quarta-feira, 8 de setembro de 2010

JOSÉ TORRES, O BOM GIGANTE, DEIXOU-NOS…

José Augusto da Costa Sénica Torres, de seu nome completo, nasceu em Torres Novas faz hoje precisamente 72 anos, faleceu na passada sexta-feira, dia 3, num Hospital de Lisboa, devido à doença (Alzheimer) que se declarou em 2000. O seu corpo foi sepultado no Cemitério da Amadora, Concelho de Sintra. Futebolista, com os seus quase dois metros de altura, era uma figura imponente, característica e respeitada por todos os seus colegas de profissão, fossem da sua equipa ou adversários. Simples, metódico, trabalhador, honesto e leal faziam dele um jogador de elite, para mais, como avançado, os muitos golos que marcava, para delírio das multidões que o apoiavam de forma fantástica, constante e aguerrida. Estreou-se na primeira categoria do Sport Lisboa e Benfica em 25 de Outubro de 1959, num jogo disputado no Estádio da Luz, com o Sporting Clube da Covilhã, ganho pelos anfitriões por 2-1, com o José Torres a marcar o golo do empate, aos 75 minutos. (Nota: jogo a que assisti!). Segundo o fascículo 57 da Colecção Ídolos do Desporto, os seus colegas do Benfica foram padrinhos de outras alcunhas para além da que mais vingou, (ver título desta homenagem): Canada Dry (Barroca), Boi-Cavalo (Mário João), Girafa (Costa Pereira), Cabra Alta (Neto) e Cristo-Rei (Mário João). Nomes que nunca o aborreceram, melhor, até achava graça… A partir daí e até 27 de Julho de 1971, dia em que deixou o clube, os êxitos foram enormes, como se passa a descrever: 9 Campeonatos Nacionais (1959/60, 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68, 1968/69 e 1970/71). 4 Taças de Portugal (1961/62, 1963/64, 1968/69 e 1969/70). 1 Bota de Prata (1962/63), 1 Troféu Ramon Carranza (1963). Melhor marcador da Prova Campeões Europeus, com 9 golos em 9 jogos, a par de Eusébio (1964/65). Esteve, ainda, presente em 3 finais europeias de clubes (1962/63, 1964/65 e 1967/68), mas não foi feliz. Pelo Benfica alinhou em 259 jogos e marcou 226 golos! Pela Selecção Nacional participou em 33 partidas assinando 14 golos. O seu primeiro desafio foi com a Bulgária (02.06.1962). Continuou em actividade até 1980, passando pelo Vitória Futebol Clube, de Setúbal (1972/75) e Grupo Desportivo Estoril Praia. (Nota: em 08.09.1974 - faz hoje precisamente 36 anos!... -participei, como Assistente, no jogo Vitória de Setúbal-Boavista Futebol Clube e José Torres estava no banco dos responsáveis a dirigir a equipa setubalense. Na foto estou à esquerda dos malogrados Adelino Antunes e Carlos Trindade). Enveredou pela carreira de treinador em diversos clubes e, também, tomou conta da selecção portuguesa na esperança de conseguir o apuramento para o 1986-México o que veio a verificar-se. A frase “deixem-me sonhar…” foi-lhe registada antes do jogo com a Alemanha na fase de apuramento e Portugal obteve, fora de portas, a vitória necessária para carimbar o passaporte para o mundial. Desta aspiração ao inferno foi um passo com o que se passou em Saltillo, vendo-se envolvido nas reivindicações que os seleccionados apresentaram em género de ultimato à Federação Portuguesa de Futebol. Para si, foram os dias mais tristes porque passou, na sua bela carreira desportiva. A Columbofilia também foi uma das suas paixões. Na data do seu nascimento expresso o meu sentido e profundo e enorme obrigado a José Torres pelo que fez, representou e dignificou o futebol português, quer com a camisola do Benfica ou da selecção nacional. Hoje, no nosso futebol precisávamos de muitos iguais a ele. Os seus valores e princípios que defendia e que praticava são exemplos para todos nós: Humildade, raça, garra, determinação, suor, sacrifício e vontade de vencer os adversários que defrontava eram a sua imagem de marca.

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