quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PRESENÇA DA POLÍCIA MILITAR NA ENTÃO PU DE MACAU (de 1962 a 1975) – 2º DE 10 EPISÓDIOS – PPM 38


PELOTÃO DE POLÍCIA MILITAR 38

 
Unidade mobilizadora: Regimento de Lanceiros 2 (Lisboa).
Divisa:
Saída para Macau: 17 de julho de 1962, no navio Niassa.
Serviço Postal Militar: 1003
Publicação editada:
Regresso a Lisboa: 23 de outubro de 1964, no navio Índia.
A distância entre cidades, em linha reta, é de 10.984 quilómetros.
A mobilização decorreu ao longo de: 830 dias.
As viagens tiveram o total de 91 dias a navegar (59 ida+32 volta).
Permanência no território: 739 dias.
Ocorrências fatais: 1
Distinções recebidas:
Ordens de Serviço da unidade:
História da unidade:
Página na internet:
Este episódio tem 16 páginas e 51 imagens. 

CONTINGENTE: 41 MILITARES

OFICIAIS: 1
Américo Assunção Solipa, Alferes 103/C
 
SARGENTOS: 2
António Manuel Garducho Paixão, Furriel 204/EC
Domingos Paz Carvalho, Furriel 162/EP
 
PRAÇAS: 38
  Albano Almeida Matos, Soldado 917/61
Alexandre Afonso Carvalho, Soldado 1205/61
Amável António Pais Borralho, Soldado 1016/61
Aníbal Madeira Varandas, Soldado 447/61
António Augusto, Soldado 1190/61
António Dias Mendes, 1º Cabo 36/61
António Joaquim Gil, Soldado 1128/61
António Luís Dias, Soldado 1147/61
António Ribeiro Moreira, Soldado 685/61
António Silva Santos, Soldado 1017/61
Armando Nunes Marques Flora, Soldado 3789
Augusto Rosa Pinto Correia, Soldado 1102/61
Bernardino Renato Ferreira Lima, Soldado 1007/61
Bruno Esquibate Rino, Soldado 3778
-Este ilustre lanceiro faleceu em 10.03.1963- a)
Carlos Alberto Castanheira Lourenço Sousa, Soldado 1022/61
Carlos José da Costa, Soldado 940/61
David da Silva Costa, Soldado 682/61
Fernando Raposo Canha, 1º Cabo 933/61
Florival Rijo Leitão, 1º Cabo 833/61
Horácio Correia Pais Melro, Soldado 1030/62
Jerónimo Vitorino Ferreira Plácido, 1º Cabo 829/61
João António Pedro Oliveira, Soldado 3777
Joaquim Alves Borges, Soldado 3770
Joaquim António Pereira Gonçalves, Soldado 648/61
José António Pedro Oliveira, Soldado 1009/61
José Carlos Valente Gonçalves, Soldado 1012/61
José Carmo Martins, 1º Cabo 520/61
José Céu Conceição Silva, Soldado 640/61
José Manuel Dias Bravo, Soldado 690/61
José Moreira Silveira, Soldado 1039/71
José Ribeiro Lopes, Soldado 936/61
Júlio Gomes Duarte, 1º Cabo 1005/61
Manuel Almeida Costa Lima, Soldado 921/61
Manuel Mendes Nunes Alberto, Soldado 1008/61
Manuel Moreira Ribeiro, 1º Cabo 37/61
Maximino Melo Cruz, Soldado 630/61
Paulino Jesus Tavares Girante, Soldado 1020/61
Salvador Manuel Costa Ferreira, Soldado 646/61

a) O seu nome está gravado e perpetuado no Mural da Memória, erigido no quartel do Regimento de Lanceiros 2, na Amadora, monumento que recordará os briosos militares que perderam a vida no cumprimento do dever.

ALGUMAS NOTAS

O PPM 38 foi a primeira unidade mobilizada para o CTI de Macau.

Segundo o Decreto-Lei 42.937/60, de 22 de abril, o tempo normal de serviço militar obrigatório apontava para dois anos (730 dias).

Cerca de um ano antes da data do embarque já estavam indigitados para viajarem até Macau, mas por falta de transporte só foi possível o embarque no dia 17 de julho de 1962 (terça).A caminho de Macau escalaram-se os portos de Luanda, Madagáscar, Darwin e Díli.
Desde Lisboa que o PPM 38 adotou, como sua mascote, o “Átila”, um cão de raça Pastor-alemão.

À chegada a Macau, pelas 15H00, do dia 13 de setembro de 1962 (quinta), o PPM 38 cativou desde logo a atenção da comunidade local pois marchou com garbo, pujança e determinação, cerca de 7 quilómetros, desde o cais até ao Quartel General, onde pernoitou.

Outros aquartelamentos utilizados: Fortaleza da Barra, Fortaleza do Monte e Flora.

Destaque-se uma determinação direcionada aos militares do PPM 38 a quem, desde o início da sua presença, era exigido ter o cabelo bem tratado, o uniforme sempre limpo e aprumado e muito rigor no cumprimento das tarefas que lhes eram atribuídas oficialmente, especialmente a fiscalização da circulação automóvel, incluindo a própria viatura do Comandante Militar!

A aceitação do PPM 38 pela população macaense e chinesa foi plena e pacífica, existindo sempre o respeito, a consideração e o apreço mútuo, razão porque nunca houve qualquer atrito ou outra qualquer situação embaraçosa.

Os elementos do PPM 38 foram sempre muito ativos e aplicados na preparação física para o desempenho da missão, como na  prática de atividade desportiva (futebol, ginástica, tiro a chumbo e outras modalidades), e, bem assim, na área social e recreativa: festas de beneficência, de Natal e sessões recreativas.

A aprendizagem de línguas estrangeiras era sempre da responsabilidade e suportada pelos interessados.

Todos os Elementos do PPM 38 foram distinguidos com a Medalha Comemorativa da Expedição a Macau, de harmonia com o despacho ministerial de 2 de abril de 1963.

No regresso a Lisboa, a viagem foi iniciada às 14H00 de 22 de setembro de 1964 (terça), para Hong Kong, donde saiu o NTT ÍNDIA, às 17H30, diretamente para o Canal de Suez, trajeto mais curto e mais rápido.
 
O PPM 38 já se reuniu, em convívio, depois de ter regressado de Macau, incluindo no aquartelamento do Regimento Lanceiros 2.

Importante: Os Veteranos que tenham cumprido o serviço militar em Angola, Cabo Verde, Guiné, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor e se tiverem direito à medalha comemorativa das Campanhas no Ultramar e que ainda não a possuam, poderão requerê-la gratuitamente no Arquivo Geral do Exército, situado no Largo de Chelas (Antigo Convento), em Lisboa. Telefone: 218 391 600. Telefaxe: 218 391 611. Correio eletrónico: arqgex@mail.exercito.pt



















































quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PRESENÇA DA POLÍCIA MILITAR NA ENTÃO PU DE MACAU - 1º DE 10 EPISÓDIOS - APRESENTAÇÃO DO TRABALHO


Na reunião havida em 13 de setembro de 2017 com a Direção da Associação de Lanceiros onde formalmente ofereci o trabalho levado a efeito com as 15 unidades da Polícia Militar que cumpriram a sua digna missão em São Tomé e Príncipe e aqui publicado, o qual foi considerado inédito e histórico, levando a AL a promover a edição de livro com tudo o que foi referido com a vivência que se verificou entre 1961 e 1975, resolvi avançar com o historial dos restantes 106 agrupamentos que estiveram em Angola (42), Cabo Verde (12), Guiné (16), Macau (8), Moçambique (21) e Timor (7).
Comecei por Macau, seguindo-se Timor e por aí fora até terminar na então Província Ultramarina que mais contingentes teve da PM, Angola.
Mas, a tarefa não foi fácil, como passo a descrever:
Graças ao Arquivo Geral do Exército e ao seu mais carismáticos responsável, Major Fernando Laureano, sempre disponível, sempre gentil e altamente capacitado para ajudar a resolver questões relacionadas com a megalómana tarefa a que me dediquei, e que muito agradeço a sua participação, tem sido possível obter as informações necessárias para complemento de cada um dos 8 episódios da PM e referentes à mais linda capital do Oriente.
Contudo, o AGE não possui documentos do último agrupamento que esteve em Macau, o que obrigou a consultar outros arquivos, incluindo a Biblioteca do Regimento de Lanceiros 2.
Aqui, a disponibilidade e boa vontade do Comando deste Regimento para colaborar neste grandioso projeto foi total e participativo, mas morosa, pese embora a minha primeira comunicação a solicitar permissão para aceder aos seus documentos em 23 de setembro de 2017, só foi possível iniciar as pesquisas nas instalações da calçada da Ajuda passados 72 dias, o que atrasou substancialmente a programação por mim idealizada.
Mas, felizmente, o assunto está ultrapassado e já disponho de matéria para avançar a todo o vapor, perspetivando a conclusão desta monumental tarefa no menor espaço de tempo possível, não sem antes prever ser uma questão de alguns anos a trabalhar profunda, contínua e dia-a-dia no assunto.
Para além de ter conseguido obter os dados de que necessitava na consulta aos milhares de páginas das Ordens de Serviço Regimentais, também fiz o resumo das datas oficiais da partida e do regresso a Lisboa, a chamada “mobilização”, de todos os agrupamentos da PM que estiveram em África e no Oriente, trabalho importante e rigoroso, o qual, pela sua utilidade já foi entregue ao Regimento de Lanceiros 2, Arquivo Histórico Militar, Arquivo Geral do Exército, Biblioteca do Exército e à Associação de Lanceiros. Quem quiser trabalhar nesta área tem, agora, elementos fidedignos e objetivos, coisa que não existia tão pormenorizadamente.
Posto esta explicação, adianto que gostaria de apresentar muitos mais dados de cada unidade da PM em Macau, mas fico-me somente pelo essencial deixando outros temas para quem pretender fazer um ótimo trabalho, se assim o desejar.
Este trabalho sobre Macau representa também o esforço de muitos lanceiros que colaboraram de forma voluntária e dedicada, quer com algumas das histórias na primeira pessoa, quer na cedência de imagens que marcam a sua juventude, bem longe de casa e dos seus mais próximos.
É verdade que a ajuda recebida foi de extrema importância, mas também encontraram alguém que, com a sua persistência e empenho, se deslocou ao seu encontro (Setúbal, Alcobaça, Ericeira, Carcavelos, Abrantes, Montijo, Viseu e Massamá) para recolher testemunhos das suas vivências no Extremo Oriente.
Quanto à divulgação destes episódios, 10 no total, serão publicados semanalmente, agora às quintas-feiras, como se enumera:
01 – Apresentação do trabalho, hoje, dia 1 de fevereiro de 2018
02 – PPM 38 (mobilização de 17.07.1962 a 23.10.1964), dia 8 fevereiro de 2018
03 – PPM 932 (05.08.1964 a 22.06.1966), dia 15 de fevereiro de 2018
04 – PPM 1084 (12.04.1966 a 27.07.1968, dia 22 de fevereiro de 2018
05 – PPM 2027 (16.04.1968 a 19.09.1970), dia 1 de março de 2018
06 – CPM 2428 (12.08.1968 a 03.02.1971), dia 8 de março de 2018
07 – PPM 2228 (04.06.1970 a 16.10.1972), dia 15 de março de 2018
08 – PPM 3124 (02.07.1972 a 05.07.1974), dia 22 de março de 2018
 09 – PPM 8275 (28.05.1974 a 03.10.1975), dia 29 de março de 2018
10 – Conclusões, dia 5 de abril de 2018
Espero que gostem do trabalho e estou pronto para receber as observações que acharem por bem colocar.
Entretanto, aqui vão algumas considerações gerais sobre a experiência vivida pelos lanceiros lá longe, em Macau.
O clima de Macau explica-se com 7 meses de calor intenso, 3 de temperatura suave e 2 de frio, sendo que nesta época especial o CTI distribuía ração diária de 0,04 (quatro centilitros) de aguardente ao pessoal da guarda, reforço e ronda de todas as unidades e subunidades…
Nos meses de abril e até existir elevadas temperaturas os militares usavam fardamento aligeirado (camisa de meia manga e calção), deixando a vestimenta de inverno (blusão, camisa de manga comprida e calça).
A PM em Macau só usava o fato camuflado em ações específicas.
O trânsito rodoviário era efetuado pela esquerda, logo alguma ansiedade inicial dos condutores auto, pois nunca receberam qualquer preparação para conduzirem daquele modo.
À chegada das unidades da PM foram-lhes transmitidas indicações quanto ao modo de vida local e hábitos seculares da comunidade para que não fossem surpreendidos por alguma situação menos conhecida.
Também lhes foi exigido que a sua postura fosse cuidada até ao pormenor, especialmente com a apresentação pessoal (fardamento também) e rigoroso cumprimento das Normas de Execução Permanentes em vigor, ainda no relacionamento com a comunidade e na fiscalização das viaturas, incluindo a do Comandante militar...
A PM participou em todas as cerimónias realizadas nas datas importantes, como as do 13 e 28 de maio (Nossa Senhora de Fátima e Estado Novo), 10 de Junho (Dia de Portugal), assim como 14 de agosto, dia do Comando Territorial Independente de Macau e no dia dedicado a Vasco da Gama.
Macau, com um território de 30,3 Km2 e face às suas características especiais, já oferecia entretenimento variado aos vindouros, como cinema, teatro, exposições, diversos desportos e, mais tarde, televisão (e a cores).
Em 1963 a verba diária para a alimentação dos militares (praças) era de 20$00. O pré dos Soldados era metade do valor! No ano seguinte a alimentação passou para 23$00 e, dez anos depois, em 1974, já ia nos 34$00.
A extinção do CTIM verificou-se em 31.12.1975, mas a cerimónia protocolar realizou-se no dia anterior nas instalações do Quartel General com formatura e saudação à bandeira Portuguesa, como certificam as duas últimas imagens, mas já sem a presença da Polícia Militar.
Muitos dos lanceiros valorizaram os seus conhecimentos, com vista a um melhor futuro profissional, tendo obtido a carta de condução de veículos ligeiros e pesados.
A passagem do território para a administração chinesa ocorreu em 20 de dezembro de 1999.
Por último direi que a distância, em linha reta, de Lisboa a Macau é de 10.991 quilómetros, logo o fuso horário é de 8 horas a mais das que se verificam em Lisboa.