então, o Brasil a tomar conta da organização, só que a Junta militar que liderava o governo recusou. Foi então escolhido o México que, pela segunda vez, levou a efeito tamanho empreendimento pese embora os terramotos que se verificaram um ano antes.
A prova decorreu entre 31 de Maio e 29 de Junho de 1986, onde estiveram presentes as seguintes 24 selecções: Alemanha (8), Argélia (2), Argentina (12), Bélgica (8), Brasil (3), Bulgária (3), Canadá (2), Coreia do Sul (6), Dinamarca (4), Escócia (5), Espanha (7), França (6), Hungria (0), Inglaterra (8), Iraque (8), Irlanda (5), Itália (7), Marrocos (5), México (10), Paraguai (5), Polónia (5), Portugal (1), Russia (2) e Uruguai (11). Pretenderam chegar a esta fase, através de eliminatórias que demoraram dois anos, 113 países.
Foram utilizados estádios localizados em: Cidade do México (2), Guadalajara, Irapuato, Leon, Monterrey, Nezahualcoyoty, Puebla, Queretaro e Toluca.
O jogador Sócrates do Brasil era médico e atendia os atletas em campo, quando se magoavam. Carlos Bilardo, o técnico argentino, trabalhava como médico.
-Estádio Azteca, Cidade do México-
-Romualdo Arppi Filho, Árbitro FIFA, brasileiro, que dirigiu a final-
A expulsão mais rápida das fases finais ocorreu nesta competição quando o uruguaio José Batista, no encontro com a Escócia, no dia 13 de Junho, viu ser-lhe exibido o cartão vermelho aos 55 segundos do primeiro tempo.
-Gary Lineker, o artilheiro-
Para viajar para o México a selecção italiana exigiu da empresa aérea Alitália a mesma tripulação que os levara a Espanha quatro anos antes, quando a Itália se sagrou campeã.
Antes do futebol, o atacante italiano Bruno Conti jogava basebol. Era tão bom que quase foi jogar profissionalmente para os Estados Unidos.
-O malogrado John Stein-
Preocupada com o Mal de Montezuma, que causa incontroláveis crises de estômago nos estrangeiros no México, a delegação da Bélgica trouxe em sua bagagem 20 mil litros de água mineral e centenas de quilos de queijo holandês.
-Fase do jogo da final-
Ainda nas eliminatórias o coração do coração do técnico escocês John Stein (n. 05.10.1922 e f. 10.09.1985) não resistiu as emoções do jogo decisivo com o País de Gales. Faleceu ainda no banco, depois da partida.
-Mexicanos rejubilam com a vitória da argentina-
Pela primeira vez uma selecção africana (Marrocos) passou à 2ª fase, já que ganhou o seu grupo. Tinha como parceiros Inglaterra, Polónia e Portugal.
-Golo válido-
Quatro anos depois do brasileiro Arnaldo César Coelho arbitrar a final do mundial de Espanha, Romualdo Arpi Filho representou novamente o Brasil, no México, dirigindo o jogo mais apetecido no mundo.
-Diego Maradona o melhor do torneio, recebe o troféu destinado ao vencedor-
Em todos os campeonatos do Mundo há heróis e vilões. Mas até agora só Maradona conseguiu passar de uma categoria para outra em tão pouco tempo. A partida entre Inglaterra e Argentina nos quartos-de-final, é uma das mais lembradas da história do futebol. No jogo, Maradona não só fez seu famoso golo com a "mão de Deus" como, pouco depois, marcou de novo - com extrema habilidade e categoria.
-Argentina campeã, por duas vezes-
Quatro minutos depois do primeiro golo, ele dominou a bola no meio de campo, passou por seis jogadores, até chutá-la para dentro da rede vazia. Foi considerado um dos mais bonitos da história dos mundiais.
-Russia 2, Canadá 0-
A Dinamarca, que impressionou com um futebol rápido e ofensivo na primeira fase, tinha como destaque Preben Elkjaer-Larsen (11/09/1957). Fumante inveterado, Larsen consumia 30 cigarros por dia.
-Iraque 0, México 1-
O polaco Wladislaw Zmuda (06/06/1954) jogou sete minutos no Mundial só para igualar o recorde de jogos em fases finais, até então só pertencente ao alemão Uwe Seeler (05.11.1936), que disputou 21 partidas. Entrou em campo quando perdia de 4-0 com o Brasil, nos oitavos-de-final.
-Brasil 1, França 1 (4-3 g.p.)-
Pela segunda vez, a selecção brasileira terminou a competição sem sofrer derrotas e não conquistou o título. Em cinco jogos, venceu quatro e empatou um. Em 1978, o Brasil ficou invicto (quatro vitórias e três empates) e foi terceiro.
-Inglaterra 3, Paraguai, 0-
O alemão Karl-Heinz Rummenigge (25.09.1955) foi o único capitão a perder duas finais mundiais, em 1982 para a Itália e neste torneio para a Argentina.
-Bélgica 4, Russia 3-
Neste mundial passaram a ser autorizadas três substituições por equipa, substituindo, assim, a regra anterior, assumida em 1970, também no México, que permitia o máximo de 2 jogadores por selecção.
-México 2, Bulgária 0-
A SELECÇÃO PORTUGUESA
No México Portugal ficou no grupo da Inglaterra, Polónia e Marrocos, sendo à partida um grupo acessível. Estreou-se bem, vencendo a Inglaterra por 1-0. Mas algo estava mal no seio da delegação portuguesa. Os jogadores e a Federação não chegavam a acordo sobre prémios de jogo. Havia problemas de indisciplina e entre o primeiro e o segundo jogo, os jogadores fizeram greve aos treinos. Além disso, o guarda-redes português, Bento, partiu uma perna na véspera do segundo jogo, tendo sido substituído por Vítor Damas. Perdeu-se com a Polónia (0-1) e Marrocos (1-3). Portugal ficou no último lugar e foi eliminado. A greve de Saltillo deixou marcas profundas, a quase totalidade dos jogadores que foram ao campeonato do Mundo, recusaram voltar a jogar pela selecção durante dois anos.
-Itália 3, Coreia 2-
Vencedor deste torneio: Argentina que bateu a Alemanha na final por 3-2
Jogos realizados: 52
Golos marcados: 132
Melhor marcador: O inglês Gary Lineker (30.11.1960), 6 golos.
Melhor Jogador: Diego Maradona
Prémio Fair-play: Selecção do Brasil.
Advertências: 133 (ver desdobramento nas selecções que participaram)
Expulsões: 8 (Miguel Bossio e José Alberto Batista, ambos do Uruguai; Mike Sweeny, Canadá; Ray Wilkins, Inglaterra; Frank Arnesen, Dinamarca; Javier Aguirre, México; Hanna Basil, Iraque; e Thomas Berthold, Alemanha).
Assistência: 2.393.281 espectadores.
Árbitro que mais vezes exibiu o cartão vermelho: Palácio, 3
Quem mais advertiu (cartão amarelo): Palácio, 14
Jogo com mais advertências: Alemanha-México, 8
Jogo com mais expulsões: Alemanha-México, 2
-Selecção do Brasil, vencedora do prémio Fair-play-
ARBITRAGEM
Participaram neste mundial 38 Árbitros das seguintes nacionalidades:
Alemanha (2), Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Bulgária, Checoslováquia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Espanha, França, Guatemala, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irlanda do Norte, Itália, Japão, Jugoslávia, Mali, Maurícias, México (3), Paraguai, Portugal, Roménia, Russia, Síria, Suécia, Suiça, Tunísia, Uruguai e USA.-Carlos Valente, Árbitro FIFA, português-
ALAN SNODDY, 29.03.1955, IRLANDA NORTE, AR=1 e FL=4.
ALEXIS PONNET, 09.03.1939, BÉLGICA , AR=1 e FL=2.
ALI BENNACEUR, 02.03.1944, TUNISIA, AR=2 e FL=3.
ANDRÉ DAINA, 08.07.1940, SUIÇA, AR=1 e FL=2.
ANTÓNIO MARQUEZ RAMIREZ, 22.05.1936, MÉXICO, AR=2 e FL=2.
BERNY ULLOA MORERA, 05.08.1950, COSTA RICA, AR=1 e FL=5.
BOGDAN DOTCHEV, 26.06.1936, BULGÁRIA, AR=1 e FL=4.
CARLOS ESPOSITO, 04.11.1941, ARGENTINA, AR=2 e FL=2.
CARLOS VALENTE, 25.07.1948, PORTUGAL, AR=1 e FL=4.
CHRISTOPHER FRANCIS BAMBRIDGE, 10.10.1947, AUSTRÁLIA, AR=1 e FL=4.
DAVID SOCHA, 27.09.1938, USA, AR=1 e FL=3.
EDGARDO MENDEZ CODESAL, 02.06.1951, MÉXICO, AR=0 e FL=1.
EDWING PICON-ACKONG, 04.11.1940, MAURÍCIA, AR=1 e FL=2.
ERIK FREDRIKSSON, 13.02.1943, SUÉCIA, AR=2 e FL=3.
FALLAJ KHUZAM AL SHANAR, 10.10.1947, ÁRABIA SAUDITA, AR=1 e FL=3.
GABRIEL ROA GONZALES, 18.03.1942, PARAGUAI, AR=1 e FL=2.
GEORGE COUTNEY, 04.06.1941, INGLATERRA, AR=2 e FL=3.
HERNAN SILVA ARCE, 05.11.1948, CHILE, AR=1 e FL=3.
HORST BRUMMEIER, 31.12.1945, ÁUSTRIA, AR=1 e FL=4.
IDRISSA TRAORE, MALI, AR=1 e FL=2.
IOAN IGNA, 04.06.1940, ROMÉNIA, AR=2 e FL=3.
JAMAL AL SHARIF, 08.12.1954, SIRIA, AR=2 e FL=2.
JAN KEIZER, 06.10.1940, HOLANDA, AR=2 e FL=2.
JESUS DIAZ PALACIO, 16.10.1954, COLÔMBIA, AR=2 e FL=3.
JOAQUIN URREEA REYES, MÉXICO, AR=0 e FL=1.
JOEL QUINIOU, 11.07.1950, FRANÇA, AR=1 e FL=2.
JOSÉ LUIS MARTINEZ BAZAN, 11.02.1942, URUGUAI, AR=1 e FL=3.
LAJOS NEMETH, 14.08.1944, HUNGRIA, AR=1 e FL=5.
LUIGI AGNOLIN, 21.03.1943, ITÁLIA, AR=3 e FL=2.
ROMUALDO ARPPI FILHO, 07.01.1939, BRASIL, AR=3 e FL=2.
ROMULO MENDEZ MOLINA, 21.12.1938, GUATEMALA, AR=1 e FL=4.
SHIZUO TAKADA, 05.08.1947, JAPÃO, AR=1 e FL=2.
SIEGFRIED KIRSCHEN, 13.10.1943, ALEMANHA, AR=2 e FL=3.
VALERI BUTENKO, 16.07.1941, RUSSIA, AR=1 e FL=2.
VICTORIANO SANCHEZ ARMÍNIO, 26.06.1942, ESPANHA, AR=1 e FL=3.
VOJTECH CHRISTOV, 16.03.1945, CHECOSLOVÁQUIA, AR=1 e FL=3.
VOLKER ROTH, 01.02.1942, ALEMANHA, AR=2 e FL=1.
ZORAN PETROVIC, 10.04.1952, JUGOSLÁVIA, AR=2 e FL=3.
Repetentes: Dotchev, Socha, Fredriksson, Molina, Armínio e Christov, todos de 1982.
Árbitro mais novo: Snoddy 31 anos e 74 dias
Idoso Ramirez, 50 anos e 34 dias
O nosso compatriota, Carlos Alberto da Silva Valente, participou nos seguintes jogos:
COMO ÁRBITRO
08.06-Grupo C, Hungria-França (0-3), em Leon, com 31.420 espectadores.
COMO AUXILIAR
03.06-Grupo B, Bélgica-México (1-2), na Cidade do México, com 110.000 espectadores.
04.06-Grupo D, Uruguai-Alemanha (1-1), em Queretaro, com 30.500 espectadores.
16.06-Oitavos de final, Argentina-Uruguai (1-0), em Puelba, com 26.000 espectadores.
25.06-Meia final, Argentina-Bélgica (2-0), na Cidade do México, com 114.500 espectadores.
Vídeo da final:
http://www.youtube.com/watch?v=GazBbe2yepw&feature=related

Manuel Mourato Quaresma, teve uma ascensão na Federação Portuguesa de Futebol, para onde entrou em 28 de Fevereiro de 1977, digna daqueles que dão tudo por um ideal e que conseguem atingir os mais altos patamares profissionais demonstrando no dia-a-dia as suas reais capacidades, sem esquecer a lealdade e dedicação, valores que garantem o êxito de qualquer iniciativa que sejam levadas a efeito pelas entidades que têm ao seu serviço tais colaboradores.
Iniciou-se no Departamento Financeiro, mas a sua tendência era uma actuação mais activa e participativa razão da sua mudança para o Futebol Jovem, sendo, mais, tarde nomeado chefe de serviços do Departamento Técnico. Desde 1 de Fevereiro de 2003 foi empossado como Secretário-geral da FPF, função que já exercia há alguns meses.
A Federação Portuguesa de Futebol está orgulhosa em ter escolhido Manuel Quaresma para director de dois torneios que foram referência e dignos dos maiores encómios por parte da UEFA (e não só): a fase final do Europeu Sub-17, realizado em Viseu, onde a equipa portuguesa se sagrou campeã; e o famoso e prestigiado Euro-2004, que nem palavras tenho para descrever o imenso serviço que ele prestou, em termos organizativos e bem no terreno, ao futebol português, europeu e mundial!
Estive nestes dois grandes eventos e vi e admirei o modo de trabalhar Manuel Quaresma que nada deixava ao acaso. Organizado, rigoroso e metódico, virtudes que faziam parte do seu espírito, da sua maneira de estar e de ser.
No sentido de recordar a sua memória a FPF atribuiu o seu nome ao auditório que tem na sua sede, local onde se realizam imensas actividades e cerimónias, todas elas condizentes com a dignidade que merece.
Também, anualmente, é disputado o torneio do escalão Sub-16, onde estão envolvidas as 22 selecções distritais, e tem o seu nome como patrono. São os seus familiares mais próximos, Mauro, seu filho ou a senhora sua mãe, Dª Dulce que fazem a entrega do troféu à equipa vencedora.
Em 23 de Janeiro de 2007 Aldeia Nova de São Bento também lhe prestou desportivamente o seu tributo com a realização de um jogo amigável entre as selecções Sub-16 de Portugal e da Rússia.
Quanto ao seu currículo, destaco a sua eficiente colaboração na estrutura organizativa da selecção nacional que participou nos Jogos Olímpicos de 1996-Atlanta (EUA); Em 2003 faz parte do Quadro de Delegados aos jogos da UEFA; No ano de 2004 é indicado para a Comissão de Equipas Nacionais, painel da UEFA.
Manuel Quaresma foi merecedor das seguintes distinções:
Quanto ao relacionamento que tive com Manuel Quaresma, enquanto desempenhei as funções de Secretário-geral da APAF, foram, simplesmente, as melhores: sempre disponível para me atender, telefónica ou pessoalmente, célere na resposta às questões que lhe apresentava, enfim, um responsável à altura da Federação que servia com zelo, probidade e responsabilidade.
Muito antes da realização do Euro-2004 e sentindo cada vez mais a necessidade dos homens do futebol se conhecerem bem melhor e, assim, caminharem lado-a-lado na busca das melhores soluções para o seu desenvolvimento, erradicando a burocracia tomei a iniciativa de o contactar no sentido de se promover uma reunião entre os Secretários-gerais de todos os sócios ordinários da FPF, extensivos aos Secretários da Arbitragem da FPF e da Liga, tendo como base o entendimento, a articulação de serviços, e tudo o que pudesse vir a constituir uma mais-valia para o desporto-rei, sem esquecer a arbitragem.
Disse logo que sim, mas só se avançaria depois da realização do Euro-2004, pois estava muito assoberbado de trabalho com a maior organização jamais realizada em Portugal, cujo êxito repercutiu em todo o mundo!
Comecei a contactar alguns dos Secretários-gerais, tendo todos eles manifestado a sua total concordância neste projecto – que anteriormente já tinha sido uma realidade.

