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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

FILIPE GAMEIRO PEREIRA NÃO MERECIA TAL TRATAMENTO…

Pela pena do senhor seu filho, Jaime dos Santos Pereira, meu bom amigo, foi refutado ao Jornal A BOLA uma lamentável brincadeira de mau gosto num artigo por aquele órgão de comunicação publicado numa referência ao centenário da República, que vale a pena ler para que se sinta o que as pessoas de valor, íntegras e com princípios são hoje são consideradas lastimosamente e sem qualquer contemplação ou compreensão. Onde está o respeito e a devida reverência que o seu nome deve ser evocado como pessoa de bem? São isto jornalistas?!...

Eis a resenha:
No dia 8 de Outubro de 1944 disputou-se um jogo de futebol a contar para o Campeonato Regional de Lisboa entre o Benfica e o Belenenses, em que o desfecho foi usado para, passados 66 anos, pôr em causa a honorabilidade de Filipe Gameiro Pereira falecido há 42 anos.


Como se costuma dizer, “quem não se sente não é filho de boa gente”. Reagi perante tal facto, enviando hoje ao jornal “A Bola” um pedido de rectificação para esclarecimento dos seus leitores.
É esse texto que passo a apresentar:

Quando em Abril de 2008, a propósito do 40º aniversário do falecimento do meu pai, resolvi tomar a iniciativa de registar para a posteridade a sua carreira de árbitro de futebol, dirigente e jornalista(*), nunca pensei que, dois anos volvidos, me deparasse com uma situação, no mínimo de injustiça, como aquela descrita num artigo do suplemento “Jogos do Centenário”, publicado no dia 1 de Setembro de 2010 no jornal “A Bola”.


Na altura resolvi fornecer à redacção desse jornal, informação que consta do blogue que construí, sugerindo que fosse publicado um registo sobre a efeméride.

Constatei que a memória é curta pois entenderam os senhores jornalistas não ter a dita efeméride qualquer relevância, visto que nada publicaram.


Curiosamente a Federação Portuguesa de Futebol teve o mesmo comportamento, sendo a APAF a única excepção, publicando notícia no seu site.Voltando ao artigo de 1 de Setembro de 2010, na página 06 daquele suplemento, com o título “Crucificados por causa de árbitro daltónico” são feitas insinuações torpes no que respeita à honestidade e isenção do árbitro Gameiro Pereira, não sendo reveladas as fontes.

Por outro lado, numa leitura mais atenta, afigurasse-me que, de uma maneira leviana, o articulista, cujo nome desconheço, enquadra a actuação do árbitro no âmbito da perseguição do regime político salazarista a determinado clube de futebol, neste caso ao Sport Lisboa a e Benfica.


Sobre este último aspecto quero desde já repudiar tal tentativa de conotação política de Filipe Gameiro Pereira com o regime salazarista que, eu como seu filho, posso testemunhar.


Ao longo da vida o meu pai sempre se bateu pela verdade e pela justiça, incutindo-me esses valores desde muito novo. Numa leitura rápida do que disse atrás se pode depreender que esses valores eram antagónicos ao pensamento e prática da ditadura deposta no 25 de Abril.

Recordo com saudade uma frase que costumava dizer: “Quando isto der a volta, não vão chegar os candeeiros da avenida para os pendurar…”

Infelizmente não teve vida longa para constatar como estava enganado!
Depois de ter efectuado uma pesquisa (dentro daquilo que me foi possível) recorrendo aos vários documentos escritos na altura sobre o assunto, cheguei à conclusão que o referido trabalho jornalístico só pode ter sido feito com falta de rigor e ignorância.

Sobre o jogo Benfica-Belenenses

Ao contrário do que consta no referido artigo (de Setembro de 2010), em que se refere que a derrota teria como consequência a perda do título pelo Benfica, o jogo fazia parte da 4.ª jornada do Campeonato Regional de Lisboa, disputado no dia 8 de Outubro de 1944 no Campo Grande.


Este campeonato teve 10 jornadas e foi conquistado pelo Sporting na última jornada, disputada em 20 de Novembro de 1944 em que que o Benfica perdeu 1-2 no seu campo com o campeão, ficando a 4 pontos do mesmo.

Constituição das equipas: Benfica – Martins; César e António Carvalho; João Silva, Moreira e F. Ferreira; Manuel da Costa, Arsénio, Espírito Santo, Teixeira e Rogério.Belenenses – Acácio; Vasco e Feliciano; Varela, Gomes e Serafim; Mário Coelho, Elói, Armando, Quaresma e Rafael. Árbitro – Gameiro Pereira.

Segundo registos jornalísticos da altura, guardados pelo meu pai, entre eles um escrito pelo senhor Manuel Mota na rubrica com o título “Os Sports”, em jornal que não me foi possível identificar, consta a seguinte apreciação:
“O trabalho do árbitro – O Sr. Filipe Gameiro Pereira teve intervenções pouco felizes, não raro beneficiando com elas o infractor. Em jogadas irregulares na grande área, não assinalou logo no início do desafio uma rasteira a Armando (do Belenenses) e duas faltas de Feliciano (do Belenenses) na segunda parte, perto do fiscal do jogo.

Quando da invalidação do ponto de Rogério (do Benfica), deve salientar-se que um dos fiscais de linha também assinalou a “deslocação”. Nota: a identificação dos jogadores foi feita por mim para tornar claro o sentido do comentário para aqueles que não os conheçam.

Sobre este artigo do Sr. Manuel Mota não posso ainda deixar de referir o seu título: “A defesa belenenses suplantou o ataque benfiquista” cujo conteúdo reforça aquilo que parece ter sido a verdade do jogo.


Como em muitos casos de ontem, de hoje e que certamente também se repetirão amanhã, o árbitro é “crucificado” quando as coisas correm mal para um dos lados da contenda, não querendo com isto dizer que não possam acontecer erros de arbitragem num jogo de futebol. Aliás, estou convencido que isso é tão normal como um guarda-redes dar um “frango” ou um jogador de campo falhar um golo que parecia tão fácil de meter…

Finalmente e ainda sobre o artigo de “A Bola” uma pergunta: Quais as fontes usadas para se afirmar, conforme o artigo, que a DGD terá proposto uma pena ao árbitro apenas por ter tido o desplante de confessar no boletim de jogo que fora vítima de «certa confusão nas cores das camisolas»?

Para terminar, resta-me lamentar que um jornal desportivo com o prestígio de “A Bola” tenha sido utilizado para lançar acusações e conotações falsas sobre um seu ex-colaborador que desde 1947 até praticamente à data da sua morte, em 1968, quando era representante de Portugal na Comissão de Arbitragem da FIFA, deixando inúmeros artigos escritos naquele jornal sobre o futebol e a arbitragem nacional e internacional.

Nota final: Sinto-me muito honrado pela carreira desportiva e jornalística que o meu pai, Filipe Gameiro Pereira, desempenhou, por aquilo que ele fez em prol deste desporto, em tempos tão difíceis como foram aqueles em que viveu, sugerindo aos senhores jornalistas uma visita ao blogue que criei em sua memória para conhecerem melhor aquele que decidiram pôr em causa e que já não se pode defender.

CURRÍCULO DE FILIPE GAMEIRO PEREIRA

Em 2008, no 40.º Aniversário da sua morte inicia-se a divulgação do que foram as suas actividades como árbitro, dirigente e jornalista do futebol português entre 1931 e 1968, recorrendo aos materiais encontrados no seu espólio constituído por artigos publicados, fotografias, apontamentos e outras documentações.

Filipe Gameiro Pereira nasceu em Lisboa a 18 de Agosto de 1911, tendo desenvolvido a sua actividade profissional na Shell Portuguesa ao longo de 43 anos.

Percurso Desportivo
Iniciou-se no futebol como jogador-amador ainda muito novo e, pelos registos disponíveis, calcula-se que tenha exercido essa actividade durante 10 anos, após o que enveredou pela arbitragem.A partir de 1931 foi árbitro nos vários escalões (Regional e Nacional) tendo dirigido também jogos representativos internacionais de clubes.

Depois de 1948 esteve presente na maior parte dos Cursos Internacionais da FIFA como participante ou conferencista (Reino Unido, Espanha, Alemanha, Suíça eTunísia).Após 19 anos de actividade como árbitro, abandona a mesma principalmente por motivos de saúde e dedica-se ao estudo dos problemas da arbitragem, matéria em que se torna um dos melhores especialistas portugueses reconhecido internacionalmente.

É então que passa a ser secretário-geral da Federação Portuguesa e membro da sua Comissão Técnica. De 1950 a 1953 foi secretário-geral da Comissão Central de Árbitros por nomeação da Federação Portuguesa de Futebol e seu presidente durante cinco anos nomeado pelo Ministério da Educação. Neste período ocupou-se também da organização de Cursos de Formação para Árbitros em Portugal onde foi conferencista e director dos mesmos. Fez parte do Conselho Técnico da Federação Portuguesa de Futebol designado pela Associação de Futebol de Lisboa.
Em 1959 Ingressou no Quadro de Leccionadores e Instrutores da Comissão de Arbitragem da FIFA.Em 1966, após o Mundial de Futebol desse ano, foi indicado para a Comissão de Arbitragem da FIFA representando Portugal naquele organismo.

Actividade jornalística
Paralelamente ao seu percurso como árbitro e dirigente escrevia artigos sobre a prática do futebol, desde 1948.É principalmente graças à sua iniciativa que nasce o Boletim Mensal “O Árbitro” onde colabora activamente ao longo dos seus onze anos de existência (1957).
Em 1960-61 escreve regularmente para o jornal desportivo “A Bola” na rubrica “Panorama da Arbitragem” e em 1962 na rubrica “Questões de Arbitragem”.

Entre 1966 e 1968 escreve para os jornais: “Diário Popular” - “Uma vez por semana”; “Record” -“O Campeonato do Mundo de Futebol – 1966”, “Temas de Arbitragem”; “Miscelânea”
Publicou ainda dois livros: “O Que foi o Curso de Londres” (1951) e “Apontamentos sobre a arbitragem do futebol”(1963).

Desde 1953 que se ocupou da organização e direcção dos “Cursos de Aperfeiçoamento de Arbitragem”, tendo sido realizado o primeiro em Lisboa a 23 de Julho de 1954.
Em 1967 leccionou no “I Curso de Treinadores de Futebol” a matéria “Leis do Jogo”. Levou aos mais diversos pontos do país, através de palestras, a informação e o esclarecimento sobre variados temas acerca do futebol e em particular da arbitragem.
Na fase final da sua vida dedicava grande atenção, e esboçou projectos, sobre o “Desenvolvimento do Futebol Juvenil”, tema que infelizmente já não pôde desenvolver.
No Domingo 28 de Abril de 1968, com 57 anos, faleceu na sua casa em Queluz, vítima de um acidente vascular cerebral. Em Agosto do mesmo ano é-lhe conferida a título póstumo a Medalha de Bons Serviços Desportivos.

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Entretanto, no seu blogue (http://fgpereira.wordpress.com/) escrevi o seguinte comentário:

Estimado Amigo e Senhor
Jaime Pereira
Na verdade o jornalista que fez a notícia pretendeu fazer uma brincadeira (de muito mau gosto), mas afectou a dignidade da pessoa de bem que foi Filipe Gameiro Pereira, saindo-lhe o tiro pela culatra, pois ignora em absoluto que há gente que defende e defenderá os princípios de ética e da verdade no futebol português e da sua arbitragem, quando atacada da forma mesquinha como o foi.
Filipe Gameiro Pereira, foi uma pessoa de princípios, sério e extremamente exigente para com as funções que desempenhou, quer na área desportiva (Árbitro conceituado e respeitado e dirigente de alto gabarito), quer na profissional (funcionário superior da Shell Portuguesa) e aparece agora um qualquer dito jornalista a enxovalhar o seu nome, o que, para mim, é um verdadeiro e grave atentado aos bons costumes.
Gameiro Pereira para além de inúmeras e importantes referências elogiosas que recebeu ao longo da sua vida, os cargos de responsabilidade que exerceu, foi, também, o mentor da criação da associação da classe dos Árbitros. Alvitrou, em Maio de 1958, a implementação da entidade que hoje existe, a APAF-Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, fundada em 12 de Maio de 1979.
O dito senhor jornalista em vez de se espalhar no título do artigo e das insinuações que fez, poderia aceder a qualquer motor de busca na net e procurar saber quem foi Gameiro Pereira. Simples! No meu blogue tem matéria bastante para ler e ficar a saber (em pormenor) os feitos e iniciativas dum grande Homem. Deve, pois, fazer mea-culpa, do mal que provocou aos familiares e amigos daquele que não se pode defender, o que lhe ficava muito bem. Quem erra, tem que se penitenciar…
Chamar daltónico a uma pessoa que estava obrigada a fazer periodicamente exames médicos para actuar como Árbitro, essa não lembra a ninguém, se não a uma pessoa que quis ser engraçada e borrou a pintura por falta de senso, categoria e sentido de responsabilidade.
Aquele abraço do
Alberto Helder.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

NAQUELE TEMPO (XII)

Do número 14 do Boletim O ÁRBITRO, referente ao mês de Agosto de 1958 (vá lá vão cinquenta anos...), destaca-se o seguinte:

Na capa, Ricardo Ornelas, é homenageado pelos 40 anos de jornalismo desportivo, com Filipe Gameiro Pereira a entregar-lhe lembrança alusiva.
-Filipe Gameiro Pereira (à esquerda) cumprimenta Ricardo Ornelas-

Ainda Filipe Gameiro Pereira enaltece a figura de Cândido de Oliveira, ilustre jornalista falecido na Suécia. Também, noutro artigo, despede-se do cargo de dirigente da Comissão Central de Árbitros, que exerceu durante oito anos.

Transcreve-se as Leis XV e XVI do Guia Universal para Árbitros.
Na rubrica “Um Árbitro estrangeiro de mês a mês” é dada a palavra ao suíço Paul Wyssling (n. 05.01.1912 e f. 30.10.1970), que marcou presença em dois mundiais 1954-Suiça e 1958-Suécia.
-Paul Wyssling-

A “Agenda do Árbitro” dá a conhecer uma mão cheia de notícias de deslocações de Árbitros e Dirigentes da Metrópole para o então Ultramar português, apresenta pêsames, e diz que o húngaro Istvan Somos vai publicar um livro com as memórias dos internacionais de todo o mundo, tendo, para isso, contactado nesse sentido os colegas portugueses. (Nota: baseado nesta iniciativa, estou a divulgar o trabalho “A Arbitragem nos Mundiais”, desde 1930-Uruguai a 1982-Espanha, em doze episódios).

Sobre um original do jornalista Aurélio Márcio é replicado com um artigo, cujo cabeçalho interroga: “Será o Árbitro o verdadeiro culpado?” Nas Notícias Regionais destaca-se a palestra proferida pelo Tenente-Coronel Ribeiro dos Reis na Comissão Distrital de Lisboa.
Outro tema de destaque: Os Árbitros Portugueses são tão bons ou melhores do que a grande maioria dos Estrangeiros. Ray Morgan escreve sobre as relações entre o Árbitro e os Jogadores, onde deve imperar cortesia e força moral.
-António Ribeiro dos Reis, a referência-
Noticia-se que o 1º Curso de Instrutores de Árbitros em Angola foi um êxito, superiormente dirigido por Filipe Gameiro Pereira.

Joaquim Campos revela as suas impressões sobre o Campeonato do Mundo, onde esteve presente e actuou em 5 jogos (1 como Árbitro principal e 4 como Auxiliar).

O Dr. Décio de Freitas (veterinário), deslocou-se a Inglaterra em missão profissional, mas dá conta dos contactos que teve com a comunidade arbitral. Diogo de Leo, do Peru, diz da organização do sector de arbitragem no seu país. Na página Apitadelas vêm as informações mais importantes. Na colecta Grito de Alarme, com destino ao infeliz colega de Setúbal, Aureliano Augusto Fernandes, vítima de bárbara agressão, o valor recolhido está em 920$00. -Joaquim Campos e o Rei da Suécia-

Quase a terminar, é apresentado o movimento de caixa e o balanço do Boletim, relativo ao seu primeiro ano de existência, que teve o saldo positivo de 139$70. Anota-se, como curiosidade, que algumas das despesas foram feitas em telegramas, selos fiscais e imposto de selo…

Por fim, na contracapa, uma de publicidade: Joaquim Campos, que aparece a cumprimentar o Rei Gustavo VI da Suécia, enverga o blusão da marca Carval, que usou no mundial.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

NAQUELE TEMPO (I)
















Inicio hoje a divulgação dos acontecimentos mais marcantes do panorama da arbitragem desde há 50 anos, graças ao facto de possuir a colecção completa do Boletim O Árbitro.

Assim, quanto ao número 1, de Julho de 1957, destaco o seguinte:

1. Para além da mensagem de abertura, assinada pelo seu primeiro Director, Dr. Décio de Freitas, que expressa votos de esperança, prosperidade e colaboração de todos os que se interessam pela causa, registam-se também as palavras amáveis de Sir Stanley Rous, que esteve presente numa palestra na então Comissão Central de Árbitros e que chegaria a Presidente da FIFA em 1961, do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Ângelo Ferrari, do Presidente da Comissão Central, Filipe Gameiro Pereira (foto superior esquerda), o consagrado Ribeiro dos Reis, nosso representante na Comissão de Arbitragem da FIFA e do seu Departamento das Regras do Jogo, Manuel Mota, jornalista e antigo árbitro, Ricardo Ornelas, redactor do jornal Diário Popular, e Reis dos Santos, antigo Árbitro FIFA (e meu Grande Amigo que já desapareceu).
2. São transcritos trabalhos pelos Árbitros João Banheiro que fala sobre a autoridade do Árbitro, com o qual ganhou o 1º prémio do Ciclo de Palestras de 1957, e Mestre Francisco Gonçalves Guerra (foto inferior esquerda), que, nas conferências da Comissão de Arbitragem do Porto, proferiu tema sobre a lei XII (Faltas e Incorrecções).
3. Por motivos de ordem profissional não foi possível ao então Presidente da Comissão Central, Filipe Gameiro Pereira, aceitar o convite para colaborar num curso de aperfeiçoamento dos Árbitros escoceses, mas iria estar presente em Agosto no Curso de Instrutores realizado pela FIFA, em Macolin (Suiça).
4. Curiosidade: Nesta altura estava em estudo e organização o Seguro do Árbitro.
5. Os primeiros elementos que colaboraram no Boletim: Director: Dr. Décio de Freitas. Editor: Joaquim Campos, FIFA. Redactores: Abel Macedo Pires, Eduardo Gouveia (FIFA), Raul Martins (FIFA), Virgílio Leitão e Joaquim Carvalho. A Redacção e a Administração estavam situadas na rua da Emenda, 30-1º andar (Lisboa), com o telefone (fixo) 20721. O custo do exemplar era de 3$50 (três escudos e cinquenta centavos).

Sobre o número 2, referente a Agosto de 1957, tenho a distinguir:

1. A divulgação da atribuição da medalha de bons serviços ao Árbitro FIFA Paulo de Oliveira, de Santarém, (ver foto-reparem que se usava casaco para dirigir o jogo), pela Federação Portuguesa de Futebol.
2. As resoluções tomadas pela Comissão Central dos Árbitros, realçando-se o agradecimento ao Ministro da Defesa Nacional pela autorização concedida a furriéis e sargentos para frequentarem Curso de Árbitros Militares realizado em Coimbra. O título e o correspondente prémio do melhor Árbitro da época 1956/1957 foi atribuído ao Mestre Francisco Guerra e aos seus auxiliares. Outorgada a Medalha de Bons Serviços aos Árbitros que atingiram o limite de idade: José Coreia da Costa (Porto), Libertino Domingues (Setúbal), Luís Magalhães (Lisboa), Paulo Oliveira (Santarém). Foram propostas para Árbitros FIFA, Abel da Costa (Porto), Eduardo Gouveia (Lisboa), Fernando Valério (Setúbal), Francisco Guerra (Porto), Hermínio Soares (Lisboa), Inocêncio Calabote (Évora) e Joaquim Campos (Lisboa). Que, a partir da época 1957/1958 os Árbitros Assistentes não possam permanecer em cada equipa mais do que duas épocas. Que se interceda junto da FPF a revisão dos prémios das II e III Divisões, tanto para os Árbitros como dos seus colaboradores. As reuniões anuais com os Conselhos de Arbitragem foram assim elaboradas: 31 de Agosto de 1957 (sábado), no Porto, com Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Porto, Vila Real e Viseu. No dia 7 de Setembro (sábado), em Lisboa: Beja, Castelo Branco, Évora, Faro, Leiria, Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal. Todos deverão apresentar relatório sobre os temas a tratar.
3. O Mestre Joaquim Campos é louvado pelo Cônsul de Portugal na Corunha pela sua participação no jogo Atlético de Bilbao-Vasco da Gama, para a taça Tereza Herrera.
4. De Hermínio Henrique Soares, FIFA, é reproduzido o trabalho por si apresentado na Comissão Central, cujo tema foi Leis V e VI do Código do Jogo.
5. É relatado, ao pormenor, como decorreu o 3º curso de Instrutores realizado pela FIFA e na Suiça, onde esteve Filipe Gameiro Pereira.
6. O curso anual dos árbitros portugueses realizou-se nas instalações da sede (!?) da Comissão Central, tendo como prelectores, Ribeiro dos Reis (Leis do Jogo), Prof. José Esteves (Preparação física), Reinaldo Torres (Relatórios do jogo) e Filipe Gameiro Pereira (Curso de Instrutores FIFA-Suiça).
7. Divulga-se lista com os 17 Delegados (correspondentes) do Boletim, faltando os da Horta, Bragança e Ponta Delgada. Também se dá conta da lista de nomes dos 16 colegas estrangeiros que pretendem colaborar no Boletim
8. Do Mestre Joaquim Campos é descrito um seu artigo, com o título: A dualidade de critérios é o corolário de paixões e do desconhecimento das leis.
9. É accionada a Tribuna do Árbitro, primeiras consultas e respostas a questões técnicas relacionadas com o sector.
10. Curiosidades: É afirmado que não é muito viável o aumento de prémios para os jogos da primeira divisão. No que diz respeito aos encontros da segunda e terceira divisões, pode ser que se dê um jeitinho (sic). A Grécia, Israel, Roménia e Turquia estão dispostos a aceitar para os seus jogos a nomeação de Árbitros portugueses.
11. A foto da equipa de arbitragem, constituída por Abel da Costa (actualmente com 94 anos de idade), Joaquim Campos (com 83), que foi o Árbitro, e António Calheiros (já falecido), reporta-se ao jogo Saint Ettienne-Milão, na final da Taça Latina, disputada em Madrid, no dia 23 de Junho de 1957 (domingo).

E, por agora é tudo, até à próxima. Ai que saudades, ai, ai…

sábado, 1 de novembro de 2014

NAQUELE TEMPO – NOVEMBRO DE 1964 – EPISÓDIO 87



No boletim “O Árbitro” nº 89 (Ano VIII), publicado há 50 anos, os temas principais foram:
A recolha de fundos a favor da família de Mário Costa atingiu, até então, o valor de 6.351$60.
EQUIPA DE ARBITRAGEM PORTUGUESA EM GÉNOVA
Confirmando a notícia aqui divulgada o Árbitro Manuel Lousada Rodrigues [26.06.1919†07.05.2011), de Santarém, os Assistentes Francisco Gonçalves Guerra [04.09.1917†30.11.1986], do Porto e Hermínio Henrique Soares [23.05.1915†26.09.1981], de Lisboa, dirigiram em 4 de Novembro de 1964, a partida entre as selecções de Itália e Finlândia, cujo desfecho final foi favorável aos transalpinos por 6-1, com 3-0 ao intervalo. Este jogo contava para o grupo 8 de apuramento para o Mundial de 1966-Inglaterra.
1.Vindo de Lourenço Marques Aurélio Balsinhas está a gozar, entre nós, um período de férias. 2.Romeu José Pimenta de Sousa, do Funchal, abandonou a arbitragem, assim como Aníbal da Silva Marques Ferreira, de Aveiro. 3.Faleceu Artur Dias da Cruz, de Braga. 4.Promovido a Sargento-Ajudante o dirigente da Comissão de Angra do Heroísmo, João Avelino de Sousa. 5.David Alves Carneiro, de França, regressou a Aveiro e António Rosa de Almeida Verniz, de Setúbal para Santarém, e Arlindo Barros de Lima, de Nampula para Angola. 6.Felicita-se César Augusto Reigadas, de Lisboa, pelo nascimento do seu filho. 7.O Sporting Clube de Espinho comemorou os seus 50 anos de existência e Ivo de Araújo, representou a Comissão Central. 8.Armelim do Carmo, de Viseu, está recuperar a saúde no Sanatório do Caramulo. 9.Estão de luto António Martins da Cruz, de Leiria, pelo falecimento de seu pai e Mário Jorge Rosa Ventura, de Lisboa, por sua mãe. 10.Juviano Pascoal, de Lisboa, procura novo emprego na Alemanha. 11.Filipe Gameiro Pereira de parabéns pelo casamento de sua filha. 12.Os dirigentes da Comissão Central foram recebidos pela direcção federativa.
“Fiat Lux”, da autoria de António Augusto Santos. João Gomes, aborda “Os Cursos de Aperfeiçoamento”. “Para além do canal da Mancha”, coordenação e colaboração do Prof. Marques de Matos e Joaquim Campos. Filipe Gameiro Pereira continua a prestar “Esclarecimentos acerca do Guia Universal”. Do “Tratado Ilustrado de Leis de Futebol” é exposto o aliciante assunto: A finta na execução da grande penalidade: Barros de Araújo, assina “Na sequência de uma lição retardada”.
O PRIMEIRO NÚCLEO DE ÁRBITROS NA RÉGUA!
A Comissão Distrital de Vila Real procedeu no dia 10 de Novembro de 1964 à inauguração desta iniciativa numa das salas da Associação dos Bombeiros Voluntários locais contando com a presença de entidades civis e desportivas. Aproveitando a oportunidade foi adiantada a realização de Curso de Candidatos, com formadores reguenses a administrarem três aulas por semana.
O espanhol José Ruiz Casasola ingressou na arbitragem em 1947/48, no Colégio de Andaluzia, onde dirigiu 68 partidas regionais. Em 1955 passou à segunda categoria nacional. Em 1958 ascendeu ao escalão seguinte. Tem sido chamado para actuar em jogos de risco elevado e as suas actuações são merecedoras de rasgados elogios. É Internacional e o seu baptismo aconteceu no Estádio do Restelo, em 16 de Setembro de 1964, quando dirigiu o encontro entre o Belenenses e o Shelbourne (1-1), a contar para a Taça das Cidades com Feiras, tendo como colegas Joaquim Campos e Hermínio Soares. O seu currículo regista 280 jogos como Árbitro e 106 como auxiliar.
1.A Comissão Central cessante, na pessoa do seu presidente, Dr. Fernando Augusto Henriques Pimenta, agradeceu às Distritais e aos seus filiados pela colaboração recebida, assim como louvou o pessoal da secretaria que a apoiou administrativamente. 2.A Direcção do Boletim “O Árbitro” apresentou cumprimentos de cortesia aos novos dirigentes da Central. A FIFA enalteceu o êxito do II Curso Nacional de Aperfeiçoamento enviando uma mensagem a Filipe Gameiro Pereira, da qual se transcreve o seguinte parágrafo: Notámos com muito prazer, que o curso levado a efeito em Lisboa, foi um sucesso, aproveitando a oportunidade para agradecer a sua acção, durante os referidos trabalhos e muito especialmente a Comissão Central de Árbitros, pelo esforço dispendido na sua organização.
NO BANCO DOS RÉUS…
Manuel Amorim Ferreira da Costa, de Aveiro, num oportuno artigo põe a nu algumas situações que afectam os intervenientes nos jogos de futebol, propondo, até, medidas apropriadas à Federação. Vejamos então quais as ideias que sugere para melhorar os desempenhos dos Árbitros, treinadores, massagistas, médicos, atletas, jornalistas e fotógrafos: a criação da área técnica, equipamentos clínicos para apoiarem os necessitados em cima do acontecimento, balneários com condições de higiene, lugares condizentes para os homens da imprensa e para os operadores de imagem.
FESTA DOS ÁRBITROS AVEIRENSES
Foi brilhante o resultado das provas físicas que os filiados realizaram no Estádio Mário Duarte.
Na presença de tantas e tão ilustres personalidades participaram 55 concorrentes nos 80 e 1500 metros.
Seguiu-se o almoço e o tempo de intervenções circunstanciais, mas, no final, foi deliberado enviar ao presidente federativo, Justino Pinheiro Machado, telegrama a sensibilizá-lo para apoiar a arbitragem nacional e regional.
1.Filipe Gameiro Pereira (na foto a receber uma lembrança aquando do II Curso de Aperfeiçoamento) dá, em três apontamentos, informação preciosa quanto à questão de jogador expulso em provas internacionais, esclarecendo os Árbitros o procedimento a efectuar nestas circunstâncias. 2.Assistiu, num jogo das competições lisboetas, ao facto do Árbitro ter dado como estranho um jogador que ao intervalo integrou a equipa sem seu conhecimento.
O juiz falou com o jovem que se dirigiu ao seu treinador que lhe entregou o cartão licença o qual por sua vez cedeu ao Árbitro. 3.Por fim recolheu o depoimento do antigo jogador Jack Clough, que ingressou na carreira da arbitragem, e confessou a sua ignorância enquanto praticante mas os conhecimentos que veio a adquirir fizeram com que atingisse o patamar mais elevado como Árbitro.  
 

O responsável por esta rubrica esclarece o sr. Alberto dos Santos Costa, da Beira (Moçambique), da decisão assumida pelo Árbitro João Vagueiro quando procedeu à identificação de jogador que entrou indevidamente no rectângulo de jogo e participou na partida.
1.Manuel Maria Amorim Ferreira da Costa administrador deste espaço insurge-se contra a Federação pelo facto dos treinadores serem punidos por transmitirem instruções para dentro do campo aos seus pupilos quando colegas seus que exercem a função de jogador-treinador fazem-no tranquilamente sem qualquer castigo. 2.O presidente da FIFA Sir Stanley Rous é defensor que os jogadores expulsos no decorrer dos encontros sejam punidos com severidade, já que os violentos e incorrectos são sobejamente conhecidos. 3.A Federação espanhola está atenta a estes prevaricadores, aplicando penas condizentes com as infracções cometidas.
1.Dá-se a conhecer o lançamento do segundo volume do “Tratado Ilustrado das Leis de Futebol”, de Prof. Marques de Matos, obra interessantíssima com mais de 600 páginas. 2.Carlos Dinis, Árbitro da primeira categoria e de futebol e internacional de andebol, foi convidado pela Federação Espanhola desta modalidade para participar no Mundial a realizar-se em Madrid. 3.Outra equipa de arbitragem portuguesa no estrangeiro, Joaquim Campos, Décio de Freitas e Aníbal de Oliveira dirigiram o Bilbau-Royal Antuérpia, no dia 18 de Novembro de 1964, em San Mamés, desafio ganho pelos espanhóis por 2-0. 4.Os familiares do malogrado Ribeiro dos Reis acordaram destinar uma quarta parte do remanescente da subscrição para o mausoléu, no montante de 10.000$00, para premiar um trabalho publicado sobre leis do futebol, assunto a cargo da Comissão Central de Árbitros. 5.O Atlético de Madrid determinou castigos severos aos seus jogadores que discutam as decisões dos Árbitros, ideia que também poderia ser seguida em Portugal…
PAGAMENTO DE ASSINATURAS
É chamada uma vez mais a atenção para o atraso que se verifica com os subscritores de além-mar. Pede-se que satisfaçam os seus compromissos, pois, em caso contrário, deixarão de receber o boletim, devido aos altos encargos com a sua expedição.
Carlos Leal (na foto) é um agente da Polícia de Segurança Pública que, ao longo de mais de dez anos, tem prestado o seu valioso serviço nos Estádios da Luz e de Alvalade e demonstrado ser um amigo dos Árbitros, graças à sua inteligência, valentia e dedicação na solução de situações por vezes complicadas. É um exemplo para todos!
PORTUGAL-ESPANHA 
Os Árbitros holandeses que dirigiram o amigável dérbi ibérico, realizado 15 de Novembro de 1964, no Estádio das Antas (Porto), cujo resultado final foi-nos favorável por 2-1. Ao intervalo subsistia o empate (1-1): Principal, Pieter Paulus Roomer. Auxiliares: C. Arkenbout e H. J. Genninsen.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

NAQUELE TEMPO (XL) – DEZEMBRO 1960

Do exemplar 42 de O ÁRBITRO, órgão oficial da Comissão Central de Árbitros de Futebol, destaca-se os seguintes temas: O trabalho elaborado pelo artista Carlos Rezende, que vem na capa, alusivo à quadra natalícia foi cedido a título gracioso ao Boletim. -Cipriano Carvalho-
TEM A PALAVRA UM JORNALISTA – Cipriano de Carvalho, de Viseu, desenvolve o tema NINGUÉM É PROFETA NA SUA TERRA. Lamenta que o Árbitro seja atacado indiscriminadamente (espectadores, comunicação social, etc.) e entre no rectângulo de jogo já com um elevado grau de inferioridade, que assusta. Deseja que as entidades que superintendem no desporto-rei promovam as campanhas adequadas para erradicar tal situação. -Filipe Gameiro Pereira-
TÍTULOS – Décio de Freitas, director da publicação, assina PRIMEIRO CONTACTO. Filipe Gameiro Pereira, instrutor FIFA, escreve sobre UM PROGRAMA DE TREINO… Jaime Alves Baptista, Árbitro da Comissão Distrital de Lisboa, evidencia A ARBITRAGEM E O JORNALISMO. O espanhol António Molinos demonstra O MENOSPREZO DA LEI XIV. Carmo Lourenço salienta QUANDO A OBSTRUÇÃO DISFARÇA FALTAS MAIS GRAVES. Rafael Batista Rodrigues, Árbitro em Lourenço Marques (hoje Maputo, Moçambique) redige E PORQUE NÃO VANTAGEM NA LEI XV? Ramos Cavaleiro pergunta AFINAL EM QUE FICAMOS? -Jaime Alves Baptista-
LEIS DO JOGO 1960/1961 – São transcritas as alterações aprovadas pelo International Football Association Board em 18 de Junho de 1960, em Saint Andrews (Escócia). -Rafael Batista Rodrigues-
AGENDA DO ÁRBITRO – Transferências, nascimentos, viagens, novos assinantes, saudações de amizade, novos dirigentes, actuações no estrangeiro, cursos profissionais, licenciamentos, cursos de candidatos, promoções foram alguns dos assuntos focados há cinquenta anos… ASSIM VAI O MUNDO DA ARBITRAGEM – Esta nova rubrica aborda informação da FIFA e de diversas Federações nacionais que abordam assuntos de vária ordem. -Ivo Afonso-
NOTÍCIAS – A Distrital de Beja dá conta do programa do III Curso de Aperfeiçoamento de Candidatos a Árbitro que se iniciou a 22 de Outubro e terminou a 1 de Dezembro de 1960. Foram seus docentes António Ribeiro dos Reis, Francisco Guiomar, Francisco de Sousa Pacheco, Prista Caetano, Manuel Vaz Valente, Ivo Afonso, Mário Gomes Alves, Henriques Pinheiro, Leite Rainho, Joaquim José Filhó, Manuel Melo Garrido e Filipe Gameiro Pereira. Ivo Araújo é felicitado pelo Boletim pela inclusão no elenco da Comissão Central de Árbitros de Futebol. É divulgada uma extensa lista de nomes que endereçaram votos de Boas Festas a O ÁRBITRO, que agradeceu e retribuiu. CONFRATERNIZAÇÃO LUSO-ESPANHOLA
O espanhol Vicente Caballero foi alvo de merecida homenagem num restaurante de Lisboa. Dado que veio dirigir o jogo das selecções B de Portugal e da França, um grupo de amigos resolveu consagrar a sua dedicação à causa de arbitragem e à excelente relação de amizade que mantém com os colegas portugueses, incluindo a colaboração no Boletim, com os seus interessantes artigos.
PÁGINA DA COMISSÃO CENTRAL – Anuncia que a entrada em vigor do Seguro dos Árbitros será a 30 de Outubro de 1960, culminando assim uma aspiração dos seus filiados que remonta aos primórdios do exercício oficial da função (1910). O presidente cessante da Comissão Central expressa louvores a todos os elementos da redacção do Boletim pela activa e proveitosa actividade que desenvolveram em prol da arbitragem.
APITADELAS – Houve má educação por parte de um clube que no seu campo e através da instalação sonora atacaram a arbitragem e a Imprensa de forma muito dura.
Informa que em Espanha voltou a ser utilizado o sistema de sorteio para indicar os Árbitros para os jogos dos seus campeonatos. Os clubes portugueses não param de pedir inquéritos às actuações dos Árbitros nos campeonatos federativos, mas somente quando perdem… A questão do limite de idade para o Árbitro se manter em actividade levou a que houvesse pedidos de licenciamento antes da decisão assumida pela hierarquia. Poderão voltar? A Comissão Central pôs em prática a nomeação dos seus filiados para jogos onde intervenha clube que pertencem à mesma Associação. Prova da confiança que os dirigentes têm na classe. DELEGADOS - Realça-se a actividade eficaz, profícua, consistente e insistente dos seguintes representantes do Boletim: Na foto em cima Alberto do Carmo Lourenço (Nampula), João Lopes Gonçalves (Castelo Branco), Joaquim da Costa Deitado (Inhambane) e Alfredo Bernardo Antunes (Leiria). BIBLIOTECA – O pouco movimento de ofertas é destaque para que as contribuições sejam mais e melhores. Todos têm de colaborar no engrandecimento desta iniciativa para bem da cultura geral de todos os seus utilizadores.
PINGOS DE TINTA – César de Jesus conta-nos dois episódios dignos de serem conhecidos. O primeiro foi passado num jogo regional no Norte do país entre dois grupos que disputavam os pontos de capital importância para as suas aspirações. Acontece que o clube da casa marcou um golo e o Assistente correu para o meio campo considerando válido o ponto. Já o Árbitro assim não entendeu e a polémica instalou-se dentro e fora do rectângulo. Instado a consultar o seu auxiliar assim o fez que confirmou que, para si, não havia qualquer irregularidade na obtenção do golo. No final os directores da equipa visitada queriam que o Assistente assinasse uma declaração afirmando ter o ponto sido legal! Naturalmente que recusou. Mas, para amedrontar o Árbitro, até exigiam-lhe a declaração aposta no relatório, dado que se havia equivocado, isto para lhe salvarem a vida, segundo diziam… Analisado o comportamento dos adepto, dos jogadores e dirigentes houve punições para todos e para o campo também, pois até foi interditado! O segundo caso decorreu num jogo dito amigável, com a falta do árbitro nomeado. Recorreram a um antigo e categorizado jogador que se encontrava na bancada, que acedeu dirigir o prélio. Iniciada a partida e depois de muitas contrariedades, invectivado pela multidão e pelos intervenientes teve a seguinte ideia genial. Num momento de inspiração, tendo a bola a seus pés, driblou um jogador no meio do terreno, depois outro e por fim ainda mais um e só parou quando calmamente fez golo! Depois, tirando o apito fora desabafou: É assim que se joga seus anjinhos…

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

NAQUELE TEMPO (XIII)

O Boletim O Árbitro 15, referente ao mês de Setembro de 1958, divulga o seguinte:

A informação mais significativa reporta-se à sucessão na presidência da Comissão Central de Árbitros com a entrada de Coelho da Fonseca para o lugar de Filipe Gameiro Pereira. -Coelho da Fonseca e Filipe Gameiro Pereira-
Nos artigos de opinião, Filipe Gameiro Pereira assina o título “O Árbitro é o Patrão…”. Caballero, correspondente em Espanha, identifica a sua crónica com “Ares de Espanha”.
Arthur Ellis, o conceituado colega inglês, é o escolhido para escrever em “Um Árbitro estrangeiro de mês a mês”. Joaquim Campos descreve, uma vez mais, as suas impressões sobre o Campeonato do Mundo. Carmo Lourenço num seu extenso artigo proclama que o Lançamento lateral não tem razão de existir, corroborando a Federação Escocesa que pretende a sua substituição por um pontapé livre indirecto. -Arthur Ellis, Árbitro FIFA-
Noticiário: O V Curso de Preparação física para os filiados da Comissão Distrital do Porto. É dado a conhecer os elementos que fazem parte do Quadro Nacional principal, efectivos (E) suplentes (S), distribuídos pelos Distritos de Aveiro (2=S), Beja (1=E e 1=S), Braga (1=S), Coimbra (1=E) e (2=S), Évora (1=E) e (1=S), Leiria (2=E), Faro (1=S), Lisboa (9=E) e 6=S), Porto (6=E) e 4=S), Santarém (2=E) e (2=S), Setúbal (2=E) e 3=S), Vila Real (1=E) e Viseu (1=S). Na rubrica Agenda do Árbitro destaca-se a mensagem da Federação Grega de Futebol que elogia a participação de Eduardo Gouveia que dirigiu a meia-final da Taça daquele país. -Comité de Árbitros madrileno-
A Federação Portuguesa de Futebol procedeu à alteração das Tabelas das Diárias, Transportes e Prémios de Arbitragem. Como registo dá-se conta que, naquela altura, o Árbitro que dirigisse um jogo da 1ª Divisão auferia 400$00 e os seus assistentes 150$00! Já a final da Taça melhorava a remuneração para 600$00 e 200$00, respectivamente… Para o escalão júnior: 100$00 e 30$00… É publicado o primeiro Estatuto da International Board. Continua a publicar-se as alterações às Leis do Jogo para a época 1958/59. O montante da recolha de fundos para o infeliz Aureliano Fernandes já ultrapassou os mil e trezentos escudos. -Árbitros do Porto no seu curso anual-
Termina este número com as habituais Apitadelas e uma lista de novos assinantes, dos quais se destacam os que residem em África e nas Ilhas Adjacentes.

Ver mês de Agosto:

http://albertohelder.blogspot.com/2008/08/naquele-tempo-xii.html