segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O SINDAF/PI ACABOU EM GRANDE A TEMPORADA 2009

No dia 19 de Dezembro a Direcção do Sindicato dos Árbitros de Futebol Profissional do Piauí realizou a sua habitual festa de confraternização de final de ano, tendo comparecido muitos filiados que foram obsequiados com lembranças alusivas à quadra natalícia!
Estão, pois, todos os colegas daquele Estado brasileiro de parabéns não só pela excelente época que tiveram como, uma vez mais, este esplêndido evento que reúne toda a família da arbitragem do Piauí!
Recordo que em Março passado estive na Capital deste Estado (Teresina) no XXVIII Congresso da Arbitragem brasileira, promovido pela ANAF, em parceria com o SINDAF/PI onde fui excelentemente recebido por todos os amigos que fizeram o favor de me dispensar as maiores deferências, que muito me honraram e sensibilizaram.
Infelizmente, pouco depois, o Nordeste brasileiro foi fustigado com uma enorme tragédia natural (as impiedosas chuvadas) que ocasionou perda de vidas humanas e imensos desalojados. Na altura enviei mensagens de solidariedade a todos os meus companheiros de percurso e ao Governador do Estado de Piauí, o amigo Wellington Dias (comigo na foto seguinte). Votos de Bom Ano novo para todos, quer a nível pessoal quer desportivo.

domingo, 27 de dezembro de 2009

NAQUELE TEMPO – DEZEMBRO 1959 (XXVIII)


No exemplar 30 de O Árbitro, o Órgão Oficial da Comissão Central dos Árbitros de Futebol, destaca-se os seguintes títulos: O desenho que ocupava a capa do boletim e dedicado à época natalícia, foi idealizado e concebido pelo colega Orlando Pereira de Sousa.
-Vítor Santos-

Décio de Freitas, o director do boletim, assinou o Terceiro Natal, o qual, pela oportunidade, se transcreve na íntegra:

-Orlando de Sousa-


É na realidade o terceiro Natal de O Árbitro. A inquietação espiritual do mundo de hoje, manifestada em todos os sectores do pensamento humano, ultrapassou as barreiras sociais em todos os campos, e verificamos receosos que o sector desportivo não ficou indemne a tão perigoso contágio.
É nosso desejo que os responsáveis pelo todo ou por qualquer núcleo da orientação desportiva em Portugal, meditem, nesta hora tão calma do seu ambiente familiar, nas repercussões que têm no espírito dos seus dirigidos, as atitudes impensadas ou menos consentâneas com a boa ética.
Que a mensagem de justiça social e compreensão que Cristo veio trazer à Terra, seja recebida por todos de forma que no nosso próximo Natal possamos dizer muito alto:
Bem-hajam!

ARTIGOS ASSINADOS:

“Maneiras de conduzir o jogo”, por Carlos Lourenço. “Ares de Espanha”, de Vicente Caballero. “A Grande Missão do Árbitro”, pelo jornalista Vítor Santos. “Dão-me licença…”, por João Gomes (Braga). “Por uma arbitragem melhor-Ser Árbitro”, por Pedro Moreira. -José Travassos-

OUTROS TEMAS: “Arbitragens em Moçambique”, “Aconteceu há vinte e cinco anos…”, “Livres de canto…”. A GALERIA DO PASSADO evoca o Árbitro internacional lisboeta José Travassos (nota: o 8º da lista dos FIFA portugueses), descrevendo a sua admirável carreira desportiva. O ÁRBITRO ESTRANGEIRO DE MÊS A MÊS – Nesta rubrica é distinguido o escocês Jonh Alexander Mowat. NOTÍCIAS – Um mimo, o que transcreve a seguir. Uma equipa de arbitragem que se deslocou a uma cidade do Norte tomou a sua refeição num restaurante, mas logo se aperceberam que os criados eram todos delico-doces para com eles. Quando estavam de saída um dos servidores abeirou-se do árbitro e disse-lhe: “O que queremos é que o senhor faça uma arbitragem imparcial a favor do meu clube, como fez da última vez em que cá esteve…”. Francisco José Romão Alves, um algarvio em Cabo Verde, foi chamado a dirigir o encontro internacional desta então província ultramarina portuguesa com a selecção da Gambia. A Federação Portuguesa de Futebol avisa que os recursos interpostos perante a Direcção-geral da Educação Física, Desportos e Saúde Escolar têm de ser feitos de harmonia com a lei fiscal, isto é, o famigerado papel selado era o único meio a utilizar! José Mateus Canhão, actuou como Árbitro auxiliar nos jogos que opuseram a Guiné-Bissau e Senegal. Hermínio Soares, o nosso internacional, foi requisitado para dirigir os encontros entre a selecção de Marrocos e as suas congéneres da Tunísia e da Jugoslávia. Continua por solucionar a questão do seguro do Árbitro que ainda não avançou, não deixando de haver muito empenho mas resultados nulos. Os curiosos que relatam os jogos das colectividades da sua terra continuam a padecer de “clubite aguda” pois não se cansam de culpar os Árbitros das derrotas que vão sentindo… As Comissões Distritais de Árbitros de Coimbra, Faro e Santarém dão provas de profícua actividade com acções de relevo para os seus filiados.

TRIBUNA DO ÁRBITRO – Foi colocada a questão de se saber quando existe troca de jogador de campo e o guarda-redes e as substituições permitidas. (A resposta dada ainda se mantém actual).

sábado, 26 de dezembro de 2009

I CONGRESSO DA ARBITRAGEM PORTUGUESA (1988) – 2ª PARTE

Dando continuidade à divulgação daquele que foi o começo das iniciativas que marcaram a maturidade da classe, lembro, com saudade, a presença neste evento do decano da arbitragem lisboeta, Mário Ribeiro, como simples sócio da Associação de classe, mas integrante da Comissão de Honra do Congresso.
1988-Sede da APA. Comemoração do IX aniversário da sua fundação
Da direita: Engº Henriques Oliveira, António Santos, Jaime Baptista, Dr. Rui Bandeira e Alberto Guitian

Mário Ribeiro, com os seus 76 anos de idade, que fez questão de acompanhar os trabalhos desde o primeiro momento até ao seu final, foi um exemplo vivo e destacado do que deve ser a persistência em prol dum ideal colectivo que desejamos venha a ser respeitado e compreendido, face ao trabalho sério e dedicado desenvolvido, e que venha a merecer os êxitos a que tem direito, reconhecimento que tem estado muito distante.
-Mestre Mário Ribeiro comigo na sede da APAF-

Este nosso saudoso associado nasceu em 30 de Junho de 1912 e faleceu em 31 de Março de 2002. Para além de ter sido Árbitro dos Quadros nacionais, foi Presidente da Comissão de Gestão de Arbitragem da Associação de Lisboa de 2 de Março de 1979 a 26 de Outubro de 1980 mas continuou como Vogal do Conselho de Arbitragem até 2 de Abril de 1984. A APAF, em 2004, homenageou-o, a título póstumo, escolhendo a sua figura para patrono do II Torneio Inter-Núcleos de Futsal, quando comemorou o seu XXV ano da sua existência.

Voltando ao Congresso, depois das propostas serem analisadas, discutidas ao pormenor e colocadas à consideração dos presentes, foram aprovadas as seguintes

CONCLUSÕES

Os Árbitros de Futebol reunidos em Lisboa, nos dias 10 e 11 de Junho de 1988, no contexto do I Congresso dos Árbitros portugueses, após leitura e debate dos trabalhos apresentados, concluíram ser necessário o seguinte:

1 - Dotar os Conselhos de Arbitragem de mais e melhores meios para uma melhor Formação dos Candidatos e dos Árbitros.
2 - Que as informações recolhidas pelos Delegados Técnicos (delegacias) tenham um carácter pedagógico, informativo e formativo para os Árbitros, tendo em vista o seu aperfeiçoamento, e não só o objectivo classificativo; ou a criação de grupos de apoio com o intuito de observar e acompanhar o trabalho de campo dos Árbitros, tendo em vista a correcção dos erros detectados.
3 - a) Alargar o campo de recrutamento dos Candidatos a Árbitro, utilizando os meios publicitários disponíveis (Imprensa, Rádio e Televisão):
b) Promovê-lo junto dos clubes, escolas, forças militares e militarizadas, bem como de organismos estatais.
4 - Submeter os Candidatos a Árbitro a testes psicotécnicos, para se avaliar das suas capacidades para a função.
5 - a) Oferecer contrapartidas aos Formandos para que, no início da sua actividade, possam adquirir o equipamento necessário (vestuário e apetrechos de jogo) em condições mais vantajosas, sabendo-se, de antemão, o quanto a todos pesa o elevado montante que é necessário despender para o efeito.
b) Foi alvitrada a sugestão dos Conselhos de Arbitragem tentarem celebrar contratos com fornecedores de equipamentos.
6 - Que os Árbitros Estagiários façam dois testes escritos, uma prova oral e uma prova física, cujos resultados seriam considerados na classificação final para efeitos de ascensão à segunda categoria, terminando com as subidas administrativas.
7 - Proceder a alteração na composição da Assembleia-geral da Federação Portuguesa de Futebol (artigos 18º e 19º) e, por consequência, o artigo 20º (número de votos), conducentes à abertura deste órgão representativo a todos os agentes do Futebol:
APA-Associação Portuguesa de Árbitros,
ANTF-Associação Nacional dos Treinadores de Futebol,
SNJPF-Sindicato Nacional dos Jogadores Profissionais de Futebol
ANC-Associação Nacional de Clubes
CCFP-Confederação dos Clubes com Futebol Profissional
8 - Proceder a idênticas alterações nas Assembleias-gerais das Associações.
9 - Sensibilizar os Conselhos Técnicos e as Associações para a necessidade dos Árbitros integrarem as Comissões de Vistoria dos recintos desportivos.
10 - Que todos os Árbitros, a começar pelos mais credenciados, contribuam com a sua dinâmica e apoio para uma maior divulgação, expansão e consolidação da Associação Portuguesa de Árbitros, única maneira de se poder proceder a uma efectiva descentralização, tão necessária quanto possível.
11 - Que os responsáveis distritais da APA devam exigir da Direcção toda a gama de colaboração a todos os níveis, fortalecendo a Associação a nível local, oferecendo de igual modo as contrapartidas que contribuam para a concretização das metas desejadas.
12 - a) Ser urgente reformular os Estatutos que regem a Associação Portuguesa de Árbitros, pelo facto de, a caminho de 10 anos de vigência, se encontrarem inadequados às realidades.
b) Assim, tais alterações deverão ter em conta a criação de membros suplentes para os seus órgãos sociais.
c) Promover a criação de um Conselho Deontológico, composto por todos os Presidentes da Mesa da Assembleia-geral, Conselho Fiscal e Direcção actuais e antigos.
d) Promover a criação de sócios contributivos, honorários e de mérito.
13 - Fortalecer os Núcleos de Árbitros devido ao papel primordial e insubstituível que desempenham na formação, consolidação e transmissão de conhecimentos, tarefas que “à priori”, deveriam pertencer e ser comparticipadas pelos Conselhos de Arbitragem.
Nota: Neste ponto foram ressalvados os Conselhos que têm dado todo o apoio aos Núcleos.
14 - Promover debates entre todos os parceiros do Futebol para a procura de soluções conducentes à superação de diversos problemas de que é vítima.
15 - Sensibilizar a Comunicação Social para papel preponderante que pode desempenhar na denúncia da violência associada ao Desporto, independentemente da categoria ou modalidade onde ela ocorra.
16 - Promover alterações na orgânica estrutural do Futebol, para que a arbitragem seja dirigida, gerida e orientada em EXCLUSIVO por representantes ELEITOS pelos Árbitros, substituindo-se o actual sistema.

Os congressistas decidiram remeter estas conclusões para:

-Suas Excelências: o Presidente da República, o Primeiro-ministro e o Ministro da Educação.
-Direcção-geral dos Desportos.
-Federação Portuguesa de Futebol (Assembleia-geral, Direcção e Conselho de Arbitragem).
-As 22 Associações Distritais de Futebol (Assembleia-geral, Direcção e Conselho de Arbitragem). -Sindicato Nacional dos Jogadores Profissionais de Futebol.
-Associação Nacional dos Treinadores de Futebol.
-Associação Nacional de Clubes.
-Confederação dos Clubes com Futebol Profissional.
-INATEL (Direcção e Comissão Central de Árbitros)
-Associação Portuguesa de Árbitros (Assembleia-geral, Direcção e Conselho Fiscal).

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NATAL 2009 – AINDA BEM QUE ATÉ AQUI CHEGÁMOS…

Mais uma quadra natalícia que alcançámos e que nos deixa mais ou menos contentes por termos recebido ou trocado cumprimentos festivos com sentido, fraternidade e reflexão.

Bom seria que todos os dias fossem assim, mas forças potentes e contrárias à nossa génese não deixam que tal aconteça.

Direi até, parafraseando um pensador do nosso tempo e da nossa praça, que só haverá a verdadeira felicidade nos nossos corações quando mundialmente falirem as fábricas de material bélico. Até lá, o mal-estar domina impiedosamente os humanos…

Sugiro que acedam às crónicas que aqui escrevi nos dois últimos anos em:

http://albertohelder.blogspot.com/2007/12/natal-pois-ento.html e
http://albertohelder.blogspot.com/2008/12/natal-2008.html

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

BRASIL – RIO DE JANEIRO-2009 – 1ª PARTE

Inicio hoje a divulgação do que foi a minha sexta presença no imenso e amado país irmão, desta vez graças ao meu bom amigo Sérgio Corrêa da Silva que muito se esmerou para que eu participasse no Fórum Footecon, facto que veio a acontecer conjuntamente com outros grandes acontecimentos que muito me honraram. Fiz a viagem Lisboa-Rio no dia 5 de Dezembro, mas não foi nada tranquila, já que sensivelmente sobre o arquipélago de Cabo Verde, a aeronave esteve mais de duas horas fustigada pela fortíssima turbulência que se fazia sentir, situação que se reflectiu em vários passageiros, causando-lhes intensa indisposição, com gritos à mistura, devido ao pânico que sofriam… No Aeroporto estava a aguardar-me Sérgio Corrêa da Silva, que, depois do avião ter estacionado, ainda teve que cumprir larguíssimo e aborrecido tempo de espera, pois a minha mala de porão estava difícil de ser libertada. Coisas de Alfândega… Nestas imagens poderá ver-se a panorâmica do Hotel Transamérica (onde fiquei as duas primeiras noites), findo período fui transferido para um outro em Copacabana. No dia seguinte, domingo, Sérgio Corrêa da Silva e esposa acompanharam-me à Praia da Barra, onde se encontrou e dialogou com dois antigos Árbitros, Marcelo Venito Pacheco e Marcelo Sousa Pinto. Ao contrário da ondulação, que estava à maneira, o tempo e a temperatura da água não convidavam ao banho. Aliás, este passeio teve que ser breve pois havia que cumprir o horário de partida para o mítico Maracanã onde assisti ao decisivo Flamengo-Grémio, cuja vitória do Mengão encheria de jubilo os seus mais de 30 milhões de adeptos em todo o mundo! Falarei disso na próxima vez…
Até lá!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

I CONGRESSO DA ARBITRAGEM PORTUGUESA (1988) – 1ª PARTE

Depois da realização recente do I Congresso Internacional da Arbitragem, levado a cabo pela APAF, convém recuperar aquele que foi o Congresso inicial do sector, também produzido pela Associação de classe, evento inédito e arrojado na altura, já que a sua projecção tinha sido idealizada e dada a conhecer um ano antes, mas a Federação Portuguesa de Futebol, numa jogada de antecipação (?), realizou um encontro na mesma data, em Tróia, com atribuição de benesses aos seus congressistas, tais como estadia para si e familiares totalmente grátis. Coisas… -António Ribeiro, o então Presidente da Direcção-

Vamos ao que nos interessa:

Iniciativa da responsabilidade da APA-Associação Portuguesa de Árbitros*

Comissão organizadora: Todos os elementos que compunham a Direcção.

Dias 10 e 11 de Junho de 1988

Auditório do Grupo Cultural e Desportivo dos Empregados do Banco Pinto & Sotto Mayor, sito na rua Duque de Palmela, 6, 1200 LISBOA

ELENCO DIRECTIVO:

MESA ASSEMBLEIA-GERAL
Presidente, Jaime Alves Batista
Vice-Presidente, Lucílio Augusto Maria d'Oliveira
Primeiro-Secretário: Alberto Manuel Guitian Lourenço Pinheiro
Segundo-Secretário: Antonino Rodrigues da Silva

DIRECÇÃO
Presidente: António Martins Ribeiro
Vice-Presidente: Vitorino Lourenço Serafim Gonçalves
Secretário: Helder Filipe Correia Marques de Sá
Tesoureiro: João Carlos Moreira Miguel
Vogais: José Manuel Rosa de Oliveira Henriques de Oliveira, José Carlos Guerreiro Castanheira de Oliveira e Jorge Manuel Fernandes Duarte das Neves

CONSELHO FISCAL
Presidente: Vítor Manuel Fernandes Correia
Secretário: José Alberto Mendes Neves
Relator: Vítor Manuel Macedo Batista

SECRETÁRIO-GERAL
Alberto Helder Henrique dos Santos

TEMAS

1. FORMAÇÃO
2. O QUE É SER ÁRBITRO
3. ASSOCIATIVISMO
4. A SOCIEDADE E A ARBITRAGEM DESPORTIVA
5. FEDERAÇÕES/ASSOCIAÇÕES – AS NECESSÁRIAS ALTERAÇÕES
6. O SISTEMA JURÍDICO-PENAL PORTUGUÊS

NOTA DE ABERTURA

Intervenção de José Manuel Henriques de Oliveira

Somos alguma coisa daquilo que dizemos, somos aquilo que fazemos! Eis-nos, pois, juntos para elaborarmos propostas comuns no sentido que se pretende que a arbitragem siga: Eis-nos, pois, questionando a nossa própria actividade, introspectando um sacerdócio que de tão belo, se assume como a pobre rapariguinha dos fósforos. A esta hora, neste momento, as famílias reúnem-se para festejarem o Futebol, à volta de fausta mesa, onde não se contiveram despesas, onde é possível falar-se de coisas que não têm os seus representantes e principais interessados presentes; A rapariguinha, essa, só tem fósforos. Um coração muito grande, prenhe de boas intenções, feliz por não estar só, ter consigo os poucos ou, quiçá os bons que com ela privam sem máscara. Muitos outros reconhecem a razão e o puro sentimento da rapariguinha, mas teme o degredo, temem o anonimato, temem ver gorado o seu objectivo, legítimo convenha-se, de ir mais além. Todos nós vemos a cor que sabemos que as coisas têm.

Desta feita, a nossa rapariguinha dos fósforos não morreu. A história assume outra direcção inteiramente nova. Hoje os fósforos são muitos e acendem no interior de cada um de nós uma chama enorme, a nossa paixão, assumida sem servilismos, igualmente sem antagonismos, mas, sempre, uma chama viva!
Vejo, sim vejo, muitos fósforos.

A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ÁRBITROS ao avançar com o I Congresso dos Árbitros Portugueses fê-lo apenas com o objectivo de proporcionar a necessária introspecção, a análise de per si, um espírito de autocrítica. Apenas assim é possível sugerir caminhos, propor projectos, definir e estimular ideias. Não se pretende, e que isso fique bem claro, concorrer com a Federação Portuguesa de Futebol e o seu Congresso do Futebol, onde, por acaso, até se perspectiva falar-se em aspectos importantes como a violência no desporto (que seraficamente a mesma FPF continua a ignorar, explorando agora o esforço gratuito da APA), de arbitragem (que de forma patronal e plenipotenciária a mesma FPF continua a maltratar e senão veja-se o atraso no pagamento aos Árbitros quando os congressistas vêem as suas despesas pagas às suas famílias. Nós não temos esses meios. Nós não temos outros proveitos que aqueles que os nossos sócios nos conferem, mas ainda o despeito disso provamos as nossas intenções: SERVIR, PROPORCIONANDO. Não há concorrências; e a haver ela é unilateral! Não há maus olhos (podendo haver é maus olhados); Nós esperamos sinceramente que quaisquer dos Congressos se revistam de evolução, mas de evolução real e não apenas de balofas intenções.

A medida é coisa óptima, dia CLEOBELO e nós temos a consciência da nossa real dimensão e seria bom que mais alguém disso se fosse consciencializando. Também não desejamos o impossível mas tentamos no nosso trabalho efectuar o necessário esforço para subtrair o pensamento da influência do sentimento e à arbitrariedade da vontade... e da má vontade. Daí que não nos contentemos com a verdade, qual saga, porque essa torna-se falsa quando com ela nos contentamos.

Desde há anos que ao tomar posse da arbitragem o poder instituído e estatuído ignora os reais valores que movem os Árbitros. Desde então que estes colocam a si próprios as três questões de KANT para fundamentarem a sua razão:

- O que podemos saber?
- O que devemos saber?
- O que podemos esperar?

Ainda sem respostas consonantes com o seu altruísmo, gratuito e abnegado empenhamento numa causa malquista porque determinante à face das regras do jogo. E apesar de termos cumprido mais de 10 anos sobre o triunfo dos porcos (bebendo na inolvidável obra de GEORGE ORWELL) nada mais se conseguiu. Mas os porcos revezem-se e digladiam-se pela posse do que já não falta possuir depois de tão desgraçadamente prostituída.

Este primeiro Congresso dos Árbitros Portugueses pretende, repita-se, equacionar problemas, colocar questões, virar a temática sobre si própria, indicar caminhos que se pretendem trilhar. Lamenta-se que os Árbitros tenham sido a bola do jogo de interesses e da medição de forças. Lamenta-se que se recorra à política de alecrim e manjerona para rotular uma direcção que só pretende contribuir para, jamais, concorrer com... quem quer que seja. Num momento de paz limpam-se armas! Falamos do outro lado da barricada. É verdade, a insofismável verdade de SÓFOCLES! Continuamos a querer ir mais longe, continuamos a querer vender mais jornais, continuamos a querer mais notoriedade, continuamos a querer, querer, querer. E nós? Apenas contribuir, servir a arbitragem!

Que o espírito deste Congresso assente nas mesmas bases que lhe deram origem e se não esteja a trabalhar para o boneco, a lavar roupa suja, em águas turvas, de um mar agitado. Que se dê, isso sim, vida ao boneco, que se seque bem a roupa com o sol do querer fortemente, que as águas sejam cristalinas, que o mar esteja calmo e tranquilo. Tudo para que possamos dizer que contribuímos para uma arbitragem nos anos vindouros mais humanizada, mais enquadrada socialmente, ética e popularmente, enfim uma arbitragem mais feliz. Será este possivelmente o meu melhor momento durante o período em que fui e tenho sido director da Associação Portuguesa de Árbitros. Tem sido gratificante privar com quem tenho privado, partilhar o que tenho partilhado, sentir viva a nossa rapariguinha dos fósforos.

Há pouco mais de uma não lançaria um repto no encerramento das comemorações do nosso oitavo aniversário. Queria, desejava que florescesse a semente. Hoje lanço outro:


QUE DEIXEMOS BROTAR OS FRUTOS PARA QUE O FUTURO OS COLHA.

Henriques de Oliveira.

* Assim se designava a organização da classe uma vez que englobava os Árbitros de todas as modalidades desportivas. Contudo, face ao crescente e substancial número de filiados inscritos originariamente do futebol e pela sentida necessidade de fazer parte da Assembleia-geral da Federação Portuguesa de Futebol, foi deliberado em Assembleia-geral, realizada nos dias 18 de Maio, 5 e 19 de Junho e 3 de Julho de 1989, a alteração dos Estatutos para que, a partir de 12 de Novembro de 1992, a admissão de novos sócios seriam somente desta variante. Assim, em 21 de Janeiro de 1993, se conseguiu a tão almejada entrada na estrutura da Federação Portuguesa de Futebol como sócio de pleno direito, conjuntamente com os seus novos parceiros: Associação Nacional dos Treinadores de Futebol, Liga Portuguesa de Futebol Profissional e Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NÚCLEO DE ÁRBITROS DE FUTEBOL DO RIBATEJO NORTE (TOMAR) – JANTAR DE NATAL

É gratificante verificar uma enorme manifestação familiar quando se juntam cerca de 240 pessoas num verdadeiro e salutar convívio promovido por André Gralha e a sua equipa. Tamanha realização verificou-se no passado dia 4 de Dezembro em Atalaia (Santarém) e contou com a fina-flor da arbitragem ribatejana e não só! Estive presente mas não pude permanecer até ao final do repasto (o que lamentei) porque na manhã do dia seguinte seguia para o Brasil e tinha horários a cumprir.
Parabéns, pois à comissão organizadora por ter proporcionado uma noite agradável aos Árbitros (jubilados e em actividade), seus familiares e aos muitos amigos que compareceram a esta festa natalícia.