terça-feira, 20 de janeiro de 2009

JOHN LANGENUS – O PRIMEIRO DOS PRIMEIROS NOS MUNDIAIS!

Este Árbitro belga, que também se identificava como Jan, Jean, Johannes ou Julian, nasceu em Berchem (Antuérpia) a 8 de Dezembro de 1891, onde faleceu no dia 1 de Outubro de 1952, com 60 anos de idade.

Não foi por acaso que a FIFA o nomeou para dirigir a primeira final dum mundial de futebol, dado que foi levada em consideração a sua experiência, o seu perfil e, acima de tudo, a sua forte personalidade, aliada à sua compleição física. Como Árbitro de futebol participou em três mundiais (1930-Uruguai, 1934-Itália e 1938-França) e nos Jogos Olímpicos de 1928-Amesterdão.

Desde quando dirigiu o seu primeiro encontro internacional, em 25 de Fevereiro de 1923, com 32 anos de idade até se retirar, em 1939, com 48, arbitrou 63, repito, 63 partidas entre selecções dos seguintes 27 países: Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Checoslováquia, Chile, Dinamarca, Egipto, Escócia, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irlanda, Itália, Jugoslávia, Luxemburgo, Noruega, Peru, Polónia, Portugal, Roménia, Suécia, Suiça e Uruguai. Naquele tempo poder-se-á considerar uma epopeia! Passeou a sua real categoria por muitos estádios, com imenso público, vibrante e entusiasta, pois nos primórdios do futebol os adeptos eram aguerridos e dedicados. Foram 28 as cidades que o viram actuar e, entre parêntesis, indica-se o número de jogos realizados quando as visitou: Amesterdão (4), Barcelona (1), Basileia (1), Belgrado (2), Berlim (1), Bordéus (1), Bucareste (7), Budapeste (2), Colónia (1), Cracóvia (1), Dresden (1), Dublin (4), Estocolmo (4), Glasgow (1), Londres (3), Madrid (2), Montevideu (4), Nápoles (1), Nuremberga (1), Paris (6), Porto (1), Praga (8), Roma (1), Sevilha (1), Trieste (1), Varsóvia (1), Viena (3), Vigo (1). Eis a lista oficial (credenciada pela FIFA) dos encontros que dirigiu:
1923.02.25, Paris, França (B), 3-Luxemburgo, 2.
1924.09.21, Estocolmo, Suécia, 6-Noruega, 1.
1926.09.28, Praga, Checoslováquia, 1-Áustria, 2.
1927.04.23, Dublin, Irlanda, 1-Itália, 2.
1927.06.19, Estocolmo, Suécia, 0-Dinamarca, 0.
1927.10.23, Praga, Checoslováquia, 2-Itáilia, 2.
1928.04.01, Viena, Áustria, 0-Checoslováquia, 1.
1928.05.30, Amesterdão, Uruguai, 2-Holanda, 0. (Jogos Olímpicos).
1928.06.09, Amesterdão, Egipto, 3-Itália, 11. (Jogos Olímpicos).
1928.11.11, Roma, Itália, 2-Áustria, 2.
1929.03.17, Sevilha, Espanha, 5-Portugal,0.
1929.05.15, Madrid, Espanha, 4-Inglaterra, 3.
1929.08.04, Cracóvia, Polónia, 2-Checoslováquia, 2.
1929.10.06, Praga, Checoslováquia, 5-Suiça, 0.
1930.02.23, Porto, Portugal, 2-França, 0.
1930.05.11, Paris, França, 2-Checoslováquia, 3.
1930.06.14, Praga, Checoslováquia, 2-Espanha, 0.
1930.07.18, Montevideu, Peru, 0-Uruguai, 1. (Mundial)
1930.07.22, Montevideu, Argentina, 3-Chile, 1. (Mundial)
1930.07.26, Montevideu, Argentina, 6-USA, 1. (Mundial)
1930.07.30, Montevideu, Uruguai, 4-Argentina, 2. (Mundial)
1931.02.15, Paris, França, 1-Checoslováquia, 2.
1931.05.14, Paris, França, 5-Inglaterra, 2.
1931.06.17, Estocolmo, Suécia, 0-Alemanha, 0.
1931.08.02, Belgrado, Jugoslávia, 2-Checoslováquia, 1.
1931.12.13, Dublin, Irlanda, 0-Espanha, 5.
1932.05.08, Amesterdão, Holanda, 0-Irlanda, 2.
1932.12.07, Londres, Inglaterra, 4-Áustria,3.
1933.02.12, Paris, França, 0-Áustria, 4.
1933.03.05, Amesterdão, Holanda, 1-Hungria, 2.
1933.04.02, Vigo, Espanha, 3-Portugal, 0.
1933.04.09, Praga, Checoslováquia, 2-Áustria, 1.
1933.09.17, Praga, Checoslováquia, 3-Áustria, 3.
1933.11.29, Glasgow, Escócia, 2-Áustria, 2.
1933.12.06, Londres, Inglaterra, 4-França, 1.
1934.04.29, Bucareste, Roménia, 2-Jugoslávia, 1.
1934.05.16, Praga, Checoslováquia, 2-Inglaterra, 1.
1934.05.27, Trieste, Roménia, 1-Checoslováquia, 2. (Mundial)
1934.12.16, Dublin, Irlanda, 2-Hungria, 4.
1935.05.12, Colónia, Alemanha, 1-Espanha, 2.
1935.05.26, Dresden, Alemanha, 2-Checoslováquia, 1.
1935.09.22, Budapeste, Hungria, 1-Checoslováquia, 0.
1936.01.19, Madrid, Espanha, 4-Áustria, 5.
1936.02.23, Barcelona, Espanha, 1-Alemanha, 2.
1936.03.17, Dublin, Irlanda, 1-Suiça, 0.
1936.05.06, Viena, Áustria, 2-Inglaterra, 1.
1936.05.10, Bucareste, Roménia, 3-Jugoslávia, 2.
1936.10.04, Bucareste, Roménia, 1-Hungria, 2.
1937.04.11, Basileia, Suiça, 1-Hungria, 5.
1937.05.09, Viena, Áustria, 1-Escócia, 1.
1937.05.17, Estocolmo, Suécia, 0-Inglaterra, 4.
1937.05.23, Budapeste, Hungria, 2-Áustria, 2.
1937.06.27, Bucareste, Roménia, 2-Suécia, 2.
1937.12.01, Londres, Inglaterra, 5-Checoslováquia, 4.
1938.03.20, Nuremberga, Alemanha, 1-Hungria, 1.
1938.05.14, Berlim, Alemanha, 3-Inglaterra, 6.
1938.05.18, Praga, Checoslováquia, 2-Irlanda, 2.
1938.06.04, Paris, Alemanha, 1-Suiça, 1. (Mundial)
1938.06.19, Bordéus, Brasil, 4-Suécia, 2. (Mundial)
1938.10.23, Varsóvia, Polónia, 2-Noruega, 2.
1938.12.04, Nápoles, Itália, 1-França, 0.
1939.05.24, Bucareste, Roménia, 0-Inglaterra, 2.
1939.06.04, Belgrado, Jugoslávia, 2-Itália, 1.

Para além de ter sido autor de 3 livros, ainda reprovou quando fez o primeiro exame para ser Árbitro de futebol. Uma pergunta que nunca soube responder: o que fazer quando a bola bater num avião que voasse a baixa altitude… Ficou célebre por suas duas determinações: a exigência de um seguro de vida para si e para os seus auxiliares para poderem actuar no derradeiro jogo e a decisão de fazer disputar cada parte do Uruguai-Argentina com bolas diferentes, as que ambas as selecções tinham sugerido para o encontro. O sorteio foi a fórmula encontrada e a bola argentina foi a primeira a ser utilizada. Como curiosidade, transcreve-se parte de uma entrevista que o jogador uruguaio Ondino Viera (nasceu em 10.11.1901 e faleceu em 1997) deu, aqui há uns anitos, a uma revista da especialidade, sobre o derradeiro jogo: Bem, o dia da final... Lembro-me do clima de guerra que lia nos jornais: “A Taça do Mundo regressa a Montevideu”. O árbitro John Langenus levantou o seu seguro de vida, e após o jogo solicitou ajuda para deixar o Estádio, mas o pedido não foi satisfeito e teve que deixar o Estádio por um túnel. Foi desta forma que as coisas se passaram, num autêntico clima de guerra, e foi este o entusiasmo que sentimos. Esquecemo-nos de assegurar o necessário para auxiliar o árbitro. Mesmo assim foi auxiliado por um voluntário, e conseguiu sair com o seu seguro de vida, foi mesmo afortunado. Creio que toda a gente teve sorte, não existiram grandes lutas. Queríamos ver quem ganharia o jogo. Os uruguaios e os argentinos estavam envolvidos em torcer pelas suas equipas, pelos golos, pelo golo do empate e do desempate.

Como nota final, diremos que todas as fotos aqui divulgadas são do jogo final do 1º Mundial, destacando-se da indumentária, as calças, quase à golfe, boné, casaco com largas algibeiras e a sua famosa gravata! Um espanto… Ver mais: http://albertohelder.blogspot.com/2008/06/arbitragem-nos-mundiais-1930-uruguai-i_18.html

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

ETIQUETA

Diz o dicionário que, além de ser um substantivo feminino, é um conjunto de cerimónias usadas na corte e no trato social; trato cerimonioso; regra; estilo; legenda; rótulo que se põe sobre alguma coisa para indicar o conteúdo, o preço, etc.

O que pretendo explanar nesta crónica, é o que o Árbitro, o responsável pela partida que vai dirigir entre duas dignas equipas adversárias, tenha o máximo de lisura comportamental perante aqueles a quem vai avaliar quanto a procedimentos técnico e disciplinar, compartilhar o momento e relacionar-se enquanto estiver nas funções para que foi preparado.

Terá que ter permanentemente uma atenta introspecção do que é a sua missão específica no seio do futebol e praticá-la sem rodeios, sem arbitrariedade, sem autoritarismo ou arrogância.

Deve saber ouvir e decidir, agindo em conformidade. O facto de ser o responsável máximo na direcção do desafio para que foi nomeado, não lhe dá o direito de se sobrepor às leis e aos regulamentos, e à ética que a tarefa requer e obriga.

Procurará, na cabina da equipa de arbitragem, elucidar, objectivamente e com a tranquilidade exigida, os delegados dos clubes intervenientes no espectáculo para situações que se prevêem venham a acontecer, tais, como exemplo, a questão onde devem os suplentes fazer os exercícios de desentorpecimento muscular, quando necessitar de nova bola, a questão do comportamento dos responsáveis no banco de suplentes e lembrar o que está estabelecido quanto ao modo de dar instruções durante o jogo aos seus atletas, as substituições, que o jogo deve começar à hora marcada, o procedimento a ter quanto a lesões dos jogadores e tantas outras circunstâncias que possam vir a surgir durante a partida.

Enfim, um rol de vicissitudes que, tratadas antecipadamente, são excelentes créditos para o Árbitro que, como chefe de equipa, deve ser só ele a transmitir essas indicações com os seus interlocutores directos e nunca delegar essa tarefa aos seus auxiliares, pese embora a categoria e estatuto que possuam. Dentro do terreno de jogo, para além de tentar chamar os atletas e os elementos do bancos pelo seu próprio nome – nem sabem o que de vantajoso lhe é proporcionado quando este género de tratamento personalizado é desenvolvido – e ter atitudes que o enobrecem, sem dedos espetados ou gestos menos conseguidos ou apropriados, sem gritar ou discutir com quem quer que seja.

Impor-se, isso sim, pela discrição, saber e tolerância. Exibir os cartões disciplinares sem agressividade ou com insensatez. Falar com o máximo de respeito para ser respeitado. Saudar quem tem de cumprimentar. Evitar tocar nos jogadores, quer quando se encontrem no solo ou colocados nas barreiras.

O Árbitro se tiver que dizer algo aos elementos do banco de suplentes é lá que o deve fazer, e nunca à distância, a clamar, dando uma de fraqueza a todos que o vêem, que logo entendem, estar a evitar dar mais uns passos e de que está a ter excesso de autoritarismo, do género: eu posso, eu quero e eu mando!

Os Assistentes, para além de estarem totalmente empenhados na tarefa que lhes confere a lei, devem prestar toda a colaboração ao seu colega que se encontra a dirigir a partida. Evitar a todo o custo intromissão nos seus poderes. Terão que ter especial atenção aos procedimentos ilícitos por parte dos interventores no jogo e, se for caso disso, transmiti-los pormenorizada e objectivamente ao Árbitro, para que, de acordo com a sua análise, actue de harmonia com a decisão que assumirá e nunca por “imposição” do colega que logo lhe disse para mostrar o cartão da cor tal…

É gratificante que o Árbitro e os seus colegas passem despercebidos, que façam o seu trabalho com humildade e de harmonia com o que está estipulado quanto ao cumprimento das leis e regulamentação. A sinalética adoptada deve ser aquela que estão nos compêndios e não outra ao gosto pessoal de cada qual, o que mais se vê nos rectângulos de jogo.

Quando o jogo terminar haverá que, tão depressa quanto possível, despachar a documentação oficial, com as incidências que se verificaram (golos, advertências ou expulsões, recolha de assinaturas e tudo o que for necessário tratar, como o preenchimento do relatório) e devolver aos dirigentes credenciados dos clubes os seus próprios documentos (cartões dos inscritos na ficha de jogo) para que, sem esperas escusadas ou despropositadas, façam o seu regresso tranquilamente e sem delongas.

Em suma: O Árbitro sabe leis, está bem preparado física e psicologicamente, mas terá que ter em conta que tudo o resto também é da sua competência. Por isso é que as entidades organizadoras das competições confiam na sua personalidade, na sua conduta.

Se todos os Árbitros procederem assim, fora ou dentro do relvado, verão que serão sempre recordados pelas pessoas que foram tratados com lhaneza já que o respeito é sempre algo que se pratica e nunca imposto!

A nossa etiqueta é estar sempre (mas sempre) bem connosco, com o futebol e com todos os seus agentes!

domingo, 18 de janeiro de 2009

CAMARATE – PONTE DE FRIELAS

-Paulo Henriques, Luís Fernandes e João Marques-
Realizou-se na tarde do passado domingo, dia 11 de Janeiro, no alindado e funcional Campo da Quinta dos Barros (relvado sintético), o encontro da 14ª jornada do Campeonato Distrital da II Divisão, série 2, disputada por 18 clubes, entre as equipas do Grupo Desportivo Águias de Camarate (fundado em 01.08.1950) e da União Desportiva Ponte de Frielas (f. 03.06.1949), cujo desfecho foi favorável aos visitados por 4-1, com 2-0 ao intervalo. Antes deste jogo a classificação dos contendores, com 13 jogos já realizados, era a seguinte: CAMARATE: 2º lugar, com 28 pontos, resultante de 9 vitórias, 1 empate e 3 derrotas. Marcou 32 golos e sofreu 17. PONTE DE FRIELAS: 8º posto, com 19 pontos, de 5 vitórias, 4 empates e 4 derrotas. Bolas: 27-23. Eis os elementos que dirigiram o desafio (todos eles frequentam o Núcleo de Lisboa): Árbitro, LUÍS JESUS FERNANDES (n. 16.09.1989), é Árbitro da 2ª categoria distrital e estudante na área de Ciências e Tecnologia (está no 12º ano). Está na arbitragem desde 2005 e aspira atingir os mais altos patamares da carreira. Assistentes: JOÃO PEDRO PLÁCIDO MARQUES (n. 12.12.1979), é Árbitro da 1ª categoria distrital e ingressou no C.A. da A.F.Setúbal na época 1997/1998. Transferiu-se no início desta temporada para Lisboa e pretende ascender aos quadros da 1ª categoria para participar na direcção dos jogos profissionais. É Técnico Administrativo. PAULO JORGE OLIVEIRA HENRIQUES (n. 10.03.1970), é Árbitro de 1ª categoria Distrital, veio para a arbitragem em 1997/98 e, como o colega anterior, também foi transferido de Setúbal na mesma altura. É Especialista de Controlo de Pragas. Para além de dar o seu melhor nos jogos que espera dirigir por muitos e bons anos, também pretende, face à sua experiência, ajudar os Árbitros jovens a guindarem-se na actividade arbitral. Numa tarde de sol mas muito fria, tive o grato prazer de cumprimentar o meu Bom Amigo António Cardoso e o antigo Árbitro Júlio Lopes, que foi meu formando… Nota Pessoal: O último jogo de seniores que participei como Árbitro neste campo, ainda com o piso de terra batida, foi em 4 de Janeiro de 1992, às 18H00. Ai que saudades, ai, ai…

sábado, 17 de janeiro de 2009

NÚCLEO DE SANTIAGO – 30 ANOS DE PERSISTÊNCIA

Foi uma festa bonita aquela que o Núcleo de Confraternização dos Árbitros de Futebol de Santiago do Cacém (fundado em 6 de Janeiro de 1979), proporcionou aos inúmeros participantes na comemoração dos seus primeiros trinta anos da sua existência, carreira que acompanhei bem de perto. -O Presidente Conselho de Arbitragem de Setúbal com a Vereadora do Desporto-
O jantar-convívio no Restaurante Sabor & Arte, nas Cumeadas, bem perto do centro de Santiago de Cacém, reuniu na passada sexta-feira, dia 9, convidados e dirigentes do Núcleo onde a palavra-chave era o futebol. Também se falou das arbitragens e o tema do simpósio Uma Outra Visão da Arbitragem. -Venâncio Tomé, o nóvel Assistente FIFA, Antonino Silva e Bruno Paixão-
Logo após, no auditório da Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, bem no meio da Cidade, realizou-se o prometido colóquio com a presença de cerca de 80 assistentes que escutaram com muita atenção o painel de um conjunto de ilustres palestrantes. Foram eles: Jaime Pacheco, Treinador, Cândido Costa, Jogador, Vítor Proença, Presidente da Câmara Municipal, Bruno Paixão, Árbitro da 1ª categoria nacional e FIFA e Vítor Pereira, Presidente da Comissão de Arbitragem da Liga. -Paulo Sérgio, Bruno Paixão e Vítor Pereira-
Paulo Sérgio, da Antena 1, foi quem moderou o debate. Na sessão, que teve a duração de quase três horas, existiu sempre um diálogo aberto e objectivo, com a participação activa dos assistentes, que colocaram questões pertinentes sobre a matéria e outros assuntos relacionados, não deixando, por vezes, de haver momentos de boa disposição resultantes da agradável conversação participada e entendida como necessária neste género de manifestações. -José António Costa e Amílcar Pinela-
Esteve presente e interveio no tema, o antigo jogador internacional João Alves, que, em homenagem ao seu avô, Carlos Alves, participante na Olimpíada de 1928, começou a imitá-lo usando luvas pretas nos jogos de futebol, isto dois dias depois do seu ente querido falecer. Também houve lugar a distinções pessoais, aos grandes impulsionadores do suporte e continuidade do Núcleo, casos de José António Costa e Amílcar Pinela e do próprio Núcleo em data de aniversário especial, o qual, de mim, mereceu uma lembrança alusiva. -João Alves, o luvas pretas, e Vítor Pereira-
Após o colóquio foram cantados os parabéns ao Núcleo e o tradicional bolo de aniversário foi distribuído a todos os presentes. Vítor Pereira e eu viajamos na companhia de Antonino Silva, a quem agradeço a boleia.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

PARA QUANDO O PORTUGUÊS COMO 5ª LÍNGUA OFICIAL NA FIFA?

É importante que a FIFA-Fédération Internationale de Football Association e os seus 208 países filiados entendam que é relevante, justo e urgente a consagração do português como quinto idioma mais falado no mundo do futebol, depois das línguas obrigatórias, como seja o inglês, o espanhol, o francês e o alemão.As mais recentes vitórias do português Cristiano Ronaldo e da brasileira Marta, como os melhores praticantes do desporto-rei a nível universal, são, sem dúvida, um valioso contributo para tal aspiração. É que as conquistas lusófonas já vêm de longe, pois a primeira atribuição de prémios de excelência aconteceu em 1991 e o Brasil, desde então, já arrecadou a bonita soma de 36 troféus, sendo 14 de jogadores, 6 de jogadoras, 12 da selecção e 4 diversos. Aqui não constam outras distinções senão aquelas que são entregues nas galas. Portugal tem 4 citações. Tudo isto não justificará a aceitação da nossa língua no seio da FIFA? Saberá a entidade que regula o futebol mundial que somos 239.810.624 a falar português nos 7 países que adoptaram a língua de Camões? Como curiosidade, direi que na Confederação Africana de Futebol o português já é falado oficiosamente nas Assembleias-gerais, graças ao empenhamento das Federações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, movimento liderado pelo presidente desta última, o meu bom amigo Manuel Dende. A FIFA está à espera de quê? Uma vez que já foi ultrapassada por uma das suas confederações, há que, naturalmente, copiar os bons exemplos…

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

CARLOS PINHÃO – UM SENHOR DAS LETRAS!

A expressão “Ai que saudades, ai, ai…” que eu muito uso nas recordações que me são queridas, era a imagem de marca deste grande e inigualável homem que a todos cativava com a sua simplicidade, solidariedade e fraternidade, que tive o privilégio de conhecer e contactar em inúmeras vezes. Carlos Alberto da Silva Pinhão, de seu nome completo, nasceu no dia 4 de Maio de 1924, na Freguesia do Beato e faleceu em 15 de Janeiro de 1993, fazendo hoje precisamente dezasseis anos que nos deixou. Mas a sua memória será eternamente lembrada pelo que representou para as letras, para o jornalismo e, acima de tudo, para a sua amada Lisboa. Mestre na arte de escrever, inovador, cronista de eleição, quase 50 anos de carreira, razões suficientes para alguém dizer que era um Homem Grande num pequeno país. Iniciou a sua actividade em 1947 no extinto jornal Sports. Trabalhou ainda nos seguintes periódicos: Mundo Desportivo, Diário Popular, Século Ilustrado, Público e A Bola, onde ingressou em 1955 e permaneceu mais de 30 anos. Aqui ficou célebre o seu espaço “A duas colunas” cuja leitura era muito apreciada por todos seus fãs, eu incluído, tendo até enviado textos que foram publicados, principalmente sobre São Tomé e Príncipe, que visitou. Os leitores dos jornais Marca (Espanha), France Soir (França) e Les Sports (Bélgica) também usufruíram dos seus trabalhos de excelência. Carlos Pinhão tinha duas grandes paixões: o desporto e a cidade de Lisboa. Escreveu obras bastante diversas uma vez que publicou livros de humor, poesia, literatura infantil e crónicas, destacando-se sobretudo nos seus escritos nos jornais A Bola e Público. Eis a sua bibliografia: A Ponte sobre o tédio (1966), Entrevistas sem entrevistado e O meu barbeiro (1968), Futebol de A a Z (1976), Bichos de Abril (1977), Uma gaivota com óculos e outras histórias (1979), O lançamento do díscolo: realidade e alienação em desporto (1980), A Onda Grande e Boa, O professor do pijama azul e Era uma vez um coelho francês (1981), O coelho atleta e a sua escola de desporto (1983), O senhor que não sabia contar histórias, Vovô bicho e Sete Recados (1984), Lua não, muito obrigado (1985), Certo dia no deserto (1988), Senhor ABC (1989), Benfica-O voo da Águia (1990), Abril Futebol Clube (1991), Uma gaivota com óculos e Biografia de Carlos Lopes (1992) e João Campeão (1994), edição póstuma. Importante referir que alguns dos livros citados foram recomendados para o Ensino Básico. A-propósito transcrevo um texto inserido em “Abril Futebol Clube, Futebol de A a Z, página 87. Letra A=Árbitro: A figura número um do jogo… não joga, isto é, não chuta. É o primeiro a entrar em campo e o primeiro a entrar em acção, apitando para o desafio começar, do mesmo modo que lhe caberá também a última palavra: a apitadela que põe termo ao encontro. O Árbitro não pode ser encarado como um inimigo, temos que o ajudar, até porque é muito difícil a sua tarefa: velar pelo cumprimento das regras do jogo. Pode errar, como homem que é, mas, em princípio, o árbitro tem sempre razão, sabe as regras, é um amigo mais que também entra no jogo. Não lhe chamem imparcial, porque ele pode afinar e com alguma razão. Se é árbitro, é imparcial, isto é, não é parte, não é parceiro, está de fora das equipas, está acima. Chamar-lhe imparcial é admitir que ele podia não o ser, compreendem?... E ele pode não gostar. Carlos Pinhão recebeu imensas distinções, mas há que destacar: -Grau de Comendador da Ordem do Mérito, atribuída a título póstumo,
em 18 de Agosto de 1993.
-Medalha de Ouro do Concelho de Oeiras, atribuída também a título póstumo
em 1 de Junho de 1994;
-O Prémio Júlio César Machado (crónicas do jornal Publico, sobre Lisboa);
-Medalha de Mérito Desportivo, em 2 de Fevereiro de 1993, conforme consta o Despacho 13-ME/93, publicado no Diário da República 46/93, de 24 de Fevereiro, II série, página 2032, que diz: Considerando o brilhante currículo do jornalista desportivo Carlos Alberto da Silva Pinhão; Considerando o longo percurso iniciado no extinto Os Sports, prosseguindo no Mundo Desportivo e finalizando no jornal A Bola, onde permaneceu fielmente ao longo de 38 anos; Considerando o reconhecimento do seu talento como repórter e como cronista, a sua paixão ao jornalismo desportivo e a sua participação na criação do Clube Nacional da Imprensa Desportiva; Considerando o reconhecimento de muitos colegas seus sobre a sua invulgar personalidade de humanista, que constitui uma referência para muitos jornalistas; Considerando a humildade e simplicidade com que brilhantemente sempre usou o seu instrumento de trabalho que foi a língua portuguesa; Considerando que deve ser dado público reconhecimento a quem da lei da morte de libertou e entrou já no panteão dos jornalistas eleitos e na história do jornalismo desportivo nacional;
Determina-se: É concedida, a título póstumo, a Carlos Alberto da Silva Pinhão a medalha de mérito desportivo, nos termos dos artigos 3º e 6º do Decreto-Lei 55/86, de 15 de Março. O Ministro da Educação, António Fernando Couto dos Santos.
Há que dizer bem alto: Carlos Pinhão, obrigado por tudo o que proporcionaste a todos nós, ao país e às letras!!!