quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

OS COMANDOS NOS TRÊS TEATROS DA GUERRA DO ULTRAMAR – PRESENÇA EM ANGOLA (3º DE 32 EPISÓDIOS)

GRUPO DE COMANDOS “OS PEDRA”
Os integrantes deste grupo de Comandos foram originários do Batalhão de Caçadores 261, mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 10 (Chaves), composto pela Companhia de Comando e Serviço (CCS), e as Companhias de Caçadores 267, 268 e 269, e a 270 (independente).
Este Batalhão, teve a divisa “Sempre Excelentes e Valorosos” e embarcou para Angola a 12 de agosto de 1961, no navio “Vera Cruz”, tendo chegado a Luanda, no dia 21. O regresso a casa verificou-se, a partir do Lobito, no dia 21 de novembro de 1963.
Este Batalhão não tem a sua história da unidade no Arquivo Histórico Militar.
A constituição do Grupo “Os Pedra”, a seguir descrita, evocando-se nomes, patentes e outros dados, só foi definitiva após os seus componentes terem frequentado voluntariamente o curso específico, com aproveitamento, durante 82 dias, iniciado em 9 de setembro de 1962 e terminado em 30 de novembro de 1962, no Centro de Instrução 21, localizado na Zemba (Norte de Angola), quando voltaram às suas unidades.
A existência e a operacionalidade deste Grupo de Comandos, decorreram durante 337 dias, ou seja, desde o final do curso da especialidade, até ao fim do cumprimento da honrosa missão do Batalhão 261 em Angola, quando regressa à então chamada Metrópole, em 21 de novembro de 1963.
O Grupo foi buscar o seu nome à emblemática Pedra Verde, cuja fotografia divulgamos, da autoria do Comando Daniel Rodrigues Silva, da CCE 365, "Os Corsários".
O 1º Cabo Fernando Marques Santos, 388/61, da Companhia de Caçadores 270 (independente) foi merecedor da Cruz de Guerra de 4ª classe, porque no dia 25 de setembro de 1961, em pleno combate, atacou destemidamente um forte grupo inimigo bem armado e perigoso, derrotando-o. Tal distinção veio publicada na Ordem do Exército nº 9, III série, de 30 de março de 1963.
Já o Furriel Lemos foi a única baixa quando, na instrução, estava a desativar uma armadilha, segundo informação recolhida do Comandante do Grupo.
CONTINGENTE: 40 Comandos.
COMANDANTE:
César Augusto Lopes Rodrigues, Alferes, Compª 268
SARGENTOS:
Herculano António Pontes, Furriel, Compª 268
José Martinho Andrade Gonçalves Jardim, Furriel, Compª 267
Mário Folgado Ramalhete, Furriel, Compª 267
Vítor Jorge Nunes Paiva, Furriel, CCS Batalhão Caçadores 261
PRAÇAS:
Abílio Marques Brito, Soldado 863/61, Compª 269
Adelino Gonçalves Alves, Soldado 306/61, Compª 269
Américo Gonçalves Rafael, Soldado 488/61, Compª 269
Américo Pires Alves, Soldado 5/61, Compª 269
Amílcar Brites Gouveia, Soldado 113/61, Compª 267
Aníbal Júlio Rodrigues, Soldado 955/61, Compª 269
António Jorge Panão, 1º Cabo 1277/61, Compª 269
António Maria Vidal, 1º Cabo 36/61, Compª 267
António Pais Martins, Soldado 376/61, Compª 269
Armindo Rocha Gonçalves, Soldado 608/61, Compª 268
Baltazar Figueira Leão, Soldado 483/61, Compª 269
Bento António Ascensão Félix, Soldado 1108/61, Compª 267
Domingos Henrique Terramoto, Soldado 1109/61, Compª 267
Dulcídio Dantas, Soldado 246/61, Compª 267
Fernando Marques Santos, 1º Cabo 388/61, Compª 270
Hernâni Gonçalves, Soldado 607/61, Compª 268
Humberto Leal Oliveira, Soldado 829/61, Compª 268
João Pereira Coelho, 1º Cabo 1118/61, Compª 269
José Francisco Caralinda, Soldado 1054/61, Compª 267
José Maria Campos, Soldado 460/61, Compª 267
José Maria Martins Guterres, Soldado 478/61, Compª 269
José Oliveira Coelho, Soldado 199/61, Compª 270
Ludgero Augusto Vieira Macedo, Soldado 69/59, Compª 267
Luís Tojeira, 1º Cabo 832/61, Compª 268
Manuel Jesus Gajeiro, 1º Cabo 971/61, Compª 268
Manuel Leal, Soldado 377/61, Compª 269
Manuel Mestre Gomes, Soldado 90/61, Compª 267
Manuel Neves Duarte, Soldado 773/61, Compª 268
Manuel Vicente Maior, Soldado 431/61, Compª 267
Marino Gomes Consciência, 1º Cabo 806/61, Compª 268
Octávio Cruz Micael, 1º Cabo 938/61, Compª 270
Rafael Luís Caldeira, Soldado 740/61, Compª 268
Raul Dinis Silva, Soldado 846/61, Compª 269
Ricardo Palhota Jerónimo, 1º Cabo 463/61, Compª 268
Valentim Raposo, Soldado 35/61, Compª 267 
Registo de parte da atividade operacional do Grupo “Os Pedra”, nalguns casos atuando conjuntamente com outros grupos de Comandos, nas seguintes datas e lugares:
07.09.1962 e 08.09.1962 – Rio Cambo e Fazenda Sá.
08.10.1962 – Calunga Samba e o Rio Lifune.
19.11.1962 a 24.11.1962 – Úcua, Pango Alúquem, Monte Pumba, Roça Bom Jesus
e vales dos Rios Moncolo e Brinco. Operação: “General Freire”.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

OS COMANDOS NOS TRÊS TEATROS DA GUERRA DO ULTRAMAR – PRESENÇA EM ANGOLA (2º DE 32 EPISÓDIOS)

GRUPO DE COMANDOS “O AÇO”
Foi o Batalhão de Caçadores 186, mais conhecido pelo “Batalhão do Aço”, composto pela Companhias de Comando e Serviços (CCS), mobilizada pelo Batalhão de Caçadores 6 (Castelo Branco), Companhias de Caçadores 187, Regimento de Infantaria 2 (Abrantes), 189 (Regimento de Infantaria 7 (Leiria) e 193 (Regimento de Infantaria 15 (Tomar), que cedeu os militares que compuseram este Grupo de Comandos.
A sua divisa: “Distintos e admiráveis brigaremos sem pão”.
A viagem para Angola iniciou-se em Lisboa no dia 18 de julho de 1961, no navio “Moçambique”, com chegada a Luanda às 13H30 de 28 de julho de 1961. O regresso verificou-se em 2 de novembro de 1963, no “Niassa”.
A história da unidade encontra-se no Arquivo Histórico Militar e tem as cotas:
2/2/160/12 e 2/2/198/7.
A constituição do Grupo “O Aço”, a seguir descrita, evocando-se nomes, patentes e outros dados, só foi definitiva após os seus componentes terem frequentado voluntariamente o curso específico, com aproveitamento, durante 82 dias, iniciado em 9 de setembro de 1962 e terminado em 30 de novembro de 1962, no Centro de Instrução 21, localizado na Zemba (Norte de Angola), quando voltaram às suas unidades.
A existência e a operacionalidade deste Grupo de Comandos decorreram durante 337 dias, ou seja, desde o final do curso da especialidade, até ao fim do cumprimento da honrosa missão do Batalhão 186 em Angola, quando regressa à então chamada Metrópole, em 2 de novembro de 1963.
CONTINGENTE: 37 Comandos.
COMANDANTE:
Inácio Maria, 2º Sargento, Compª 189
(Em substituição do Alferes que foi evacuado para a Metrópole,
devido a ferimentos sofridos em combate).
SARGENTOS:
Fernando Augusto Correia, 2º Sargento, CCS
João Baptista Pina, Furriel, Compª 187
José Manuel Ferreira Gaspar, Furriel, Compª 187
-Distinguido com a Cruz de Guerra 4ª classe (OE 3, III, 30.01.1964)-
Serafim Soares Costa, Furriel, Compª 192 
PRAÇAS:
Abílio Alves Santos, Soldado 508/59, Compª 192
Adriano Macedo, Soldado 1929/61, Compª 192
Amândio Gomes Soares, Soldado 203/60, CCS
António Augusto Duarte, Soldado 259/61, Compª 187
António Batista, 1º Cabo 153/59, CCS
António Conceição Cravo, Soldado 71/61, Compª 189
António Manuel Sousa Faustino, 1º Cabo 324/60, CCS
Arnaldo Branco Almeida, 1º Cabo 320/60, CCS
Fernando Ferreira Fundo, Soldado 261/61, Compª 187
Fernando Manuel Jesus Lobo, 1º Cabo 257/59, CCS
Francisco Alves Silva, Soldado 54/61, Compª 189
-Distinguido com a Cruz de Guerra 4ª classe (OE 15, III, 30.05.1963)-
Hélder Sanches Pires, 1º Cabo 12/60, CCS
-Faleceu em 5 de abril de 1963-
João Francisco Vaz, Soldado 256/61, Compª 187
João Manuel Gomes Veiga, Soldado 955/59, Compª 189
João Martinho Marques Abaladas, 1º Cabo 241/61, Compª 192
Joaquim António Roxo Serra, 1º Cabo 40/60, CCS
Joaquim Nazário Gomes, Soldado 311/60, CCS
José Armando Luisiário, 1º Cabo 254/61, Compª 187
José Augusto Soares, Soldado 262/61, Compª 187
José Bastos, Soldado 258/61, Compª 187
José Brásio Costa, 1º Cabo 172/61, Compª 189
José Conceição Santos, 1º Cabo 764/60, Compª 192
José Ramos Salvado, 1º Cabo 156/RD, CCS
-Distinguido com a Cruz de Guerra 4ª classe (OE 3, III, 30.01.1964)-
Júlio Silva Ribeiro, Soldado 2358/61, Compª 192
Justo Vide Morgado, Soldado 313/60, CCS
Luís Fernandes Ribeiro, 1º Cabo 199/61, Compª 189
Manuel Daniel Ferreira, Soldado 70/61, Compª 189
Manuel Dias Alves, 1º Cabo 4/60, CCS
-Distinguido com a Cruz de Guerra 4ª classe (OE 3, III, 30.01.1964)-
Manuel Francisco Chanca, 1º Cabo 179/RD, CCS
Manuel Jerónimo Alão Almeida, 1º Cabo, 2714/61, CCS
Manuel Silva Morgado, Soldado 432/59, Compª 189
Mário Correia Guedes, Soldado 245/59, CCS 
Registo de parte da atividade operacional do Grupo “O Aço”, nalguns casos atuando conjuntamente com outros grupos de Comandos, nas seguintes datas e lugares:
08.10.1962 – Calunga Samba e Rio Libune.
23.10.1962 a 25.10.1962 – Gongonegongo, Monte Ladeira e São João.
19.11.1962 a 24.11.1962 – Úcua, Pango Alúquem, entre o Monte Pumba, Roça Bom Jesus,
e vales dos Rios Moncolo e Brinco. Operação: “General Freire”.
17.12.1962 a 25.12.1962 – Maciço dos Quiuenenes e Quicabo. Operação: Roda Viva”.
09.01.1963 e 10.01.1963 – Muanda, na região entre o Rio Suege, Quindembe e Zambaxe.
Operação: “Dois Montes”.
27.01.1963 a 09.02.1963 – Quitexe, Muhombo, Quipedro, Quitoque, Quinguenda,
Cananga, Cólua e Rios Lamanha, Uamba e Luica.
19.02.1963 a 18.03.1963 – Úcua, Fazenda Belo Horizonte, Fazenda Santa Clara,
 Pango Aluquém, Quissacala, Banza do Esso, Gingen e Rios Teba, Dange e Quilo.
18.03.1963 e 19.03.1963 – Úcua, entre Quissacala e Gingen. Operação:
“Vingança do Primeiro Morto Comando”.
05.04.1963 – Úcua e Quizondo.
21.06.1963 – Rio Caoza.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

OS COMANDOS NOS TRÊS TEATROS DA GUERRA DO ULTRAMAR – PRESENÇA EM ANGOLA (1º DE 32 EPISÓDIOS)

GRUPO DE COMANDOS “OS VAMPIROS”
Os integrantes deste grupo de Comandos foram originários do Batalhão de Caçadores 185, composto pela Companhia de Comando e Serviço (CCS), a “Flecha de Ouro”, mobilizada pelo Regimento de Infantaria 13 (Vila Real), e as Companhias de Caçadores 190, a “Flecha de Prata”, pelo Regimento de Infantaria 10 (Aveiro), 191, a “Flecha Negra”, pelo Regimento de Infantaria 14 (Viseu) e 193, “Flecha Ervada”, pelo Batalhão de Caçadores 10 (Chaves).
Este Batalhão, sobejamente conhecido por “Flecha”, teve a divisa “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” e embarcou para Angola a 18 de julho de 1961, no navio “Niassa” e desembarcou em Luanda, no dia 28. O regresso a casa verificou-se a 2 de novembro de 1963, no “Moçambique”, com chegada a Lisboa no dia 14 do mesmo mês.
A história da unidade, deste Batalhão, está no Arquivo Histórico Militar, onde poderá ser consultada na cota: 2/2/156/3.
A constituição do Grupo “Os Vampiros”, a seguir descrita, evocando-se nomes, patentes e outros dados, só foi definitiva após os seus componentes terem frequentado voluntariamente o curso específico, com aproveitamento, durante 82 dias, iniciado em 9 de setembro de 1962 e terminado em 30 de novembro de 1962, no Centro de Instrução 21, localizado na Zemba (Norte de Angola), quando voltaram às suas unidades.
A existência e a operacionalidade deste Grupo decorreram durante 337 dias, ou seja, desde o final do curso da especialidade, até ao fim do cumprimento da honrosa missão do Batalhão 185 em Angola, quando regressa à então chamada Metrópole, em 2 de novembro de 1963.
Em Moçambique e na Guiné constata-se que 2 Grupos de Comandos adotaram o mesmo nome: “Os Vampiros”.
CONTINGENTE: 35 Comandos.
COMANDANTE:
José Manuel Garcia Ramos Lousada, Alferes, CCS
-Distinguido com a Medalha de Prata de Valor Militar, com palma (OE 9, II, 01.09.1963)-
SARGENTOS:
Hernando Rosinha Domingues, Furriel, Compª 190
José Paulo Santos, Furriel, Compª 190
Júlio Silva Passos, Furriel, Compª 193
Nuno José Nabais Conde, 2º Sargento, Compª 191
PRAÇAS:
Acácio Sanches Gonçalves, 1º Cabo 461/59, CCS
Adério Borges Reis, Soldado 74/60, Compª 193
Adolfo Sobral, Soldado 586/60, Compª 191
Agostinho Paulino Teixeira Reis, Soldado 91/60, Compª 193
-Faleceu em 25 de setembro de 1963-
Albino António Lopes, Soldado 147/E, Compª 193
António Alves Teixeira, Soldado 207/60, Compª 193
António Elias Castro Garcia, Soldado 319/59, Compª 193
António Fernando Alves Teixeira, 1º Cabo 337/60, CCS
António Oliveira Fresco, Soldado 811/60, Compª 190
António Vaz Espírito Santo, Soldado, Compª 191
Arlindo Aires Baptista, 1º Cabo 31/60, Compª 193
Aurélio António Jorge Simão, Soldado 28/60, Compª 191
David Gentil Alves Carneiro, Soldado 1112/58, Compª 191
Domingos Arantes Gomes, 1º Cabo 125/59, Compª 190
Domingos José Gomes, Soldado 43/60, Compª 193
Eduardo Gomes Souto, 1º Cabo 816/60, CCS
Ernesto António, 1º Cabo 570/60, Compª 191
Fernando Miranda Gomes, Soldado 319/62, Compª 191
Heliodoro José Pinto Caldas, 1º Cabo 1087/59, CCS
-Distinguido com a Medalha de Prata de Valor Militar, com palma (OE 3, III, 30.01.1968)-
Horácio Nascimento, 1º Cabo 178/60, Compª 193
João Albino Afonso, Soldado 17/60, Compª 193
João Filipe Nunes, 1º Cabo 47/60, Compª 190
José António Santos Dias, 1º Cabo 235/60, Compª 191
José Augusto Rosário Lopes, 1º Cabo 922/60, CCS
José Manuel Cabral Cruz, Soldado 4192/61, Compª 190
José Selgas Pires, 1º Cabo 1111/58, Compª 191
Manuel Martins Pereira, Soldado 889/62, Compª 190
Manuel Silva, Soldado 715/60, Compª 190
Mário Miranda Costa Oliveira, Soldado 751/59, CCS
Maximino Pereira Costa, Soldado 197/60, Compª 193
Registo de parte da atividade operacional do Grupo ”Os Vampiros”, nalguns casos atuando conjuntamente com outros grupos de Comandos, nas seguintes datas e lugares:

24.08.1962 a 26.08.1962 – Fazenda Sá e Zemba.
07.09.1962 e 08.09.1962 – Entre o Rio Cambo e a Fazenda Sá.
07.10.1962 – Zemba e Rio Cambo. Operação “Vampiro Ligeiro”.
23.10.1962 a 25.10.1962 – Gongonegongo e Monte Ladeira (São João).
25.10.1962 a 31.10.1962 – Vales dos Rios Lulumba, Calongo e Loche. Operação “Mato Grosso”.
19.11.1962 a 24.11.1962 – Úcua, Pango Alúquem, entre o Monte Pumba, Roça Bom Jesus e vales dos Rios Moncolo e Brinco. Operação “General Freire”.
28.11.1962 a 30.11.1962 – Úcua, região de Mazundo, proximidade da Pedra Turulo.
12.02.1963 – A Sul do Toto.
16.02.1963 a 18.02.1963 – Inga. Operação “1º Acto”.
01.06.1963 – A Oeste de Bembe. Operação “Vai Fogo”.
15.06.1963 e 16.06.1963 – Novamente a Oeste de Bembe. Operação “Mãos Dadas”.
26.07.1963 a 05.08.1963 – Inga e Rio M’Bridge. Operação “Arara Negra”.
22.08.1963 a 24.08.1963 – Bessa Monteiro, Toto e Rio Loge. Operação “Mala Aviada”.

domingo, 15 de dezembro de 2019

OS COMANDOS NOS TRÊS TEATROS DA GUERRA DO ULTRAMAR – GRUPOS INICIAIS - APRESENTAÇÃO E PROGRAMAÇÃO

No início do ano expus ao presidente da Direcção Nacional Associação de Comandos, Senhor Dr. José Ângelo Lobo do Amaral, um projecto que idealizei e pretendo levar a efeito dando realce aos Comandos que cumpriram a sua grata e honrosa missão em África, durante o conflito que decorreu entre 1961 e 1975.
Será um trabalho criteriosamente idêntico ao que fiz com as 121 unidades da Polícia Militar que, também, com galhardia e pundonor estiveram em Angola, Cabo Verde, Guiné, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor.

O senhor Presidente Lobo do Amaral, e seus pares, deram o respetivo aval para avançar.
Nesse sentido, comunico, então, que a primeira série do trabalho que envolve os Grupos de Comandos, os iniciais, que atuaram e cumpriram a sua gloriosa missão, entre 1962 e 1965, em Angola, Guiné, e Moçambique, englobando 957 Comandos (34 Oficiais, 125 Sargentos e 798 Praças), vai ser publicada neste blog.
Destaca-se, naturalmente, as condecorações recebidas (Cruz de Guerra, Valor Militar e Mérito Militar), e os registos, que se lamentam profundamente, das mortes que se verificaram durante o conflito, vai ser apresentada neste blog, nos dias que a seguir se indicam:
 
OS VAMPIROS
BAT. CAÇ. 185 – ANGOLA - 01
16 de dezembro de 2019 (segunda)
 
O AÇO
BAT. CAÇ. 186 – ANGOLA - 02
17 de dezembro de 2019 (terça)
OS PEDRA
BAT. CAÇ. 261 – ANGOLA - 03
18 de dezembro de 2019 (quarta)
OS NOQUI (A)
BAT. CAÇ. 280 – ANGOLA - 04
19 de dezembro de 2019 (quinta)
OS ZEMBA (B)
BAT. CAÇ. 280 – ANGOLA - 05
20 de dezembro de 2019 (sexta)
OS FANTASMAS I
BAT. CAÇ. 317 – ANGOLA - 06
23 de dezembro de 2019 (segunda)
OS FALCÕES
BAT. CAÇ. 325 – ANGOLA - 07
24 de dezembro de 2019 de 2019 (terça)
OS CORSÁRIOS A
COMP. CAÇ. 365 – ANGOLA - 08
25 de dezembro de 2019 (quarta)
OS CORSÁRIOS B
COMP. CAÇ. 365 – ANGOLA - 09
26 de dezembro de 2019 (quinta)
OS CORSÁRIOS C
COMP. CAÇ. 365 – ANGOLA - 10
27 de dezembro de 2019 (sexta)
OS SEM PAVOR
BAT. CAÇ. 379 – ANGOLA - 11
30 de dezembro de 2019 (segunda)
OS DESTEMIDOS
BAT. CAÇ. 380 – ANGOLA - 12
31 de dezembro de 2019 (terça)
 
OS TIGRES

BAT. CAV. 399 – ANGOLA - 13
1 de janeiro de 2020 (quarta)
OS GATOS
BAT. ART. 400 – ANGOLA - 14
2 de janeiro de 2020 (quinta)
OS ESCORPIÕES
BAT. CAV. 437 – ANGOLA - 15
3 de janeiro de 2020 (sexta)
OS APACHES
BAT. CAÇ. 442 – ANGOLA - 16
6 de janeiro de 2020 (segunda)
OS CENTURIÕES
BAT. CAÇ. 503 – ANGOLA - 17
7 de janeiro de 2020 (terça)
OS SOMBRAS
BAT. CAÇ. 505 – ANGOLA - 18
8 de janeiro de 2020 (quarta)
OS AUDAZES
BAT. CAÇ. 511 – ANGOLA - 19
9 de janeiro de 2020 (quinta)
OS LEOPARDOS
BAT. CAÇ. 540 – ANGOLA - 20
10 de janeiro de 2020 (sexta)
OS FANTASMAS II
BAT. CAÇ. 547 – ANGOLA - 21
13 de janeiro de 2020 (segunda)
OS RELÂMPAGOS
BAT. CAÇ. 595 – ANGOLA - 22
14 de janeiro de 2020 (terça)
OS MAGNÍFICOS
ANGOLA - 23
15 de janeiro de 2020 (quarta)
OS FANTASMAS
GUINÉ - 24
16 de janeiro de 2020 (quinta)
OS CAMALEÕES
GUINÉ - 25
17 de janeiro de 2020 (sexta)
OS PANTERAS
GUINÉ - 26
20 de janeiro de 2020 (segunda)
OS VAMPIROS
GUINÉ - 27
21 de janeiro de 2020 (terça)
OS APACHES
GUINÉ - 28
22 de janeiro de 2020 (quarta)
OS CENTURIÕES
GUINÉ - 29
23 de janeiro de 2020 (quinta)
OS DIABÓLICOS
GUINÉ - 30
24 de janeiro de 2020 (sexta)
OS VAMPIROS
MOÇAMBIQUE - 31
27 de janeiro de 2020 (segunda)
OS SOMBRAS
MOÇAMBIQUE - 32
28 de janeiro de 2020 (terça) 

Quem participou nos Cursos realizados em Angola, Guiné e Moçambique;
Números e nomes das Companhias mobilizadas na Metrópole para África;
Consagração dos Comandos galardoados pelos seus feitos;
Tributo aos Comandos que morreram no cumprimento do dever; e
Conclusões. 

Refiro que esta tarefa (agradável, diga-se) é o resultado das inúmeras informações recolhidas em imensos documentos consultados na Associação de Comandos, no Arquivo Geral do Exército, Arquivo Histórico Militar e Biblioteca do Exército, a quem estou imensamente grato pelo esforço despendido em satisfazerem os meus pedidos, tudo sempre com boa vontade e um sorriso cativante e atencioso. 

Contudo, terei de deixar bem vincado que o admirável, histórico e fantástico desenvolvimento, nesta área, feito pela CECA-Comissão para o Estudo das Campanhas de África muito me ajudou a compilar todo o trabalho que trago à vossa presença, sem o qual dificilmente apresentaria algo de qualidade. O meu bem haja aos seus elementos. 

Também foram feitas pesquisas na Internet e realizados contatos com ilustres Comandos que responderam positivamente às solicitações que lhe foram colocadas. A todos o meu profundo agradecimento. 

Entretanto, perante a enormíssima quantidade de Louvores que foram atribuídos a nível individual e às unidades, por toda a hierarquia militar, desde a mais credenciada chefia até aos Comandantes das Unidades, mas, por falta desses dados pormenorizados, importantes num plano desta envergadura, não me foi possível dar o merecidíssimo relevo, pedindo desculpa por tal falta. 

Contudo, irá ser divulgada lista com os nomes dos Comandos que foram agraciados com galardões e a sua especificidade. Ressalve-se o facto das Medalhas de Serviços Distintos e de Mérito Militar não terem merecido o devido levantamento pormenorizado por quem de direito, direi, com bastante pena, não ser possível, nalguns casos, revelar a quem foram atribuídas. 

A homenagem aos Comandos que faleceram durante o decorrer da missão no Ultramar será feita com dignidade, respeito e honra, dando-lhe o devido espaço, com as referências fúnebres de cada militar. 

Por fim, sobre o tema global, recolhi alguns apontamentos que julgo ser importante divulgar, o que faço desde já: 

UM COMANDO É O EXEMPLO PERMANENTE DAS QUALIDADES DO VERDADEIRO MILITAR E COMBATENTE POR EXCELÊNCIA QUE POR SI SÓ SE BASTA, ACTUA E COMPLETA! 

Ser Comando é uma forma diferente de estar na vida. Uma vez Comando, é para todo o sempre!

Mas para se atingir a performance desejável num militar pronto e apto para desempenhar a mais árdua das missões militares, a exigência era, na altura, fator predominante e principal: ser voluntário; possuir desembaraço físico; ter capacidade de resistência à fadiga: ser decidido; ter espírito de sacrifício; usufrui de reflexos rápidos; ser pouco impulsivo assim como pouco impressionável; saber nadar, saber conduzir e operar com rádio. 

Na primeira seleção dos 200 inscritos, ficaram 80 e só terminaram o curso, com aproveitamento, 50 dos instruendos. 

Na altura, só foram Comandos aqueles que passaram por treinamento próprio depois de rigorosa seleção e que pode porque é física e psicologicamente robusto; e que sabe porque conhece o combate; e que quer porque tem princípios e o culto de Honra. 

A interpretação generosa e total do Código Comando é a referência fundamental desta especialidade militar.

A escolha do local do primeiro Centro de Instrução para Comandos foi baseada num princípio prático: ficaria numa área onde abundassem os inimigos. Deste modo, além do treino especial dos militares, obter-se-á o aniquilamento dos bandos inimigos que por lá andassem… 

Mas, todas as histórias têm o seu início e a dos Comandos não foge à regra já que, em 11 de junho de 1958, o então Ministro do Exército encarrega o Major Hermes de Oliveira de estudar a questão e assumir a direção da instrução em Portugal. E avançou-se com o assunto juntando gente e ideias, para levar adiante Unidades Especiais de utilização imediata, nos seguintes escalões: Grupos de ação: 1 Cabo e 8 Soldados, Unidades de missão: a nível de seção (+/- 10 homens); Unidades de combate: a nível de Pelotão (+/- 30 homens); Unidade tática: Companhia (120 homens); Unidade administrativa: Batalhão (+/- 600 homens). 

Em Março de 1959 deslocou-se à Argélia (onde decorria o conflito sangrento que levou à independência da colónia francesa), uma delegação constituída por 6 Oficiais superiores no intuito de localmente o maior número de ensinamentos para a futura formação das tropas portuguesas. Este grupo esteve 10 dias em Paris e um mês no Norte de África e tomou nota de matérias sensíveis, como: a guerra psicológica; sociologia muçulmana; o conhecimento do adversário; a adaptação da tropa à guerra revolucionária; a relevância do tiro instintivo; operações; apoio aéreo; e a educação física militar. 

Contudo, os militares portugueses foram preparados com mais rigor e cuidado nas áreas de topografia, com leitura de cartas, orientação pela bussola e pelos astros; primeiros socorros; técnica de combate; transposição de pista de combate debaixo de fogo real; e a extensão do trabalho de estrada na preparação física militar. Na educação militar e cívica o pessoal foi instruído quanto à forma como devia relacionar-se com as populações ultramarinas. Esta primeira fase foi passada no Batalhão de Caçadores 5 (Lisboa) e o pessoal, em Abril de 1960, seguiu para Lamego (Centro de Instrução de Operações Especiais), onde foi dado início à preparação de operações especiais de contra guerrilha, tais como: a emboscada; a nomadização; o cerco e limpeza, entre outras técnicas.
 
Em 22 de abril de 1959, O Estado Maior do Exército estabelece diretiva, com carater de urgência, para ser criado um Centro de Instrução especializado para preparar a tropa para operações contraguerrilha, guerra subversiva, que veio a acontecer em África. 

O pessoal que estava em exercícios, embarcou em 2 de junho de 1960 para Angola, para Luanda. Falou-se, ainda, na criação do Centro Inter-Armas, em Cabinda, mas a ideia não se concretizou por divergências interpares. Para executar as ditas missões especiais em Angola, exigia-se, em alto grau, total abnegação; grande espírito de sacrifício; alta compreensão do dever militar perante os perigos que ameaçavam a Pátria e o desejo incontido de vencer.
 
Bem, depois foi o terrível conflito que chegou e se desenvolveu, a chamada Guerra no Ultramar, com todas as circunstâncias conhecidas. 

Em 10 de novembro de 1961 ocorreu um fatídico acidente aéreo em Chitado que vitimou oficiais, os quais ao serem substituídos nas suas funções deram abertura à decisão de se criar o tão desejado Centro de Instrução de Comandos, o que aconteceu na Zemba, o CI 21. 

E assim se começou a preparar os Comandos! 

Urgia, portanto, preparar as tropas para uma possível guerra mais dura do que nunca, criar a mística do segrego, da astúcia, do silêncio e do desembaraço. Sem demora criar militares capazes de fazer a guerrilha, de raciocinar sob as piores condições de clima, dotados de inteligência para poderem desembaraçar-se duma situação perigosa, audácia para dar caça sem tréguas ao inimigo, coragem para fazer uso de armas silenciosas, dotados de espírito de equipa de modo a atuar em conjunto tendo sempre em vista que o grupo a que pertencem não pode ser comprometido. 

Ter sangue frio necessário para deixar o inimigo aproximar-se ou aproximar-se do inimigo sem se precipitar, comprometendo-se ou comprometendo o seu grupo, ter preparação física necessária para poder fazer longas marchas, ser resistente fisicamente e moralmente para passar as maiores privações, sem desanimo ou desalento.  Ter paciência de, se necessário, esperar horas, sem falar e sem mexer para surpreender o inimigo, a perseverança para caçar o inimigo, custe o que custar. Ser capaz de desencadear um golpe brutal e desaparecer rapidamente, atuando como verdadeiros fantasmas, quer de noite quer de dia. Autoconfiança das suas possibilidades, agressividade consciente, domínio das situações mais críticas, invulnerabilidade ao isolamento, à fadiga, aos perigos do desconhecido e à desorientação da surpresa. 

Não é possível encontrar todas estas qualidades na maioria dos casos. Daqui a necessidade de criar equipas especialmente selecionadas e preparadas para o efeito, baseadas essencialmente no voluntariado. 

Foi a 25 de junho de 1962 que o CI 21 viu a constituição da fase preparatória da construção que se iniciou a 12 de agosto de 1962, tendo terminado a 9 de setembro de 1962, dia em que começou a instrução do Curso, que terminou em 1 de dezembro de 1962. 

As matérias desenvolvidas, foram: Treino físico, desportos e pistas; tática; informações; organização de terreno; explosivos e artifícios de fogo; ligação; orientação e observação; saúde e primeiros socorros; sobrevivência; campo de infiltração; tiro; ação psicológica; interação da FA: e atuação com helicóptero. 

As aulas decorriam no seguinte horário: manhã, das 07H00 às 11H30; tarde, das 14H30 às 17H00; noite, das 19H00, por vezes sem hora para terminar. 

Desistências do curso, só devido a doença, baixas em combate e falta de aptidão. 

Outras matérias eram ministradas com cuidado e responsabilidade, casos da alimentação, armamento, fardamento, descanso e outras atividades relacionadas com a função militar. 

Os primeiros 22 Grupos de Comandos foram constituídos expressamente por militares oriundos de Batalhões que chegaram a Angola para cumprir a sua missão, sendo a grande maioria voluntários. 

SÍMBOLOS 

DISTINTIVO

O modelo adotado, tinha as seguintes definições:
Um capacete: sinal militar
Um punhal virado para cima: sinal de coragem e vitória
A coroa de louros: sinal de triunfo, glória e destemor 

LEMA
“Audaces Fortuna Juvat”
Verso latino da Eneida, de Virgílio.
Tradução:
  A Sorte Protege os Audazes! 

GRITO DE GUERRA
“Mama Sume!”
Expressão usada pelos membros da tribo Bantu (Sul de Angola),
na cerimónia de entrada na vida adulta.
Tradução:
Aqui estamos, prontos para o sacrifício! 

IMPORTANTE: Este e outros trabalhos relacionados com o tema Comandos serão por mim oferecidos à Associação de Comandos. 

Solicito que se se verificar existirem lapsos, omissões e imprecisões neste complexo trabalho, agradeço que me façam chegar as vossas estimadas observações para proceder, de imediato e em conformidade. 

Espero que gostem do trabalho e estou pronto para receber as observações que acharem por bem.