



NOTA: Procedeu-se à transcrição integral do título e do texto sem qualquer alteração na sua forma ou conteúdo. Entretanto, face à dimensão desta obra a sua divulgação será feita em 3 partes.

RESUMO
Pouco se tem publicado a respeito da Arbitragem de Futebol e deste contexto, quase não se encontram referências bibliográficas que tratem deste universo e suas adversidades. Os trabalhos existentes, geralmente, trazem descrições sobre atletas e ambiente esportivo. O presente trabalho pretende relacionar a literatura sobre coerção e seus subprodutos com a avaliação de possíveis fatores causadores de estresse na Arbitragem de Futebol de campo. Para tal, a metodologia utilizada foi a da pesquisa bibliográfica, realizada em bases de dados específicas, na busca da elaboração de uma síntese entre os temas relacionados. Um objetivo adicional é contribuir para produção de literatura específica em um campo tão escasso.
Palavras-chave: Coerção, Arbitragem, Desempenho esportivo.
INTRODUÇÃO
O objetivo da presente pesquisa foi o de explorar a literatura sobre estresse no esporte, especificamente na arbitragem de futebol de campo. Buscou-se definir estresse, relacionando-o ao conceito de "Coerção" (SIDMAN, 1995), desempenho na arbitragem e sua relação. Deste modo esperava-se localizar na literatura indicadores acerca do surgimento do estresse, de suas fontes, e de sua relação com o desempenho em campo dos árbitros.
CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ARBITRAGEM
De acordo com Cruz (1997), os árbitros junto com os jogadores e treinadores são imprescindíveis em competições esportivas. A atuação deles em muitos esportes é o ponto chave para o espetáculo, mas para que tenham boa atuação necessitam não só de preparo técnico, como também de boa preparação psicológica; uma realidade que muitos profissionais da Psicologia do Esporte ainda não se deram conta, o que justifica a escassez de material bibliográfico.
Considerando-se que existem pouco material sobre arbitragem, em Psicologia do Esporte, os psicólogos não devem dispensar o assessoramento dos árbitros para conhecerem o contexto desta população específica. Este motivo, por si só, já justifica a necessidade de se pesquisar para conhecer mais sobre esta área, o que corrobora com a idéia desta pesquisa.
Em muitas áreas os árbitros são cobrados excessivamente e, apesar disso, eles devem ser precisos e objetivos, pois sua atuação pode definir o espetáculo esportivo. Para que o trabalho do árbitro se dê de forma imparcial e justa, existem alguns fatores que devem ser considerados como o estado emocional, que pode estar sendo influenciado pelo público, por treinadores ou ainda pelos jogadores. A tarefa do árbitro resulta em levar a partida até o final com competência, procurando não perder nenhum lance, mesmo que sua atuação esteja submetida a uma forte pressão. Para lidar com estas situações o árbitro necessita de autocontrole e adequada autoconfiança, para conseguir a imparcialidade.
Segundo Riera, citado por Cruz (1997), as estratégias utilizadas para obter informações sobre os árbitros são: estudo das regras, questionários e entrevistas, além de observação em campo. Segundo o mesmo autor estudos da sociologia do esporte, realizados a partir de questionários e entrevista, mostram o perfil motivacional típico dos árbitros: a razão principal para atuarem como árbitros é o interesse pelo esporte, seguidas pela emoção gerada por fazer parte do espetáculo, aspectos financeiros, poder, controle e prestígio. Ainda em relação a este assunto as razões que ajudam manter o árbitro na profissão são: competência, bom condicionamento físico, compromisso, interesse e entusiasmo pelo esporte.
Sobre a correlação entre características comportamentais e desempenho o autoritarismo é comum em árbitros mal sucedidos. Aqueles identificados como bem sucedidos geralmente são: seguros, autoconfiantes, com energia, espontaneidade e ajustados socialmente.
Sobre as exigências da função de árbitro é necessário um bom preparo tanto físico, quanto psicológico para que os mesmos possam tomar decisões importantes em pouco tempo e ainda sob pressão. Diante desta realidade pode-se assumir que a arbitragem é uma função estressante e, que ainda, é uma segunda ocupação, pois além de dirigir as partidas os árbitros convivem com uma organização semi-profissional já que precisam exercer outras funções para "ganhar a vida".
Este é um dos direcionamentos apontados por Riera (1989) para melhorar o contexto da arbitragem: a profissionalização da arbitragem, isto porque ela requer uma grande dedicação, o que não é possível se o árbitro tiver que se dividir com outras funções. Além disso, o autor sugere que ações devem estar voltadas para melhorar a formação e competência da arbitragem - a formação não se deve resumir a estudos de regras, mas também trabalhos psicológicos, e conhecimentos de mais aspectos que envolvem esta área. De maneira complementar Riera afirma, também, que é importante educar a sociedade para ter mais respeito com os árbitros.
Neste sentido os meios de comunicação exercem um importante papel já que se constituem em poderosas fontes formadoras de opinião. Segundo Borelli e Neto (2004)4, o jornalismo cria mecanismos para fazer julgamentos, avaliações de pessoas envolvidas no mundo esportivo. Ele tem regras próprias para narrar, apresentar, expor, enfim discorrer sobre o esporte, de forma singular; para tal é necessário que os jornalistas tenham conhecimentos tanto do campo jornalístico, como também das especificidades do mundo esportivo, como regras, funções, características, códigos, e outros.
Erbolato citado por Borelli e Neto (2004), defende que o jornalista deve conhecer as regras e regulamentos da maioria dos esportes para que, ao redigir sua matéria, possa aplicá-los convenientemente. Mas os árbitros de Futebol, ao contrário, queixam-se do despreparo da imprensa esportiva, quanto aos conhecimentos das técnicas e regras da Arbitragem de Futebol, segundo eles, os jornalistas falam sem conhecimento de causa. Criticam muito, mas sem respaldo do conhecimento.
A mídia tem uma responsabilidade muito grande neste clima de desrespeito aos árbitros e estimulação de briga entre as torcidas, porque através deste veículo é construída uma rivalidade agressiva. Fazer circular nos jornais manchetes e notícias que estimulam o clima de guerra no esporte, com tanta rivalidade, faz deixar de existir o chamado "espírito esportivo". Acaba sobrando para o árbitro.
-continua-
Pouco se tem publicado a respeito da Arbitragem de Futebol e deste contexto, quase não se encontram referências bibliográficas que tratem deste universo e suas adversidades. Os trabalhos existentes, geralmente, trazem descrições sobre atletas e ambiente esportivo. O presente trabalho pretende relacionar a literatura sobre coerção e seus subprodutos com a avaliação de possíveis fatores causadores de estresse na Arbitragem de Futebol de campo. Para tal, a metodologia utilizada foi a da pesquisa bibliográfica, realizada em bases de dados específicas, na busca da elaboração de uma síntese entre os temas relacionados. Um objetivo adicional é contribuir para produção de literatura específica em um campo tão escasso.
Palavras-chave: Coerção, Arbitragem, Desempenho esportivo.
INTRODUÇÃO
O objetivo da presente pesquisa foi o de explorar a literatura sobre estresse no esporte, especificamente na arbitragem de futebol de campo. Buscou-se definir estresse, relacionando-o ao conceito de "Coerção" (SIDMAN, 1995), desempenho na arbitragem e sua relação. Deste modo esperava-se localizar na literatura indicadores acerca do surgimento do estresse, de suas fontes, e de sua relação com o desempenho em campo dos árbitros.
CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ARBITRAGEM
De acordo com Cruz (1997), os árbitros junto com os jogadores e treinadores são imprescindíveis em competições esportivas. A atuação deles em muitos esportes é o ponto chave para o espetáculo, mas para que tenham boa atuação necessitam não só de preparo técnico, como também de boa preparação psicológica; uma realidade que muitos profissionais da Psicologia do Esporte ainda não se deram conta, o que justifica a escassez de material bibliográfico.
Considerando-se que existem pouco material sobre arbitragem, em Psicologia do Esporte, os psicólogos não devem dispensar o assessoramento dos árbitros para conhecerem o contexto desta população específica. Este motivo, por si só, já justifica a necessidade de se pesquisar para conhecer mais sobre esta área, o que corrobora com a idéia desta pesquisa.
Em muitas áreas os árbitros são cobrados excessivamente e, apesar disso, eles devem ser precisos e objetivos, pois sua atuação pode definir o espetáculo esportivo. Para que o trabalho do árbitro se dê de forma imparcial e justa, existem alguns fatores que devem ser considerados como o estado emocional, que pode estar sendo influenciado pelo público, por treinadores ou ainda pelos jogadores. A tarefa do árbitro resulta em levar a partida até o final com competência, procurando não perder nenhum lance, mesmo que sua atuação esteja submetida a uma forte pressão. Para lidar com estas situações o árbitro necessita de autocontrole e adequada autoconfiança, para conseguir a imparcialidade.
Segundo Riera, citado por Cruz (1997), as estratégias utilizadas para obter informações sobre os árbitros são: estudo das regras, questionários e entrevistas, além de observação em campo. Segundo o mesmo autor estudos da sociologia do esporte, realizados a partir de questionários e entrevista, mostram o perfil motivacional típico dos árbitros: a razão principal para atuarem como árbitros é o interesse pelo esporte, seguidas pela emoção gerada por fazer parte do espetáculo, aspectos financeiros, poder, controle e prestígio. Ainda em relação a este assunto as razões que ajudam manter o árbitro na profissão são: competência, bom condicionamento físico, compromisso, interesse e entusiasmo pelo esporte.
Sobre a correlação entre características comportamentais e desempenho o autoritarismo é comum em árbitros mal sucedidos. Aqueles identificados como bem sucedidos geralmente são: seguros, autoconfiantes, com energia, espontaneidade e ajustados socialmente.
Sobre as exigências da função de árbitro é necessário um bom preparo tanto físico, quanto psicológico para que os mesmos possam tomar decisões importantes em pouco tempo e ainda sob pressão. Diante desta realidade pode-se assumir que a arbitragem é uma função estressante e, que ainda, é uma segunda ocupação, pois além de dirigir as partidas os árbitros convivem com uma organização semi-profissional já que precisam exercer outras funções para "ganhar a vida".
Este é um dos direcionamentos apontados por Riera (1989) para melhorar o contexto da arbitragem: a profissionalização da arbitragem, isto porque ela requer uma grande dedicação, o que não é possível se o árbitro tiver que se dividir com outras funções. Além disso, o autor sugere que ações devem estar voltadas para melhorar a formação e competência da arbitragem - a formação não se deve resumir a estudos de regras, mas também trabalhos psicológicos, e conhecimentos de mais aspectos que envolvem esta área. De maneira complementar Riera afirma, também, que é importante educar a sociedade para ter mais respeito com os árbitros.
Neste sentido os meios de comunicação exercem um importante papel já que se constituem em poderosas fontes formadoras de opinião. Segundo Borelli e Neto (2004)4, o jornalismo cria mecanismos para fazer julgamentos, avaliações de pessoas envolvidas no mundo esportivo. Ele tem regras próprias para narrar, apresentar, expor, enfim discorrer sobre o esporte, de forma singular; para tal é necessário que os jornalistas tenham conhecimentos tanto do campo jornalístico, como também das especificidades do mundo esportivo, como regras, funções, características, códigos, e outros.
Erbolato citado por Borelli e Neto (2004), defende que o jornalista deve conhecer as regras e regulamentos da maioria dos esportes para que, ao redigir sua matéria, possa aplicá-los convenientemente. Mas os árbitros de Futebol, ao contrário, queixam-se do despreparo da imprensa esportiva, quanto aos conhecimentos das técnicas e regras da Arbitragem de Futebol, segundo eles, os jornalistas falam sem conhecimento de causa. Criticam muito, mas sem respaldo do conhecimento.
A mídia tem uma responsabilidade muito grande neste clima de desrespeito aos árbitros e estimulação de briga entre as torcidas, porque através deste veículo é construída uma rivalidade agressiva. Fazer circular nos jornais manchetes e notícias que estimulam o clima de guerra no esporte, com tanta rivalidade, faz deixar de existir o chamado "espírito esportivo". Acaba sobrando para o árbitro.
-continua-
1 comentário:
Muito boa a matéria, veja esta também sobre o mesmo assunto.
Grato.
http://www.professormauroviana.com.br/2011/07/estresse-na-arbitragem-de-futebol.html
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