domingo, 7 de março de 2010

HORÁCIO ELIZONDO: FOSTE NOMEADO PARA DIRIGIRES A FINAL DO MUNDIAL!

Foi no dia 6 de Julho de 2006, pela 14H25, no Centro Operativo dos Árbitros que estavam no Mundial 2006-Alemanha, em Franqueforte/Neu-Isenburg, que o argelino Belaid Lacarne, membro da Comissão de Árbitros da FIFA, deu-lhe a fantástica boa-nova, que o distinguiu a si e aos seus assistentes!

O meu bom amigo Horácio Elizondo (nasceu 04.11.1963) leva as mãos à cara e expande-se, vertendo lágrimas de regozijo e abraça os seus fiéis companheiros Dario Garcia (n. 29.10.1961) e Rodolfo Otero (n. 14.12.1962), dizendo: Estou tão feliz e orgulhoso!
Todos os Árbitros presentes aplaudem o categorizado trio argentino, felicitando-o pela honrosa nomeação para o jogo que, daí a três dias, iria realizar-se entre as selecções de Itália e da França, na disputa do mais ambicionado título de campeão! Na altura, Elizondo, tinha 42 anos. Professor, ocupa os seus tempos livres a escrever poesia e contos (nada sobre o futebol), apaixonado jogador de golfe e de ténis. Ia considerar a hipótese de passar para livro a sua experiência neste torneio, o que não faltaria matéria dado que foi o primeiro Árbitro que dirigiu os jogos inicial e final num mundial. Mais: Juntamente com o Árbitro mexicano Benito Archundia participou em cinco partidas na Alemanha, o que constitui um recorde.

Fonte: FIFA Magazine, Agosto de 2006, página 13.

sábado, 6 de março de 2010

GUSTAVO DE SOUSA DISTINGUIDO PELA UEFA

O Comité de Arbitragem da UEFA-Union des Associations Européennes de Football acabou de felicitar um dos nossos primeiros Árbitros de Futsal que, em 1996, atingiu a internacionalização e, depois duma carreira exemplar a todos os níveis, retirou-se no final de 2007, por limite de idade, cumprindo, assim, 12 épocas com a insígnia de internacional, para regozijo da arbitragem portuguesa que a honrou sobremaneira e meu particularmente pelo facto de ter sido meu formando. Parabéns, Gustavo! Entretanto, foi naquele ano que a FIFA-Fédération Internationale de Football Association aceitou os primeiros internacionais portugueses que se juntaram aos 97 Árbitros que representaram 21 Federações. Hoje os Árbitros são 272 e de 101 países, o que prova o desenvolvimento que a variante teve desde então. As Árbitras têm quadro próprio, iniciado em 2007, e situação actual é a seguinte: 15 Árbitras de 9 países. Portugal está representado por Sandra Maria Novais Silva (n.18.03.1976), Porto.

Recorde-se os outros pioneiros que acompanharam Gustavo Manuel Rodrigues de Sousa (nasceu em 27.10.1962), de Coimbra, nos primeiros contactos com as provas europeias. Também já terminaram a actividade.
António Aníbal Grazina Moutoso (n. 18.06.1957), de Lisboa, António Lopes Ferreira (n. 10.10.1958), de Aveiro e Joaquim Cruz Castro (n. 21.01.1957), do Porto. Lamentavelmente, como já afirmei, quis o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, em 2010 e pela primeira vez que Portugal, depois de 12 anos com o máximo permitido (4), tivesse menos um elemento masculino com o escudo da FIFA, o que diz da importância que os entendidos dão à arbitragem de Futsal.
Tristeza…

sexta-feira, 5 de março de 2010

PROCESSO DAS CLASSIFICAÇÕES DOS ÁRBITROS DE FUTEBOL DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL (5)

No dia 3 de Março, como estava previsto, realizou-se a quinta sessão do julgamento onde foram ouvidas 10 das 14 testemunhas convocadas, quatro delas através de vídeo-conferência, a partir dos Tribunais de Guimarães, Bragança e São João da Madeira.

Os trabalhos iniciaram-se com 55 minutos de atraso relativamente à hora inicialmente marcada (14H00), com a mesma equipa de juízes (colectivo) que vem acompanhando o processo desde o primeiro dia, assim como o representante do Ministério Público.

Voltaram a comparecer os mesmos arguidos da sessão anterior e, mandatados pelos seus clientes, estiveram 17 Advogados.

Os depoentes, pela ordem que se indica a seguir, foram respondendo às questões que lhes foram colocadas e que se transcrevem:

ANTÓNIO ALBERTO CUNHA SOARES (Ex-Observador) – Questionado se sabia o que era a ficha de avaliação do relatório técnico e a sua relevância na classificação dos Árbitros, respondeu que sim, que sabia. Foi-lhe perguntado se tinha conhecimento de quem processava a classificação dos Árbitros e disse que, salvo erro, era a Comissão de Apoio Técnico. Elaborou sete relatórios de jogos por si observados e tinham penalizações que, na altura, desapareceram. Disso não teve conhecimento. À pergunta se alguma vez foi contactado directamente por elementos do Conselho de Arbitragem ou por interposta pessoa disse que Azevedo Duarte lhe telefonou após o jogo Pedrouços-Oliveira do Bairro, para a Taça de Portugal, adiantando-lhe que não desse nota alta ao Árbitro António Resende. Mas o telefonema não o afectou, pois deu a pontuação que no seu entender o Árbitro merecia. Nunca mais foi contactado.

DELFIM CARVALHO IZEDA (Observador) – Em resposta ao Procurador afirmou que só quando foi chamado à Polícia Judiciária de Bragança é que teve conhecimento da alteração da pontuação que inicialmente lhe tinha sido atribuída pelo Assessor Miranda de Sousa (entretanto falecido) o prejudicou na sua classificação, com 2 pontos, mas não desceu nessa época. Desconhecia que tinha assessoria nesse jogo, onde a equipa do Os Sandinenses foi visitante. Recebeu telefonema a saber como é que o homem tinha estado e foi-lhe pedido que desse uma nota alta, mas em consciência deu o que merecia e não acedeu ao pedido. Na partida o Árbitro, Pedro, teve alguns erros e o campo estava enlameado. Quanto ao nome de quem o contactou pensa que foi Azevedo Duarte a quem disse que o Árbitro esteve bem.

ANTÓNIO JOSÉ LUZ PAULINO (Ex-Observador) – Respondendo quantas vezes tinha sido contactado pelos elementos do Conselho de Arbitragem disse que foram 3/4 vezes, através de telefonemas de Azevedo Duarte, sempre depois dos jogos, quando ia a conduzir a sua viatura ou à noite, quando já tinha o relatório feito. Perguntava-lhe como tinha decorrido o jogo e como tinha estado o Árbitro. Não esperava o contacto pois nunca lhe tinha dado o seu número de telemóvel, e até pensava que era brincadeira. Sobre o jogo Atlético-Almansilense afirmou que não acedeu ao pedido e disse-lhe que não voltasse a telefonar o que veio a verificar-se. Quanto à proposta de alteração para que um seu relatório fosse penalizado disse que só teve conhecimento dela na Polícia Judiciária quando foi lá chamado para depor. Nunca soube como se processava a questão das alterações e desconhece quem as fazia. Ao responder se foi penalizado disse que tinha a noção de que não, pese embora soubesse posteriormente que estava nos primeiros lugares da classificação e veio parar ao 9º posto. Afiançou que, como Observador, tinha uma conduta idêntica à da sua exemplar vida profissional. Não dava notas muito altas, tinha uma bitola intermédia. A pontuação máxima que atribuiu foi de 44 pontos e, nos restantes casos, a pontuação dada era efectivamente aquilo que via e nada mais.

JOAQUIM PINHEIRO DA SILVA (Ex-Observador) – Quando perguntado se era contactado pelos elementos do Conselho de Arbitragem afirmou que sim, por questões logísticas e próprias dos seus superiores, casos dos conselheiros Azevedo Duarte e António Henriques. Pensa que era por certas arbitragens que não corriam de feição aos clubes e de se inteirarem dos problemas que os Árbitros pudessem passar. Foi contactado por António Henriques por necessidade de trocar o jogo para que estava nomeado inicialmente, por razões que se prendiam com impedimento dos Árbitros. À pergunta se Azevedo Duarte pedia expressamente para prejudicar ou beneficiar algum Árbitro disse não se lembrar, mas afiançou que a sua postura é ser sempre justo e sério. Reforçou que não se lembra ter recebido qualquer chamada nesse sentido. Só na Polícia Judiciária é que soube que lhe tiraram penalidades que os relatórios por si elaborados tiveram inicialmente. Explica como se processava a questão das trocas de jogos e a sua origem, mormente quando já tinha visto o Árbitro ou que este não fosse ao jogo para que, como Observador, estava escalado. Os Árbitros só podem ser vistos pelo mesmo Observador uma vez por época. Os Árbitros também não podem ser avaliados pelo Observador do mesmo Conselho de Arbitragem onde são filiados.

ANTÓNIO MANUEL SOARES PINTO (Observador) – Interrogado, diz que foi contactado por Azevedo Duarte por duas vezes e por questões de alteração de nomeações, recordando que aconteceu quando um seu colega Observador não pôde ir e teve que avançar no seu lugar. Nunca ninguém lhe falou a pedir que beneficiasse ou prejudicasse Árbitros. Os relatórios dos jogos que exerceu observação aos Árbitros, Milheiroense-Penalva do Castelo e Pampilhosa-Milheiroense, tiveram propostas de alteração. Quando recebia as fichas e tinha penalização quis sempre saber do Formador o porquê para melhorar as suas futuras prestações. Ficou em 3º lugar e subiu de categoria, mas nunca soube se as propostas de alteração tiveram influência nesta sua subida.

FRANCISCO LOPES FERNANDES (Ex-Observador) – Questionado diz que recebeu telefonema de António Henriques, do pelouro das nomeações dos Observadores, pelas 12H00 a perguntar se ainda estava em casa, pois já não ia ver o jogo para que estava nomeado mas sim o Lousada-Pedras Rubras, não lhe explicando o porquê, e que o Azevedo Duarte à noite lhe falaria, o que veio a acontecer. Azevedo Duarte pediu-lhe, então, para não prejudicar o rapaz. Contudo, deu a nota que tinha que dar. Afirmou ainda que recebeu uma chamada do Árbitro Jorge Saramago que lhe disse que o Árbitro que ia ver no Ribeirão-Pedrouços, o Silvério Ferreira, tinha descido na época anterior e que andava desmotivado. Explicou que as alterações aos jogos aconteciam, mais frequentemente enquanto Árbitro. Quanto às alterações que tiveram os seus relatórios pelos Assessores João Mesquita e Augusto Lourenço só tomou conhecimento delas na Polícia Judiciária vendo os documentos com rasuras, feitas por outras pessoas.

CARLOS MARIA ESTRIGA (Observador) – O Procurador perguntou-lhe e respondeu que nunca foi contactado para beneficiar ou prejudicar Árbitros. Esteve em serviço nos jogos Oriental-Pontassolense e Estoril Praia-Pontassolense. Não reclamava a pontuação que lhe era atribuída pelos Assessores. E quando acontecia receber relatórios com penalização, e para não cometer lapsos futuros, falava com o Coordenador da Comissão de Apoio Técnico, o Prof. Jorge Pombo que o esclarecia. Face a uma proposta de alteração é-lhe retirada penalização que tinha sido alvo. Desconhece o facto. Inquirido se foi beneficiado, diz que não sabe. Só no final da época é que sabia da sua classificação.

JERÓNIMO VÍTOR ALVES OLIVEIRA (Observador) – À pergunta se tinha sido contactado disse que sim, quando estava a conduzir, por Azevedo Duarte duas vezes e uma outra por António Henriques. Pensa que os telefonemas tinham a finalidade de prejudicar ou beneficiar Árbitros que tinha visto, não se lembra bem, mas respondeu-lhes que não alinhava nessas coisas, pois a pontuação dada era matéria de relatório, por ser uma questão de ética. Quanto aos relatórios dos Assessores que iam analisar o seu trabalho nos campos de futebol disse que um ano recebeu, mas logo acabaram com esse envio. Disse ainda que nunca teve conhecimento das propostas de alteração, que nunca reclamou das pontuações recebidas e que não se recorda da sua classificação na época 2002/2003. Adiantou que nunca foi pressionado para alterar notas que dava. Deixaram-lhe de telefonar.

JOSÉ VIEGAS RUFINO (Assessor) – Interpelado, explicou ao Tribunal como se processava o preenchimento do relatório técnico comum aos Observadores e aos Assessores, especialmente a questão do canto superior direito, espaço com picotado, onde era colocado um número para que a Comissão de Análise não soubesse quem era o Árbitro que estava a examinar. O Conselho de Arbitragem penalizava o Observador se houvesse discrepância entre a nota que este atribuía e a do Assessor. Fazia a triagem na penalizações e depois a Comissão de Avaliação é que confirmava ou não a pontuação por si dada, mas houve casos que não chegou ao seu conhecimento. Afirma que nunca sofreu pressões para prejudicar ou beneficiar quem quer que fosse. Continuou a explicar a funcionalidade da apreciação dos relatórios elaborados pelos Observadores nas épocas em apreciação. Afirmou ainda que, naquela altura, os Observadores estavam impedidos de elaborar o seu relatório em sistema informático, o que já não acontecia com os Assessores, pois nunca ninguém lhe disse que era irregular.

JOSÉ MANUEL DINIS NEVES (Observador) – Afirmou que nunca foi contactado por elementos do Conselho de Arbitragem sobre a pontuação das observações por si dadas quando era nomeado. No jogo Caliponense-Estrela, onde foi o Observador, assim como noutros, teve penalizações. Reclamou? Não, mas ligava para o Prof. Jorge Pombo para ser esclarecido quando tinha dúvidas. Nunca oficializou qualquer reclamação. Só soube na Polícia Judiciária algumas situações que desconhecia e que influenciaram a sua classificação final, as quais desconhecia, como as classificações no decorrer da época.

No decorrer desta audiência, que terminou às 16H59, foram evocados os seguintes Árbitros: António Resende (Aveiro), Aurélio Afonso (Lisboa), Helder Pardal (Santarém), João António Andrade Almeida (Porto), José Cunha Vieira (Porto), Joel Silva Dias (Braga), Luís Reforço (Setúbal) e Pedro Mansinho (Évora).

Como se disse inicialmente, faltaram a esta sessão 4 testemunhas arroladas pelo Ministério Público.

A próxima sessão está marcada para as 14H00 do dia 10 de Março, quarta-feira.

quinta-feira, 4 de março de 2010

NÚCLEO DE LISBOA – SESSÕES TÉCNICAS EM MARÇO DE 2010

FUTEBOL

QUINTAS-FEIRAS – 21H30
Monitor Residente: Pedro Henriques

Hoje, dia 4 – Rui Rodrigues
Tema: Linhas Orientadoras para Árbitros.

Dia 11 – Ana Aguiar
Tema: Arbitragem/Formação e acompanhamento de Árbitros.

Dia 18 – João Capela
Tema: Leis do jogo e sua interpretação/análise.

Dia 25 – Gustavo Sousa (APAF)
Tema: Temas de comunicação.

FUTSAL

TERÇAS-FEIRAS – 21H30
Monitor Residente: Joaquim Carvalho

Dia 9 – Joaquim Carvalho e José Padinha
Tema: Preparação para testes AFL.

Dia 16 – Joaquim Carvalho e José Padinha
Tema: Colaboração entre equipa de arbitragem.

Dia 23 – Joaquim Carvalho e José Padinha
Tema: Teste de preparação.

Dia 30 – Joaquim Carvalho
Tema: Respostas ao teste AFL.

Importante: As reuniões efectuam-se na sede do Núcleo e iniciam-se à hora marcada. Em todas elas é concedido um período de 30 minutos para escalpelizar eventuais casos de jogo ou outras situações.
Sede do Núcleo: Rua Wanda Ramos, Lote 16, Loja A, Dtª (Olaias) 1900-917 Lisboa
Correio electrónico: naflisboa@netcabo.pt

quarta-feira, 3 de março de 2010

O UNIFORME DOS ÁRBITROS ATRAVÉS DOS TEMPOS…

Nos fins do século XIX o Árbitro (imagem 1) permanecia estático no centro do terreno e permitia que os jogadores resolvessem os diferendos entre eles. Quase sempre barbudos na sua casaca negra, chapéu de copa alta, sapatos lustrosos e polainas, e equipados com um bastão para indicar a direcção da marcação das faltas. Podia fumar um bom charuto enquanto digeria a bem agradável refeição paga pelo clube da casa e geralmente rematada (estamos a falar de futebol…) com um esplêndido brande…
Passados uns tempos, por volta da Taça de Inglaterra (1891) foi proporcionado a que dois oficiais pudessem passear-se no campo com pequenas bandeiras e exerciam as funções dos actuais Assistentes. Pode-se ver (imagem 2) que um dos oficiais actua com óculos e bem ataviado como era comum nessa época.
Nas décadas de 1920/1930 já se antevia que o Árbitro equipasse elegantemente com chapéu, camisa branca de manga curta, calças de montar de cor creme, meias cinza e bota até à canela (imagem 3).
Registe-se que o inglês William Pickford (1848-1923), considerado o pai dos Árbitros, no seu livro “How to referee” (imagem 4), editado em 1906, dizia: Antes de tudo, um Árbitro deve ser um cavalheiro. Deve ser firme e cortês, e tratar todos como irmãos até que demonstrem não ser dignos de confiança. Deve actuar com tacto, ser honesto e sincero com todos, sem perder o sangue-frio, nem reagir com malícia ou má vontade, sendo, não obstante, intrépido, determinado e capaz. Deverá usar um vestuário ligeiro e folgado, simples e sem cores muito vivas nem detalhes extravagantes. Ainda na capa daquela sua obra se vê um Árbitro de fins do século XIX em plena actuação com gorro, camisa, gravata, jaqueta e calças de golfe metidas nas meias negras, rematadas a branco.
No jogo Itália-Espanha, realizado em 29 de Maio de 1927, em Bolonha (imagem 5), o Árbitro inglês Stanley Rous (1895-1986), que chegou a presidente da FIFA, verifica-se que os uniformes da equipa de arbitragem não são iguais, logo não é agradável à vista.
Quanto ao excêntrico vestuário (imagem 6) do internacional belga, John Langenus (1891-1952), celebrizado na final do mundial de 1930-Uruguai, ainda usava, de vez em quando, uma capa de lã, mesmo com calor intenso!
Já Jim M. Wiltshire (imagem 7), quando dirigiu o Bélgica-Holanda, em Antuérpia, no dia 4 de Maio de 1947, preferiu usar um cómodo suéter de cor preta. Depois da II Guerra Mundial o credenciado internacional inglês Ken Aston (1915-2001) considerou necessário criar um desenho standard para o vestuário dos Árbitros e convenceu os fabricantes para adaptarem os tecidos pretos que haviam sobrado dos tempos de guerra. A boa qualidade do algodão foi ideal para todas as estações do ano e foi acertado um modelo básico para o efeito.
Uns anos depois o algodão cedeu o lugar ao nylon, apesar de não ter a sua suavidade e conforto, mas a sua aparência lustrosa dava-lhe um toque moderno e original, o que viria a ser adoptado noutros países. No jogo final do Mundial de 1966-Inglaterra o russo Tofik Bakharamov (1925-1993) utilizou o antigo modelo (imagem 8) que estava implantado na sua Federação (lã preta e cinto branco), enquanto os colegas o moderno. O preto sempre manteve o seu estatuto oficial, pese embora nalguns jogos em que os jogadores levavam cores escuras e pudessem causar confusão, o Árbitro envergava roupa de cor diferente, mas nos anos 60 a cor estava muito estafada, dando uma imagem muito apagada do trio de arbitragem num jogo moderno que florescia como espectáculo emocionante e colorido.
Registe-se que um trio holandês quando visitou Londres para dirigir um encontro europeu causou imensa sensação, mesmo muito antes de entrarem em campo, com a sua roupa normal e pela sua conduta. Vestiam elegantes casacos pretos, camisas brancas, gravatas coloridas da sua Federação, calças cinza e sapatos pretos reluzentes!Um aspecto fantástico a quem via e uma equipa orgulhosa da sua Federação e do seu país. O seu equipamento em campo deixou toda a gente boquiaberta: calção preto, meias da mesma cor com canhão branco, botas de futebol muito macias, camisa de manga larga, carmesim, com colarinho e punhos brancos.
O contraste com os jogadores era enorme e conferia um toque de elegância ao espectáculo desportivo. No campo jogava-se sem chama, sem vida, mas o trio de arbitragem, bem apresentado, desempenhou magistralmente as suas funções e controlou a partida com muita confiança e responsabilidade. Em 1967 a AFLR&L (Associação de Árbitros e Juízes de Linha de Futebol), organizou a sua primeira conferência anual em Londres e dos vários assuntos abordados que giraram em torno da direcção dos jogos e a protecção contra a violência, a questão dos uniformes dos Árbitros foi particularmente focada e teve honras de desfile com vários modelos mais actuais que poderiam alternar com o vestuário antiquado e preto. Na votação a decepção foi total, pois uma pequena maioria não estava disposta a sacrificar a sua tradicional opção, preferindo continuar a actuar de negro.
Passaram outros 20 anos ou mais, a Primeira Liga, em 1992, introduziu camisas verdes e meias pretas com canhão verde, mas desde então tem-se verificado alterações quer nas cores, quer nos desenhos das roupas. Os defensores da tradição sentiam-se constrangidos quando eram obrigados a usar nas suas camisas logótipos publicitários, mas as compensações financeiras alteraram a sua forma de pensar.À escala mundial nos torneios da FIFA, desde 1990 que se vê os Árbitros a usar equipamento preto, cinza, amarelo, azul, verde, vermelho. Grande parte dos modelos modernos ajusta-se à ideia de um atleta (imagem 9) que, na actualidade, desempenha um importante e gratificante papel no jogo.
Apesar do arco-íris à disposição e que se aprecia noutros países, a Federação Inglesa prefere ver os seus Árbitros a utilizarem o preto tradicional, com a permissão do branco mas muito, muito pouco…Actualmente, o último grito da moda usam-no os Árbitros e as Árbitras visto que a igualdade nesta área é uma realidade. Talvez passem muitos anos antes de vermos algumas variantes interessantes para as damas se vestirem à moda!...
Na imagem 10 vê-se a equipa de arbitragem que dirigiu o primeiro jogo da final dos Jogos Olímpicos de 1928-Amesterdão, entre as selecções da Argentina e Uruguai, em 10 de Junho, sendo o holandês Joahnnes Mutters o Árbitro, auxiliado pelo italiano Achile Gama e belga Jean Langenus. Diferentes entre si quer nos modelos quer nas cores…
Fonte: FIFA Magazine, Novembro 2008, páginas 28 a 30.

terça-feira, 2 de março de 2010

LIVRO DE LEIS DO JOGO DE FUTEBOL (EM PORTUGUÊS)

No primeiro livro de regras da responsabilidade da Federação Portuguesa de Futebol, editado em Agosto de 1940, o presidente de então, José da Cruz Filipe exara a seguinte mensagem (sic):

“…Esta publicação oficial, apresentando as regras universalmente adoptadas, prestará, emfim, um grande serviço ao futebol nacional, desde que todos os interessados se compenetrem do seu valor e da sua necessidade, estudando as referidas regras no intuito de mais se contribuir para o desenvolvimento útil do jôgo, que tanta simpatia encontra no nosso público.
Com esta iniciativa, a F.P.F. cumpre, pois, um dos seus propósitos de bem defender e prestigiar o futebol.”
Ora bem, pese embora a Federação tenha sido fundada em 31 Março de 1914, só passados 26 anos é que publicou o seu primeiro caderno contendo o texto das 17 leis, as decisões oficiais e gráficos para se entender correctamente o famigerado fora de jogo.
Igualmente caracteriza conselhos dirigidos aos Árbitros, clubes e jogadores.

Desde então a saída actualizada dos livros não tem sido exemplar, bem pelo contrário.
Há sempre algo que impede que todos os anos e na altura própria a edição oficial esteja disponível para os interessados.

Aqui a Federação não está a cumprir o seu papel e seria importante que o fizesse e logo após o International Board emitir as alterações às leis do jogo, decididas nas suas reuniões anuais, nos primeiros meses do calendário.

Actualmente a Federação Portuguesa de Futebol fez sair o último livro em Julho de 2008.

Mais, em tempo sugeri que a Federação tomasse a iniciativa de editar livros em grandes quantidades e que os distribuísse, não só por Portugal, mas pelos Países da Lusofonia, pela simples razão de que, como a FIFA os edita nas suas quatro línguas (Alemão, Francês, Espanhol e Inglês), se recebessem na língua de Camões, com certeza que estávamos a defender e a consolidar o português, em vez dos nossos irmãos receberem influência estrangeira que bem perto deles se situam.
E, com esta finalidade, haveria, estou certo, apoio do Estado.

Como aqui já divulguei, o Brasil tem o cuidado de editar os seus livros logo que recebem as alterações, procedendo de imediato à sua distribuição pelas Federações dos 27 Estados que compõem o seu imenso país.

segunda-feira, 1 de março de 2010

ÁRBITROS PORTUGUESES NOS CAMPEONATOS DO MUNDO DE FUTEBOL - JOSÉ VIEIRA DA COSTA (1)

A sua escolha pela FIFA deveu-se ao facto da sua qualificada e espectacular prestação na condução de jogos de futebol nos VI Jogos Desportivos Centro Americanos e do Caribe, realizado de 8 de Fevereiro a 12 de Março de 1950, na Nueva Guatemala de la Assunción. O convite teve origem no seu Comité Organizador o qual, no final do Torneio, lhe tributou rasgados elogios, distinguindo-lhe a competência, seriedade e meticulosidade do nosso compatriota. Nesta competição, em que participaram as selecções de Guatemala, Colômbia, Honduras e México (Grupo 1) e Costa Rica, Curaçao, El Salvador, Haiti e Nicarágua (G.2), disputaram-se 23 desafios e o nosso embaixador desportivo esteve em 11 partidas, pasme-se, disputadas em 14 dias.
Graças a esta demonstração de valor e capacidade Vieira da Costa foi, naturalmente, seleccionado para integrar as equipas de arbitragem que, no Brasil, actuaram no maior evento desportivo mundial.
Eis alguns dados de JOSÉ VIEIRA DA COSTA
Nasceu em: 13 de Fevereiro de 1908
Freguesia: Bonfim
Concelho: Porto
Distrito: Porto
Faleceu: 6 de Agosto de 1981
Iniciou-se na Actividade: 1929/1930
Épocas de Internacional: 1949/50 a 1955/56
Conselho de Arbitragem: Associação de Futebol do Porto
4º MUNDIAL - BRASIL/1950
De 24 de Junho a 16 de Julho
Disputaram-se 22 Jogos com 27 Árbitros.
Vieira da Costa participou em 3 jogos, sempre como Árbitro Assistente

PRIMEIRO ENCONTRO
Jogo nº 3 - Grupo: 3
Data: 25 de Junho de 1950, domingo.
Hora: 15H00
Local: Curitiba
Estádio: Durival de Brito
Selecções intervenientes: Espanha-Estados Unidos da América
Resultado ao intervalo e final: 0-1 e 3-1
Espectadores: 10.000
Árbitro do encontro: Mário Vianna, nasceu 06.09.1902 (Brasil)
Colega Assistente: Charles de la Sale, 08.12.1897 (França)
Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=_G2HYnKPCrI&feature=related
SEGUNDO
Jogo nº 11 – Grupo: 1
Data: 1 de Julho de 1950, sábado.
Hora: 15H00
Local: Rio de Janeiro
Estádio: Maracanã
Selecções intervenientes: Brasil-Jugoslávia
Resultado ao intervalo e final: 1-0 e 2-0
Espectadores: 142.000
Árbitro do encontro: Benjamim Griffithe, 17.01.1909 (País de Gales)
Colega Assistente: Alois Benarek, 15.01.1900 (Áustria).
Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=nocsH6NSOsA Espanha-Estados Unidos da América, com colegas e capitães das selecções

TERCEIRO
Jogo nº 19 – Ronda final
Data: 13 de Julho, quinta-feira.
Hora: 15H00
Local: Rio de Janeiro
Estádio: Maracanã
Selecções intervenientes: Brasil-Espanha
Resultado ao intervalo e final: 3-0 e 6-0
Espectadores: 153.000. (Record absoluto!)
Árbitro do encontro: Reginald Leafe, 15.12.1914 (Inglaterra)
Colega Assistente: George Mitchell (Escócia).
Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=esy9N7dNTeU&feature=related

5º MUNDIAL - SUIÇA/1954
De 16 de Junho a 4 de Julho
Disputaram-se 26 jogos com 25 Árbitros
Vieira da Costa participou em 4 jogos
PRIMEIRA PARTIDA
Jogo nº 2 – Grupo 1
Data: 16 de Junho, quarta-feira.
Hora: 18H00
Local: Genebra
Estádio: Charmilles
Função: Árbitro Assistente
Selecções intervenientes: Brasil e México
Resultado ao intervalo e final: 4-0 e 5-0
Espectadores: 13.000
Árbitro: Raymond Wyssling, 05.01.1912 (Suiça)
Colega Assistente: Ernest Schonholzer, 25.08.1891 (Suiça).
Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=_60e2TtLcbY&feature=PlayList&p=49BA2D1C19F43514&playnext=1&playnext_from=PL&index=10
SEGUNDA
Jogo nº 6 – Grupo 2
Data: 17 de Junho, quinta-feira.
Hora: 18H00
Local: Berna
Estádio: Wankdorf
Função: Árbitro
Selecções intervenientes: Alemanha-Turquia
Resultado ao intervalo e final: 1-1 e 4-1
Incidência disciplinares: Sem advertências ou expulsões.
Espectadores: 39.000
Colegas Assistentes: Istvan Zsolt, n. 21.06.1921 (Hungria) e
Armand Merlotti (Suiça).
http://www.youtube.com/watch?v=fsQ-4zH97Kk
TERCEIRA
Jogo nº 15 – Grupo 4
Data: 20 de Junho, domingo
Hora: 17H10
Local: Berna
Estádio: Wankdorf
Função: Árbitro Assistente
Selecções intervenientes: Inglaterra-Suiça
Resultado ao intervalo e final: 1-0 e 2-0
Espectadores: 50.000
Árbitro: Istvan Zsolt, n. 21.06.1921 (Hungria)
Colega Assistente: Vasa Stefanovic, 14.01.1906 (Jugoslávia).
Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=maOccqMzJTw Inglaterra-Suiça

QUARTA
Jogo nº 18 – Grupo 4
Data: 23 de Junho, quarta-feira
Data: 18H00
Local: Basel
Estádio: Saint Jakob
Função: Árbitro Assistente
Selecções intervenientes: Suiça-Itália
Resultado ao intervalo e final: 1-0 e 4-1
Espectadores: 30.000
Árbitro: Benjamim Griffithe, 17.01.1909 (País de Gales)
Colega Assistente: William Ling, 01.08.1908 (Inglaterra)
Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=4TouwYLklUc&NR=1 -Jornal de Notícias, 8 de Agosto de 1981-