segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

SANTACRUZENSE - DESPORTIVO 1º DE MAIO - (RETROSPECTIVA-XXI)

A ida à Madeira verificou-se no dia 6 de Janeiro de 2007, sábado, para assistir no Complexo Desportivo das Eiras ao jogo entre as turmas do Sporting Clube Santacruzense e do Clube Desportivo 1º de Maio, verificando-se a vitória dos primeiros por 2-0.

Equipa de Arbitragem: Nicodemo Balona Gouveia Câmara (Árbitro) e José Manuel Teixeira Dias e Marco Bruno Santos Ferreira.

A história desta deslocação foi a seguinte: Na Associação de Futebol da Madeira recolhi a informação de que o campo do Santacruzense ficava a cerca de 10 minutos a pé do Aeroporto do Funchal e fui preparado para isso. Fato de treino, ténis e boné era o equipamento que levava. Quando desembarquei no Aeroporto do Funchal encontrei-me, casualmente e com agradável surpresa, com 3 equipas de arbitragem, num total de 12 elementos, que chegaram do Porto e que iam dirigir jogos da Taça de Portugal no arquipélago e no dia seguinte. Os nomes dos chefes de equipa: Paulo Paraty, Paulo Costa e Carlos Duarte. Logo ali convidaram-me para ir almoçar com eles a Santo António o que, naturalmente acedi e agradeci, até que já tinha estado naquele sítio há mais de 40 anos quando fui para África (São Tomé) e o paquete Império escalou o porto do Funchal. Ai que saudades, ai, ai…

Depois do almoço-convívio o João Macedo, um dos Árbitros Assistentes, levou-me então ao sítio certo que não era o da primeira informação, mas sim num local bastante distante e íngreme. Quando lá chegámos ainda vimos a parte final dum jogo de juniores. Durante o encontro de seniores esteve comigo o João Sousa, ex-Árbitro madeirense. Quando o jogo acabou e me encaminhava em passo normal para o Aeroporto fui abordado pelo Emanuel Câmara (antigo Árbitro dos quadros nacionais), pai do Nicodemo que fez o favor de me convidar para tomar um sumo, tendo ainda proporcionado uma boleia ao local donde regressei a Lisboa.

Quilómetros percorridos: 2970. Tempo dispendido: 16 horas.

domingo, 6 de janeiro de 2008

PAULINHO CASCAVEL NOVAMENTE EM PORTUGAL




Este senhor do futebol, cujo nome completo é Paulo Roberto Bacinello, nasceu em 29 de Setembro de 1959, na Cidade de Cascavel, Paraná-Brasil, e deixou a marca da sua personalidade e de excelente e fino goleador quando jogou em Portugal (Futebol Clube do Porto, em 1984/1985, Vitória Sport Clube, de Guimarães, 1985/1987, Sporting Clube de Portugal 1987/1990 e Gil Vicente Futebol Clube 1990/1991), conquistando o título de melhor marcador por duas vezes. Recebeu, por isso, 2 bolas de prata – troféu instituído pelo jornal A Bola – nas épocas de 1986/87, com 22 golos e 1987/1988, com 23.

Pelo que representou para o Vitória de Guimarães, promoveram-lhe uma justa de homenagem em 16 de Setembro de 1997, muito concorrida em termos de adeptos e dirigentes. Quando nasceu sua filha deu-lhe o nome de Vitória. O seu herdeiro Guilherme, de 21 anos de idade, também avançado, iniciou-se nos escalões jovens do Vitória mas está a jogar no Trofense (actual comandante da Liga de Honra).

Isto tudo a propósito da notícia veiculada há uns dias atrás que dava o regresso de Paulinho a Portugal, onde irá permanecer por uns tempos, dedicando-se ao acompanhamento da carreira desportiva do seu sucessor. Ora, como em Março de 2005, na viagem que fiz a Cascavel, tive a felicidade de o conhecer pessoalmente na visita que o meu Bom Amigo Evandro Roman proporcionou à sua Academia de Futebol, onde demoradamente conversámos quando percorremos as suas instalações e ouvimos os seus projectos em benefício do futebol de formação, com a aquisição de mais terrenos para expandir os campos de jogo, contratando mais técnicos e professores. Vi a sua exposição fotográfica, donde se destaca uma sua imagem com a equipa de arbitragem chefiada pelo saudoso Vítor Correia e seus auxiliares Carlos Matos e Tavares da Silva (que me deu um gozo tremendo no regresso dizer-lhes desta fotografia), assim como a enorme galeria de troféus, com as bolas de prata em lugar de destaque.
Foi um prazer enorme este contacto com Paulinho Cascavel, pessoa culta e inteligente, de elevado carácter e humilde quanto baste. Para mais saber que aceita as crianças mais desfavorecidas que querem aprender a jogar sem pagarem qualquer valor pela inscrição. É bonito e de louvar esta atitude que só vem provar que Paulinho é um senhor…

sábado, 5 de janeiro de 2008

NAQUELE TEMPO (V)




O número 7, do Boletim O Árbitro, editado precisamente há 50 anos, teve os seguintes desenvolvimentos:

O Inspector dos Desportos, José Duarte de Ayala Botto (foto) saúda o aparecimento do Boletim e perspectiva-lhe vida longa. António Ribeiro dos Reis, Membro da Comissão de Arbitragem da FIFA, é contundente ao afirmar: O problema das arbitragens continuará sem solução satisfatória, enquanto os organismos de que depende a corporação dos Árbitros não se decidirem a enfrentar a situação com medidas eficazes e não com paliativos destinados apenas a DEIXAR SEGUIR aquilo que está feito. NOTA: Esta mensagem adapta-se em 2008, é actualíssima!!!
Divulgam-se notícias de Nampula e da Guiné, através dos seus correspondentes Alberto do Carmo Lourenço e José Mateus Canhão, respectivamente.

É transcrito do Guia Universal para Árbitros, as leis I-Campo de Jogo e II-Bola. Da primeira destaca-se a equivalência das medidas entre jardas e o sistema métrico.

O Boletim saúda o 14º aniversário do jornal A Bola e agradece aos confrades Record e Mundo Desportivo as facilidades que lhe têm prestado. Publica os balancetes do ano de 1957.
Temas do mês: A acção do Árbitro no meio social e desportivo, de Lourenço José Simões (Évora) na foto a palestrar. O Árbitro é o único juiz em questões de facto, por Filipe Gameiro Pereira (Lisboa). A preparação física é um dos grandes segredos para uma melhoria do nível da arbitragem, de Joaquim Campos (Lisboa). Terão alguns críticos bases para apreciar o trabalho do Árbitro?, de Isidro José Fragoso. Carta aberta ao Tenente-Coronel Ribeiro dos Reis, sobre os Árbitros portugueses e o Campeonato do Mundo, de Joaquim Campos, alertando para o facto das nomeações a nível internacional só terem bafejado alguns países e não Portugal.
Os temas do Curso de candidatos a levar a efeito em Coimbra, versam: História do Futebol, sua introdução em Portugal e evolução das suas leis; interpretação e aplicação das leis do jogo; Sistemas de arbitragem do jogo de futebol-diagonal, sistema oficializado em Portugal; noções de psicologia; noções gerais sobre regulamentação; elaboração de relatórios do jogo; colaboração entre os elementos de cada equipa de arbitragem e reflexões sobre a conduta moral de cada um e espírito de camaradagem que devem existir entre si; provas práticas de arbitragem; provas finais.
Na Tribuna do Árbitro os pedidos de esclarecimento quanto à lei do fora de jogo continuam. Pudera…

Curiosidades: Já nesta altura a FIFA pretendia que os Fiscais de Linha para os jogos internacionais recaíssem em Árbitros que mais se tenham evidenciado nessa função.
Na Argentina dizem que estão a ser confeccionados equipamentos tipo escafandro para os seus Árbitros estarem suficientemente protegidos. Carlos Canuto, antigo Árbitro internacional, dirigiu no primeiro dia do ano um jogo amistoso entre as velhas guardas do Benfica e do Sporting. O livro distribuído pela Associação de Futebol de Lisboa foi bem aceite pelos jogadores, ideia que não caiu em saco roto.
Nas efemérides dá-se conta que no dia 22 do corrente deu à luz um robusto varão a Dª Maria Celeste Simões de Campos, dedicada esposa do nosso amigo e Editor, Joaquim Fernandes de Campos. Ao simpático casal e a seu filho (mais um Árbitro?) auguramos boa saúde e futuro muito feliz.
Foto: O Árbitro e a multidão-A personalidade de um colega inglês ao avisar o público de que suspenderá a partida se este persistir em comportamento incorrecto (que tal?).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

HENRIQUE DOS SANTOS PEREIRA E SILVA – GALARDOADO



Este meu Bom Amigo, um jovem de 82 anos de idade, antigo Árbitro dos quadros nacionais, foi distinguido pelo Município de Vila Real com a Medalha de Prata de Mérito Municipal. Esta deferência foi outorgada na sessão plenária de 4 de Julho de 2007, e entregue no dia da comemoração dos 82 anos da elevação a Cidade de Vila Real, 20/7/2007, pelo seu Vice-Presidente da Assembleia, Dr. Pedro Chagas Ramos (na fotografia, à direita, a saudar Henrique Silva).

Natural da Freguesia da Sé (Bragança), onde nasceu em 5 de Fevereiro de 1925, teve uma brilhante e edificativa carreira, não só como Árbitro de Futebol, Andebol e Ténis de Mesa, como também no campo do associativismo onde foi fundador e dirigente de colectividades desportivas. Filiado no Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Vila Real, destaque-se o facto de ter permanecido durante várias épocas na 1ª categoria nacional (foto) e prelector de excelência em inúmeros cursos de candidatos a Árbitro. Pela sua constante, desinteressada e meritória actividade que desenvolveu, desde sempre reconhecida pelos seus conterrâneos, viu atribuírem-lhe a honra de ser o Patrono do Núcleo de Árbitros de Futebol de Vila Real, fundado em 21 de Novembro de 1996. Também o Governo da República, tendo em linha de conta o contributo que Henrique Silva deu ao desporto português, concedeu-lhe, em 27 de Setembro de 1999, a medalha de Bons Serviços Desportivos.

É uma honra para a arbitragem portuguesa ver mais um dos seus dignos representantes ser homenageado e em vida! É oportuno registar as suas palavras, recolhidas aquando da comemoração do 8º aniversário do seu Núcleo: Para além de agradecer a todos quantos têm dado continuidade ao meu trabalho, lanço um apelo à juventude do distrito, que optem pela arbitragem, pois que, hoje com oitenta anos, se tivesse ainda 20 ou 25 anos, voltaria para a arbitragem.

Que o exemplo de Henrique Silva, Homem leal, humilde, honesto e sincero seja um incentivo a todos aqueles que estão nesta causa com todas as virtudes e nenhum defeito… Vale a pena participar e defender padrões justos e nobres, direi eu…

Nota: Por me ter chegado a informação deste acontecimento na semana passada só agora foi possível promover a sua divulgação. O meu agradecimento à Câmara Municipal de Vila Real pela sua valiosa colaboração. Bem-haja!


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

LAMENTO, MAS A TOLERÂNCIA TEM LIMITES…

Por manifesta incompatibilidade com o Presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Lisboa, dou conta que renunciei continuar como membro do referido órgão, apresentando ontem a demissão a quem de direito.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

HOMERO SERPA – MAIS UM DOS NOSSOS QUE SE FOI…


Faleceu no último dia do ano e foi ontem a enterrar. Estivemos presentes (eu e o Mestre Joaquim Campos) no seu funeral, como tantos e tantos outros seus amigos que dele se despediram...

Homero Serpa nasce em 8.1.1927, na freguesia de Belém, Lisboa. Colaborou em diversas publicações desde O Mosquito (jornal infantil) até ao jornal A Bola, além de longo tempo de colaboração dispersa por Gazeta do Sul, República, Diário de Lisboa, Diário Popular, revista Lisboa Carris (da qual foi director) e O Setubalense.Entrou no jornalismo desportivo, nos anos 50, pela «via azul», quando o clube de futebol Os Belenenses fundou o seu jornal, no qual desempenhou, mais tarde, o cargo de redactor principal. Em Abril de 1955, iniciou-se em A Bola, onde foi redactor, subchefe de redacção, chefe-adjunto e chefe de redacção. Aposentado, comprometendo-se a manter a publicação de uma crónica semanal nesse mesmo periódico. Foi ainda redactor-fundador de A Bola Magazine e seu chefe de redacção. Recebeu o Prémio da Reportagem atribuído pelo Clube de Jornalistas do Porto (1993), a Medalha de Mérito Desportivo, a Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Oeiras, o diploma de sócio honorário do clube de futebol Os Belenenses (2003) e o Prémio O Pepe, instituído pelo Clube de Futebol Os Belenenses.

Surpreendentemente, ou talvez não, foi Treinador da equipa principal do Belenenses em 1970/1971, em parceria com Félix Mourinho.

Escritor de alto gabarito deu à estampa as seguintes obras: História do Desporto em Portugal (do século XIX à primeira Guerra Mundial),
Outra Maneira de Contar Desporto (1981), Crónicas da época desportiva (1989), Cândido de Oliveira (2000), História do Futebol em Portugal (2004), Na Estrada (2005) e Largo da Memória (2006).

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A MINHA MENSAGEM PARA 2008




Será desejável que passemos mais um ano com saúde, sorte e dinheiro para gastos (citação do extinto mas célebre programa radiofónico dos Parodiantes de Lisboa, denominado Parada da Paródia), mas, acima de tudo, com vontade de cá estar, andar e partilhar, que é o meu caso.

Vem isto a propósito do que me aconteceu nos primeiros dias de Janeiro de 1997. Para os que não sabem fui submetido a uma intervenção cirúrgica que me levou a parótida direita (glândula salivar). Em princípio, os exames preliminares, e não foram poucos (radiografias, ecografias e TAC’s e outros), apontavam para um tumor benigno. A operação foi conduzida pelo cirurgião Dr. Rogério Santos e graças à sua perspicácia, conhecimentos e saberes, assim como dos restantes elementos da sua equipa da Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria, foi um êxito, pese embora o tempo que demorou (6 horas). Só depois, aquando da análise do que me foi extraído, é que me confirmaram ser um carcinoma. Naturalmente que foi um grande choque ter recebido esta notícia. Mas, segui à risca os adequados tratamentos de radiologia e, passados já que foram 11 anos, cada vez mais estou agradecido aos médicos e enfermeiros, aos meus familiares e amigos, pois só graças a eles é que me foi possível superar, na altura, uma situação bastante difícil de enfrentar.

Portanto, face a esta vicissitude, aqui fica a minha chamada de atenção: que o ano que se segue seja sempre bem melhor do que o anterior, e que surja sempre aquela vontade de ultrapassar as adversidades, mesmo que seja necessário o pedido de ajuda a quem está mais próximo de nós. Que esse auxílio venha em boa hora e que tudo corra bem! Vivam todos aqueles que querem viver com qualidade de vida e fazem por isso…

Felicidades para todos…

Entretanto, aqui fica uma de saudade ao meu sogro, senhor Virgílio Machado dos Santos que, se estivesse entre nós, hoje comemorava o seu 93º aniversário (era sempre o primeiro em tudo…). Bom companheiro! Foto de família: obtida no baptizado do Nuno, filho da prima Julinha (1978), com a esposa (Dª Ivone), que tem o bebé, minha esposa (Maria Júlia) e nosso filho (Rui Fernando). Na do meio: Em Vila Velha de Ródão (1967). E na de baixo os avós com o neto preferido, o Rui (1972).