



A-propósito transcreve-se a seguir um texto de António Gomes Almeida, divulgado na net, em Histórias de Publicidade, com o título: Ir à Bola com o Natalino:

“Voltando ao Natalino (que também fora colaborador do "Picapau"): chamava-se ele Natalino Melquíades, era pequenino, de bigodinho preto e olho brilhante, sempre divertido e bem disposto. Era dono das tabacarias da estação do Rossio e passava os dias na tabacaria do piso superior, à entrada da gare. Era uma loja pequeníssima, com um balcãozinho de meio metro e, lá dentro, apenas o espaço suficiente para o Natalino ter um banco e uma pequena prancheta. Dizia ele: "Não me peçam bonecos grandes, que eu não posso fazer coisas maiores que uma folha de papel de máquina!" E era mesmo assim. Isso não o impediu de produzir uma torrente caudalosa de capas, caricaturas e anedotas para diversas publicações. Mas, na verdade, a maior parte do seu trabalho aparecia nos Ridículos (terminou a publicação em 1984) que era, nessa época, um jornal muito apreciado, onde trabalhava, por exemplo, o Nelson de Barros, um grande autor de revistas do Parque Mayer.
Então, encostado ao balcão minúsculo da sua minúscula tabacaria, ambos envoltos no cheirinho bom das cigarrilhas que ele fumava, lá combinei com o Natalino o que deveríamos fazer para a "Bola". O título da secção seria "Off-Side". E, daí a dias, tínhamos o material pronto e fomos entregá-lo. O Carlitos Pinhão apresentou-nos ao administrador, o dr. Vicente de Melo, que tinha uma cara suficientemente fúnebre para ficarmos de pé atrás, quanto ao apoio que poderia dar a uma secção de humor... Mas, enfim, lá acertámos as coisas - e a secção começou a sair”.

Assim, durante uns tempos, tenho a honra de dar a conhecer o imenso trabalho qualificado de um dos mais talentosos desenhadores portugueses, a quem todos nós estamos agradecidos: Natalino Melquíades.
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