segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

ÁGUIA CLUBE - MIRA MAR (RETROSPECTIVA-XXII)

A minha última viagem (14 de Janeiro de 2007, domingo) foi à Ilha de São Miguel, onde assisti ao jogo Águia Clube Desportivo e o Mira Mar Sport Clube, no campo do Outeiro (terra batida), nos Arrifes, que contava para o Campeonato da Associação de Futebol de Ponta Delgada e que os da casa ganharam por 1-0.

Equipa de Arbitragem: Duarte Vicente Almeida Travassos (Árbitro), André Filipe Gravito Cunha e Paulo Filipe Melo Medeiros.

O meu Amigo José Manuel Carvalho fez o favor de me ir esperar ao Aeroporto João Paulo II. Antes do jogo principal ainda vimos um jogo de juniores. Nos Arrifes estive com o Árbitro Fernando Jorge Pereira, há muito radicado nesta ilha.

Quilómetro percorridos: 2970. Tempo dispendido: 19 horas.

E pronto, terminei a epopeia do agradecimento a todos aqueles que contribuíram para a minha formação cívica e desportiva, assistindo a um dos jogos promovidos pelas 22 Associações de Futebol de Portugal. Foi um gozo tremendo. Uma satisfação pessoal do dever cumprido. Voltaria a fazê-lo com o mesmo entusiasmo e vontade. É bom ter Amigos, e estar com eles. Não me cansei nem me aborreci ao percorrer os tais 20.621 quilómetros e ter ocupado as 351 horas necessárias para os fazer. Estou feliz pelo que fiz. Agradeço, uma vez mais, as atenções recebidas de todos aqueles que fui referindo ao longo destas vinte e duas crónicas, incluindo as equipas de arbitragem que fiz sempre questão em saudar e cumprimentar pessoalmente, razão porque fiquei a saber os seus nomes completos. Também agradeço ao sítio http://www.zerozero.pt/ pelas informações recolhidas e que muito ajudaram ao êxito da logística, assim como a ilustração das narrações com os emblemas dos clubes intervenientes. Aquele abraço!

Dentro em breve seguir-se-à o relato das minhas viagens a Angola (Março) e a Cabo Verde (Maio), dado que já referi a minha deslocação à Guiné-Bissau, conforme se pode constatar neste mesmo blog em 22 de Novembro de 2007. Espero, no decorrer deste novo ano, deslocar-me ao Brasil e a Moçambique.

domingo, 13 de janeiro de 2008

EFEMÉRIDE


Faz hoje precisamente 56 anos (como o tempo passa…) que assisti ao meu primeiro jogo de futebol oficial, com apenas 9 anos de idade (!), e logo no relvado do Estádio das Salésias, em Belém.

Defrontaram-se o Clube de Futebol Os Belenenses e o Grupo Desportivo Estoril Praia. A equipa de arbitragem era chefiada pelo Mestre Joaquim Campos, que se estreava na 1ª Divisão nacional.

A história deste acontecimento resume-se no seguinte: No Estoril alinhava um jogador de nome Alberto, logo meu homónimo e, como tal, um certo aproximar e simpatia emotiva pelo clube da linha da Costa do Sol, que alardeava perante toda a gente. Na minha rua morava o pai doutro jogador do mesmo clube e, sabendo o meu entusiasmo pelo futebol e por aquele clube, prometeu-me levar a ver um jogo, o que aconteceu naquele longínquo dia. O seu filho (Andrade, de seu nome) até marcou um golo e eu, naturalmente, pulei de contentamento.

Naquele domingo, 13 de Janeiro de 1952, foi o início de uma auspiciosa carreira para Joaquim Campos que, como se sabe, esteve presente nos Mundiais de 1958-Suécia e 1966-Inglaterra. Recordo que ostentou a insígnia FIFA durante 21 épocas consecutivas, marco hoje impossível de igualar.

Para memória futura, eis a sumula do jogo: Os Belenenses, alinhou com Sério; Rocha, Serafim e Castela; Feliciano e Rebelo (o tal que foi meu Treinador); Mário Rui, Pedroto (sim, o José Maria), André, Matateu (o melhor goleador dos azuis) e Narciso. O Estoril, jogaram: Sebastião; Magro, Alberto (o meu homónimo) e Cassiano; Elóis e Gonzaga; Lourenço, Vieira, Andrade, Nunes e Vilacova. Marcadores: 0-1, Andrade, aos 59 minutos (isso é que eu pulei...) e o golo do empate foi obtido por André, aos 88.

Foto: Comigo, quando, aqui há uns tempinhos atrás, recolhia apontamentos para um trabalho sobre o nosso tema preferido: a arbitragem.

sábado, 12 de janeiro de 2008

FELICITAÇÕES NATAL E ANO NOVO


VOTOS DE BOAS FESTAS PARTILHADOS COM
PERSONALIDADES E ENTIDADES.

A TODOS O MEU BEM-HAJA.

Abel da Costa (Fão), ACREDITAR-Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, Adriano Filipe (Sintra), Adriano Lins (Sergipe-Brasil), Afonso Matias (Lisboa), Agostinho Correia (Pinhal Novo), Álvaro Braga Júnior (Porto), Álvaro Morais (Queijas), Amadeu Rodrigues (Pontinha), Amaro Rodrigues (Praia-Cabo Verde), Amílcar Coito (Lisboa), Ana Bia Baptista (Goiás-Brasil), Ana Paula Oliveira (São Paulo-Brasil), André Gralha (Entroncamento), António Bernardo (Amadora), António Cardoso (Camarate), António Ferreira (Buraca), Apolino Pereira (Coimbra), Associação dos Amigos do Hospital de Santa Maria (Lisboa), Bento Silva (Bucelas), Bruno Furtado (Horta-Faial), Canda da Costa (Luanda-Angola), Cardita Sobral (Mem Martins), Carina Pereira (Queluz), Carla Rolo (Lisboa), Carlos Galeano (Lisboa), Carlos Correia (Mem Martins), Carlos Estriga (Entroncamento), Carlos Janela (Lisboa), Carlos Jesus (Lisboa), Climério Ferreira (Lisboa), CNID-Clube dos Jornalistas Desportivos, Conceição Martins (Lisboa), Costa Valente (Viana do Castelo), Cruz dos Santos (Lisboa), Daniel Soares (Vila Nova de Foz Côa), Décio Cordeiro (Queluz), Elisabete Cardoso (Póvoa Santa Iria), Elsa Mota (Lisboa), Emídio Júlio (Vila Pouca de Aguiar), Evandro Roman (Cascavel-Brasil), Fernando Martins (Lisboa), Fernando Rodolfo (Lisboa), Fernando Valdrez (Porto), Filipa Parreira (Odivelas), Frederico Lourenço (Torres Vedras), Francisco Bernardes (Lisboa), Francisco Parrinha (Cacém), Gabriela Quaresma (Lisboa), Gabriel Santos (Almeirim), Gueorgui Ivanov (Lisboa), Hamed Oult (Guiné-Bissau), Inácio Almeida (Barreiro), Ivone Santos (Lisboa), Jacinto Montezo (Palmela), Januário Ferreira (Vila Nova de Foz Côa), João Gomide (Rio de Janeiro-Brasil), João Mónica (Venda Nova-Amadora), João Sargento (Lisboa), Joaquim Campos (Lisboa), Joaquim Carvalho (Rio de Mouro), Joaquim Xavier Silva (Lisboa), Jorge Correia (Amora), Jorge Faustino (Leiria), Jorge Fernandes (Luanda-Angola), Jorge Marques (Queluz), Jorge Nunes (Sertã), José Alberto Rosa (Lisboa), José Ferreira (Lisboa), José Manuel Martins (Oeiras), José Manuel Paixão (Beja), José Padinha (Cacém), José Pessi (Rio Grande do Sul-Brasil), José Ribeiro (Lourel), José Soeiro (Beja), José Sousa (Lisboa), José Trindade (Luxemburgo), José Valdoleiros (Paredes), José Vedor (Beja), José Vital (Lisboa), LACATONI-Desportos, Ldª (Braga), Leonel Pires (Bucelas), Luís Barreto (Paço de Arcos), Luís Brás (São Romão-Seia), Luís Estrela (Lisboa), Luís Serra (Barreiro), Luísa Castel-Branco (Lisboa), Madalena Louro (Lisboa), Manuel Amendoeira (Almada), Manuel António Correia (Lisboa), Manuel Dende (São Tomé e Príncipe), Manuel Ferreira (Peniche), Manuel Sérgio (Lisboa), Maria João Fortunato (Loures), Mário Real (Lisboa), Nuno Barata (Pinheiro de Loures), Nuno Nepomuceno (Torres Vedras), Nuno Pereira (Póvoa Santa Iria), Paulo Silva (Lisboa), Pedro Barata (Lisboa), Pedro Mendes (Lisboa), Rui Melo (Lisboa), Rui Piteira (Palmela), Rui Raimundo (Lisboa), Sepa Santos (Montijo), Sérgio Corrêa Silva (São Paulo-Brasil), Sérgio Landgraf (São Paulo-Brasil), Sérgio Nunes (Amadora), Sílvia Regina (São Paulo-Brasil), Sofia Amiguinho (Lisboa), Susanna de Gioia (Cascais), Teodoro Castro Lino (Goiás-Brasil), Tomás Baltazar (Lisboa), Turanga-Agência de Viagens (Lisboa), Vítor Campos (Seixal), Vítor Carvalho (Lisboa), Vítor Faustino (Amadora), Vítor Gonçalves (Lisboa), Vítor Pereira (Linda-a-Velha), Vítor Santos (Gondomar) e muitos, muitos mais que não me ocorre os seus nomes (desculpem-me esta falha...).

Nota: Mensagem recebida de Formandos que frequentaram o Curso Eusébio da Silva Ferreira (1993).

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

LEONEL PIRES, UM SENHOR – CAMARATE-PONTERROLENSE, BENFICA-ESTORIL, PALMENSE-PERO PINHEIRO E BUCELAS-FANHÕES - FIM-DE-SEMANA FUTEBOLÍSTICO













Neste último sábado, dia 5, estive, à tarde, no Campo da Quinta dos Barros a assistir ao jogo entre as equipas do Grupo Desportivo Águias de Camarate (Fundado em 01.08.1950) e do Grupo Desportivo, Recreativo e Cultural Ponterrolense (F. 01.01.1941), do Campeonato de Juniores da I Divisão, série 1, da Associação de Futebol de Lisboa e que terminou com a vitória dos primeiros por 4-1. Saudei o meu bom Amigo, da velha guarda, sr. António Cardoso.
Equipa de Arbitragem: Bruno Miguel Macedo Chagas (Árbitro), Flávio Alexandre Silva Ramos e João Pedro Machado Silva.

No domingo, dia de Reis, de manhã e no Complexo Desportivo dos Pupilos do Exército (Alto dos Moinhos-Lisboa), para além de cumprimentar Nené, o magnifico jogador internacional do Sport Lisboa e Benfica (F.28.02.1904), vi os seus pupilos ganharem ao Grupo Desportivo Estoril Praia (F.17.05.1939), por 3-1, no jogo que contava para o Distrital de Juvenis I Divisão Honra.
Equipa de Arbitragem: Ari Conceição Silva Mendonça (Árbitro), Tiago Bruno Lopes Martins e Tiago Manuel Almeida Rocha.

Logo a seguir desloquei-me ao campo José Ramos, onde presenciei o desafio entre o Sport Futebol Palmense (F.25.10.1910) e o Clube Atlético Pêro Pinheiro (F. 07.10.1945), do Campeonato Distrial de Juvenis II Divisão, cujo resultado foi favorável aos visitantes por 4-2. O piso, de terra batida e todo ele enlameado, estava impróprio para a prática de bom futebol…
Equipa de Arbitragem, somente constituída por 2 elementos: Fábio Emanuel Ferreira Querido e André Lopes Dias.

À tarde, em Bucelas, no alindado campo Júlio Alves, com sintético de última geração, o Clube de Futebol Os Bucelenses (F. 15.09.1929), derrotou o Sport Lisboa e Fanhões (F. 1942), por 2-0. Encontro do Campeonato da I Divisão Honra.
Equipa de Arbitragem: Flávio José Serrano Roques (Árbitro), Nuno Domingos Henriques Gonçalves e Carlos André Gaio Nunes.

Saudei os meus velhos amigos Bento Silva (Ex-Árbitro) e Leonel Pires (Massagista de renome). Entretanto, no decorrer da segunda parte, o guarda-redes do Fanhões ao efectuar uma defesa de alto risco (em voo), deslocou o ombro direito quando caiu (nada bem, diga-se). Não foi possível a sua recuperação e aconteceu ter sido substituído, recolhendo às cabinas. Leonel Eurico Pires, que assistia ao jogo na bancada na companhia de familiares, respondeu de imediato à solicitação dum seu colega no sentido de que se deslocasse aos balneários para ajudar o lesionado, o que fez de bom agrado. Graças aos seus profundos conhecimentos e experiência profissional deu a sua preciosa colaboração localmente e indicou ao jogador o que fazer a seguir no Hospital para onde foi transportado. Esta atitude de Leonel Pires, que não estava de serviço, para com um atleta, mais a mais adversário, é demonstrativo do que as pessoas devem ser no seu dia-a-dia: Prestáveis, Gentis e Dignas de estarem no Futebol. Gostei bastante do que vi e, por isso, fui felicitá-lo no fim do jogo, saudando o Grande Homem que é o humilde, cortês e sincero – e já agora meu bom Amigo – Leonel Pires! (encontra-se na fila de trás, à esquerda, quando a delegação da selecção nacional de Futsal foi apresentar cumprimentos de cortesia ao Presidente da Assembleia da República, antes de partirem para Taipé, onde se desenrolou o Mundial-2004).

Nota: A última distinção que merecidamente recebeu foi a Medalha Municipal de Mérito Desportivo, atribuída pela Câmara Municipal de Loures, em 29 de Junho de 2006.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

NOVOS ÁRBITROS INTERNACIONAIS – BRASIL E PORTUGAL


Desde anteontem, dia 7, que, no sítio da FIFA, constam os nomes daqueles que têm o direito de fazer uso da insígnia mais desejada por todos que anseiam ir o mais longe possível na carreira que abraçaram, a de Árbitro de Futebol.

Tenho o privilégio de divulgar que, entre os que passam a ter o título de internacional, estão dos meus “velhos” amigos, mas jovens na idade: Evandro Roman (N 03.03.1973), do Paraná (Brasil) e Carlos Xistra (N 02.01.1974), de Castelo Branco (Portugal).

Que sejam felizes nos desempenhos a que vão ser chamados em jogos de nível superior, que, como sabem, terão de ser enfrentados com a vossa naturalidade, conhecimentos, experiência e sensibilidade, já que a vontade não vos faltará para imporem a vossa marca pessoal. Não é necessário lembrar-vos que as responsabilidades agora são acrescidas, pois tal distinção obriga a trabalho redobrado em tudo o que diga respeito à causa que, de forma admirável, se dedicam de alma e coração.

Com um forte abraço de amizade, respeito e consideração espero que consigam manter o estatuto agora conseguido até ao final da actividade que adoptaram com humildade, saber, afecto, entusiasmo e sem desfalecimentos, pese embora os escolhos que foram (e irão) aparecendo no vosso caminho. Ao atingirem o topo da pirâmide, estou certo que valeu a pena lutarem por princípios e ideais que vos orgulham e os vossos mais próximos também. Estou radiante por vocês!

Nota: Carlos Xistra é o 72º Árbitro FIFA português e, em simultâneo, o primeiro do seu Distrito a atingir a internacionalização.

Fotos: Evandro com a esposa (Janesca) e eu, em São Paulo (Brasil). Num Colóquio em Castelo Branco, da esquerda: Manuel Nabais, José Gonçalves, Jorge Nunes (Presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Castelo Branco), eu e Carlos Xistra.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

GASTÃO FERREIRA – ANIVERSARIANTE



Este meu bom Amigo de São Tomé e Príncipe comemora hoje os seus 45 anos de idade, razão porque estou a saudá-lo efusivamente e desejar que passe um excelente aniversário junto de todos os seus mais próximos.

Para além de ser Árbitro FIFA – já o foi nas duas variantes F.11 e Futsal, uma caso único no seio da entidade que rege o futebol mundial – é também o Presidente da Associação dos Árbitros de Futebol de São Tomé e Príncipe desde a sua fundação (2002).

Recordo que Gastão da Graça Ferreira aquando da criação da associação de classe dos Árbitros de futebol do novel país, onde estive e fiz parte da Comissão de Elaboração dos seus Estatutos, juntamente com o então Presidente da APAF, Luís Guilherme, fez questão, até acaloradamente, que o nome da Associação ficasse também expressamente identificada com o Príncipe, conforme foi aprovado, já que a designação Santomense resumia-se somente a uma das ilhas. Atitude de louvar de um natural da Capital deste promissor país que tem as mais belas paisagens africanas.

Aquele abraço! Até breve.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

VIRIATO DOS SANTOS, O SENHOR MEU PAI…






Fazia hoje 92 anos se estivesse entre nós, mas não suportou a malfadada doença prolongada e deixou-nos em 20 de Outubro de 1995, com 79 primaveras e muitas e muitas saudades…

Era um Pai à maneira, à antiga, com valores e princípios democráticos e solidários que soube transmitir aos descendentes (Ivone, Fernando e eu), mas, acima de tudo, pugnava que a integridade de carácter, a seriedade, a dedicação fossem, como é, felizmente, a marca da família. Aprendi muito com o meu pai, copiando as suas peculiares qualidades de democrata e de trabalhador, de lutar contra as adversidades, contra as injustiças, contra tudo que tente subjugar o mais fraco, o mais oprimido. Valeu a pena ter um pai assim!!!

Esteve ao serviço da Companhia Carris mais de 40 anos, como guarda-freio, no sector dos eléctricos e, entre outras acções de protesto contra o fascismo, participou activamente na greve da mala, movimento dos trabalhadores da Carris que recusaram receber o valor dos bilhetes aos passageiros e juntaram as suas malas de cobrança nas entradas das Estações das Amoreiras, Arco do Cego e Santo Amaro provocando a ira do ditador e a raiva da PIDE-Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a Polícia Política, que perseguiu os lideres deste marcante e inédito acto contra o regime ditatorial.

Como qualquer ser humano também tinha as suas paixões, das quais destaco estas duas: o Fado e a Aeronáutica Militar.

Na primeira, como morador desde novo na Rua do Guarda-Mor (em pleno centro do Bairro Alto), granjeou amizades, conhecimentos e experiências fantásticas junto daqueles que também gostavam da canção nacional. Lembro-me de Venceslau de Oliveira, Francisco Radamanto, Alfredo Marceneiro, Henrique Rêgo, Silva Tavares, Berta Cardoso, Carlos Conde, Martinho da Assunção, Carvalhinho, João Bastos e outros tantos nomes ilustres que faziam parte do rol dos seus companheiros de percurso. O meu pai tinha uma monumental colecção de discos (daqueles de 78 rotações por minuto!…), assim como revistas, jornais, fotografias de um tempo que marcou uma época. Recordo que, por vezes, fazia em nossa casa para estes seus amigos sessões onde escutavam gravações inéditas e raras através do som límpido duma grafonola fabricada em Macau. Quando começavam a escutar os fados, o primeiro a sair para a rua era eu, pois da canção nacional nicles, era mais bola… Contudo, quando fui para África e ouvia no programa Hora da Saudade, emitido pela então Emissora Oficial, o trinar da guitarra, as vozes tristes, a choradeira, o lamento, enfim, lá sentia o aperto da nostalgia bem dentro de mim… Ai que saudades, ai, ai… Pese embora o bom dinheiro que lhe ofereciam para adquirir as suas preciosidades, nunca acedeu à venda de qualquer das suas gravações…

Quanto à Força Aérea, o meu pai desde bem cedo ganhou um encanto por tudo o que voava pela mão do homem. Coleccionou tudo o que se relacionasse com a aeronáutica militar: Ordens da Aeronáutica, revistas, jornais, donde recortava as notícias e fotos, procedendo à sua catalogação e identificação em volumes próprios. Tinha uma caligrafia espantosa. Acompanhava a carreira de qualquer aviador militar, escrevendo o seu currículo, com actualização constante quanto a promoções, locais de serviço, e, cada qual com a sua foto individual! Interessante que estes volumosos livros foram solicitados, por várias vezes, para exposições aeronáuticas. Depois da sua morte foram doados ao Museu da Força Aérea (Alverca). Uma curiosidade, bem curiosa, aliás: O meu pai nunca viajou de avião… Da montanha de amigos que tinha na Força Aérea recebeu algumas promessas no sentido de obter o baptismo de voo, mas...

FOTOS - A partir de cima. 1. Meu pai, em 1936 (Repare-se no emblema da Força Aérea, nada pequeno, na lapela, juntinho ao lenço. 2. Minha mãe, em 1934. 3. Em 1994. 4. Os meus pais no casamento da minha irmã (Ivone). São o par mais perto dos padrinhos da noiva (eu e Fernanda Dâmaso). 5. Em 29.6.1973, com a famelga… Meu pai está junto à sua mãe, minha avó, Maria Gameira dos Santos, seguem-se minha irmã, minha mulher (Maria Júlia) com o nosso filho ao colo (Rui), no dia do seu baptismo, eu e meu irmão (Fernando). À frente, as suas netas Carla e Cristina.